21/01/2021 às 09h45min - Atualizada em 21/01/2021 às 09h45min

Desigualdade na Educação Brasileira

Com a pandemia, a desigualdade social na educação aumentou bastante

Beatriz Cardoso
A desigualdade na educação não começa com o Enem sendo aplicado em uma pandemia, na verdade, ela começa na preparação. (Foto: Gabriel Jabur/ Agência Brasília)
   
A aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio 2020 (Enem) está dividido em duas formas, a versão impressa e digital. O impresso ficou nos dias 17 e 24 de janeiro de 2021 e o digital ficou para o dia 31 de janeiro e 7 de fevereiro. Na internet, as pessoas estão se mobilizando para adiar o Enem, com a hashtag #AdiaEnem, para que exame ocorra depois das vacinas contra a covid-19, porém o Ministério da Educação (MEC) e o Supremo Tribunal Federal estão de olhos fechados com a situação, ou seja, milhares de pessoas que vão prestar o vestibular estão colocando suas vidas em risco. Já sabemos que os hospitais estão lotados e com falta de equipamentos.

A desigualdade na educação não começa com o Enem sendo aplicado em uma pandemia, na verdade, ela começa na preparação, no caso no pagamento de materiais, matrícula e mensalidade. Se você for pesquisar quanto é a matrícula de um cursinho específico ou de uma escola é o preço de um salário mínimo. Os cursos mais baratos são os online, com valor médio de R$ 300. Porém, para estudar dentro de casa, você precisa de um computador ou celular e uma internet de qualidade, que infelizmente nem todos no Brasil têm acesso. Resumindo o contexto, para você entrar em uma universidade, você precisa de capital.

Quando a pessoa entra na universidade, dependendo do curso, vai ter que arcar com um certo valor para a compra de materiais, por exemplo, nos cursos de engenharia e arquitetura, os estudantes precisam de computadores específicos para fazer trabalhos. O valor atual de um computador que garanta essas produções está saindo na faixa dos R$ 5 mil reais, mesmo que o aluno tenha uma bolsa de 400 reais por mês fica difícil adquirir este equipamento. Esse dinheiro serve também para o transporte, o lazer, a alimentação e outros. Em 2020, a Universidade Federal do Pará disponibilizou um auxílio inclusão social de 1.200 reais para ajudar na compra de um computador, isso deveria ser válido para fora da realidade da pandemia. Portanto, para estudar tem que ter dinheiro.

Com a pandemia, a desigualdade social na parte da educação aumentou bastante. As escolas públicas fecharam portas, não existe um plano concreto para a educação à distância para os jovens. Enquanto isso, as escolas privadas estão ativas presencialmente (eu não concordo com essa prática) e à distância, sendo assim, o filho do juiz vai passar tranquilo no vestibular, enquanto o filho do catador de latas vai ter que pular barreiras, o puro suco da meritocracia, depois há pessoas que falam que nem existe. 

Sabemos que a maioria das crianças e dos adolescentes negros estudam nas escolas públicas, vou apresentar alguns dados a partir do Instituto Brasileiro Geografia e Estatística. Em 2018, 25,2% dos jovens brasileiros estavam cursando ou já tinham terminado o ensino superior, sendo apenas 18,3% negros contra 361% brancos. Outro dado importante que foi retirado da mesma pesquisa. 42,2% dos analfabetos brasileiros tinham menos de 65 anos. O alfabetismo na população negra abrange 9,1% e entre a população branca abrange 3,9%. Essa é a desigualdade social no último país do ocidente em abolir a escravidão negra.

Que o Estado e Município possam abrir mais cursinhos populares para a população que não tem condições financeiras e que as pessoas possam apoiar também ONGs voltadas para educação nas periferias. E que nenhuma violência faça você desistir de seus sonhos, nunca abaixe a sua cabeça, não importa o curso e onde será feito. Esse diploma é seu e ninguém pode tirar de você.
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Beatriz Cardozo

Beatriz Cardozo

Graduando em Licenciatura em História. Pesquisadora nas áreas de Patrimônios Históricos e Culturais, História Contemporânea e Antropologia Cultural.

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