12/03/2021 às 14h52min - Atualizada em 12/03/2021 às 14h52min

A prática teatral no envelhecimento: uma parceria a favor do idoso

A prática teatral no envelhecimento destaca a importância das oficinas e cursos para idosos

Fernando Matos
Quando o idoso representa, está na verdade se reelaborando, colocando para fora uma série de emoções que ficaram represadas. (Foto: Reprodução)
    
Os exercícios de ritmo e de ocupação do espaço cênico contribuem para ampliar gestos, movimentos e ações. Estimula a percepção do indivíduo sobre as possibilidades de expressão do corpo, da voz e das emoções. A dinâmica teatral melhora a atividade psicomotora e a atenção periférica do indivíduo. O prazer de criar personagens faz reviver/viver realidades, possibilitando a criação teatral e composição de personagens, falas e textos por meio dos exercícios de consciência corporal, habilidades motoras e psicomotoras; e outras técnicas corporais que permitem uma melhor expressão e domínio do corpo.

Rever o potencial crítico da criação é um tema de maior importância. Nesse processo, as artes cênicas têm papel de destaque porque se estabelecem como elo entre o sujeito criativo e o cidadão participativo, investindo na arte como forma de conhecimento e como exercício de criatividade. O exercício da criatividade que a arte contempla privilegia a experimentação e a aprendizagem, mediadas sempre pela ação reflexiva e pelo entendimento. A criação artística e educacional é fundamentalmente um processo e tem um ponto único de partida e de chegada: o sujeito, o indivíduo que cria.

A prática teatral no envelhecimento, por meio da arte-educação, é uma reflexão trazida nesta coluna e destaca a importância das oficinas e cursos para idosos no favorecimento da saúde física e mental, na manutenção da independência e da autonomia e no estímulo à socialização e ao protagonismo.

Uma experiência artístico-educativa prevê um grau aprofundado de introspecção que é uma espécie de encontro consigo mesmo ou com o grupo. É, portanto, a busca da individualidade e da intersubjetividade que o cotidiano, de um modo geral, anula.

Os idosos de hoje não ficam mais sentadinhos contando história e vendo a vida passar. Eles estão cada vez mais ativos, fazendo vários cursos, viagens, fotografias e... contando histórias, porém de uma outra forma: por meio do teatro.

Não, essa galera não enlouqueceu. Estão em um palco, onde o teatro transforma homens e mulheres comuns em atores e atrizes, tornando-os mais ativos e enchendo suas vidas de benefícios. Todos conquistados por meio do exercício das artes cênicas.

O que está acontecendo com eles é um exemplo do que a arte pode fazer para melhorar a vida de quem já passou dos 60 anos. Durante a aprendizagem artística muitos saem de um processo depressivo com a ajuda do trabalho com o texto, o autor e os personagens. Os exercícios físicos, vocais e mentais – com estímulo da memória e da criatividade – eliminam até o uso de alguns remédios. O teatro tira a vergonha de falar, acaba com a timidez. Graças ao teatro, as falas e opiniões se projetam nas salas de aula e a atitude extrapola na família. Eles têm argumentos e pontos de vista que agora sabem como expor. O resultado são homens e mulheres mais satisfeitos pessoalmente, que conquistam voz ativa dentro de casa e junto aos colegas. No palco eles se transformam, saem de dentro de si e dão voz aos personagens.

Sendo assim, quando o idoso representa, está na verdade se reelaborando, colocando para fora uma série de emoções que ficaram represadas. A prática traz a superação de bloqueios emocionais sem que a pessoa perceba isso diretamente.

O acesso às informações que um dia já foi restrita, hoje está cada vez mais acessível (inclusive em Belém), para todos que buscam os inúmeros benefícios desta arte tão importante.

No entanto, ainda é preciso desmistificar alguns pontos e permitir que mais idosos conheçam está linda arte e que assim, possam vir a se beneficiar dela. Afinal, o teatro é de todos e para todos!
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Fernando Matos

Fernando Matos

Fernando Matos é ator, autor, diretor teatral e professor. Sua paixão por teatro surgiu desde a infância.

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