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24/12/2019 às 12h00min - Atualizada em 24/12/2019 às 12h00min

Qual o verdadeiro sentido do Natal para você?

O belem.com.br ouviu representantes de diferentes denominações religiosas para saber o que essa data, afinal, significa para cada uma delas

Rosa Borges
Jornalista do belem.com.br
Para a tradição judaico-cristã ocidental, o Natal remete ao nascimento de Jesus, filho de Deus, que veio ao mundo para salvar a humanidade (Foto: Internet)
   
O final do ano é um período de muitas festas, celebrações religiosas e confraternizações. Mas, cada grupo social tem sua maneira, seus rituais para comemorar, especialmente o Natal, que – para a tradição judaico-cristã ocidental –  marca o nascimento de Jesus, o filho de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade. Ouvimos representantes de diferentes denominações religiosas que nos explicam como cada uma delas vê essa data festiva.
 
Preparação – Para os católicos, existe todo um ritual de preparação, com os quatro domingos do Advento, também conhecido como o primeiro tempo do ano litúrgico. Segundo o cônego Ronaldo Menezes, o Natal se divide em duas fases.
 
"Até o dia 16 de dezembro, é a fase do Advento, que nos faz lembrar que está próxima a vinda de nosso Senhor Jesus. O período de 17 a 24 de dezembro é a segunda fase do Advento, com leituras que se aproximam mais do nascimento histórico de Jesus. É um tempo de oração e graça para toda a comunidade. Temos ainda os ritos do Natal. Além dos quatro domingos do Advento, nós temos a vigília do Natal, no dia 24 à noite, que é a grande proclamação do presente que Deus nos dá, que é a vinda do Senhor Jesus. Nesse dia, nós ouvimos as palavras do profeta, o anúncio dos anjos, o nascimento de Jesus em Belém, nos alegramos com esse grande acontecimento e revivemos a história do grande amor de Deus pela humanidade. Já no dia 25, nós temos a celebração deste dia em que Jesus se encontra no meio de nós, de um modo muito especial e para sempre", explica.
 
Símbolos – O cônego destaca ainda alguns elementos que simbolizam esse período natalino. "As cidades se enfeitam de um modo muito exuberante, as casas e igrejas idem. A luz está presente para lembrar que Jesus é a luz do mundo, é a luz da nossa vida. Outro elemento do Natal que lembramos e requalificamos o seu sentido é a árvore de Natal, que deve ser enfeitada por todos da família, até concluir, no dia 24, com aquela estrela grande no topo, para lembrar a estrela de Belém, que anuncia Jesus nascido. Outro elemento importante, que deve estar presente nas casas, é a manjedoura, do presépio, para que as pessoas recordem o quanto isto é uma realidade, e que significa a presença real do Senhor Jesus em nosso meio, não é só um símbolo. Em meio a tudo isso, é bom lembrar que as famílias deveriam se reunir na ceia de Natal, uma reunião bonita, gostosa, festiva, trazendo o sentido do Natal entre nós. Finalmente, devemos retomar a leitura da Palavra de Deus em todos os lares, entre os familiares", reforça.
 
Aproximação – O pastor evangélico Flávio Maia, presidente da Comunidade Cristã no Brasil, de Icoaraci, explica que o Natal, para os cristãos, é o maior símbolo de fé e que representa o nascimento de Jesus, a vinda do Messias para o nosso meio. "Apesar das pessoas comemorarem no dia 25 de dezembro, não temos a certeza desta data, porém, no meio evangélico, procuramos nos aproximar da essência do Cristianismo. Pois o consumismo chega a tirar a essência do Natal, tirando o foco de Cristo e colocando sobre Papai Noel. O Natal serve como uma grande aproximação de familiares e amigos, é o momento em que as pessoas relembram dos anos passados e dos momentos em que se reuniram com suas famílias e seus amigos. Para nós, a maior essência do Natal é a aproximação com os familiares e amigos. Nos unimos e ceamos ao redor da mesa, lembramos nesse momento dos momentos em que o próprio Jesus se reunia com seus discípulos”, detalha.
 
Matriz africana – Lucas Irain, representante das religiões de matriz africana, conta como se dá a tradição natalina nas Casas de Santo. Ele explica que dentro dos cultos afro-brasileiros, e do candomblé de maneira específica, não existe a ritualística natalina.
 
"Não é uma tradição africana, mas onde é que as Casas de Santo, de Umbanda, do Candomblé, vão começa a adotar o Natal e a sua prática? Com o sincretismo religioso. Todo mundo sabe que na época do Brasil colônia, os negros eram proibidos de tudo, de ter crença religiosa, de ter cultura e a única coisa que os sustentava era a fé, apesar de até esse direito lhes ser negado. Então, para essa fé se manter viva, eles se utilizavam desse recurso. Pegavam as histórias dos orixás e viam quais santos católicos se assemelhavam, surgindo, assim, o sincretismo. E quando chega o Natal, a coisa se repete. Existe, dentro do Tambor de Mina, uma entidade chamada Agodoin de Aladan, que, para nós, é o Jesus Menino. Então, no momento da ceia do Natal, à meia-noite, nós fazemos orações e cantamos pra essa entidade que representa o Jesus Menino. A gente pede pra ele abençoar as famílias, pois o sentido natalino e dessas entidades é trazer para nossa casa a união, o amor, o carinho, o respeito, a harmonia. Pedimos também aos nossos guias que aquele alimento sobre a mesa seja abençoado e nunca falte nada em nossa casa. A gente reza, ora, canta e louva Jesus Menino do nosso jeito, com nossas tradições, com raízes na África", observa.
 
Cores – Um outro elemento que, para ele, é imprescindível nesta comemoração é o uso das cores no vestuário. "Outra coisa é a vestimenta, de jeito nenhum a gente passa o Natal de preto, mas sempre com uma roupa clara. E a casa tem que estar super limpa, cheirosa, e com defumações. É importante colocar na mesa da ceia castiçais com velas brancas, para trazer a luz para dentro de casa e, aí, a gente apaga a luz elétrica e fica só na luz das velas. É esse o ritual. Mais ou menos assim", conclui.
 
Ensinamentos – O dirigente da Casa Espírita Amigos da Represa, o psicólogo Fernando Pacha, esclarece que os espíritas não se prendem a rituais. "Para o espiritismo, a importância do Natal está ligada aos grandes ensinamentos de Jesus, ao que verdadeiramente consideramos sua real contribuição para o crescimento espiritual da humanidade e que faz diferença no processo de evolução para as próximas reencarnações. Então, o sentimento a que todos são acometidos no Natal, é, na verdade, o que pregamos que fosse uma prática permanente, que pudéssemos ver mais e mais pessoas voltadas à caridade, à ajuda ao próximo, à construção de um mundo mais justo e mais fraterno, onde todos pudessem desfrutar de uma vida mais feliz, apesar de entendermos que os desafios do dia a dia são comuns e naturais ao mundo material e que também fazem parte do exercício de crescimento espiritual e fortalecimento da fé e da esperança. Entendemos que apesar de o Natal trazer também um ‘cunho comercial’, por outro lado, essa data cria uma aura diferente entre as pessoas, nos lares, por todos os lugares", destacou.

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