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23/12/2019 às 12h13min - Atualizada em 23/12/2019 às 12h13min

Exposição "A Falta", de Tainá Maneschy, chega a Belém

As obras ficarão disponíveis até 23 de fevereiro, sempre com entrada franca

Assessoria de Comunicação do evento
Com edição do belem.com.br
A mostra estreou em Lisboa (Portugal), onde a artista reside. Mas já passou por cidades como Niterói, Recife e São Paulo (Foto: Divulgação)
   
Uma série que retrata o erotismo feminino em ilustrações sobre momentos solitários de amor e desejo. Essa é a essência de “A Falta”, exposição que a artista visual paraense Tainá Maneschy traz a Belém a partir desta segunda-feira (23), na Galeria Azimute. A festa de abertura começa logo mais, a partir das 18h, com música do DJ Sidou. As obras ficarão disponíveis no mesmo local até 23 de fevereiro, sempre com entrada franca.
 
A mostra estreou em Lisboa (Portugal), onde a artista reside. Mas já passou por cidades como Niterói (RJ), Recife (PE) e São Paulo (SP), chegando ao Pará para encerrar seu ciclo pelo Brasil. Ela conta que os trabalhos foram inspirados na vivência dos primeiros anos que morou fora do Brasil.
 
“Foi um mergulho interno de vários meses explorando sentimentos relacionados à solidão. Rolou um processo até encontrar uma forma de representar o que sentia em cores, detalhes, etc”, revela. “A Falta”, como Tainá esclarece, é uma busca pela compreensão do contraste entre interações sexuais e espaços vazios.
 
“É uma viagem pelas vontades, memórias, dramas e sensações que movem a mulher em uma relação sexual. O prazer e o sentimento existem mesmo quando há ausência", explica. Sua primeira exposição, “Dezessete/Dezoito”, veio a público apenas no início de 2019. Agora, ela vê sua produção artística mais bem direcionada.
 
“No início ainda descobria o que queria falar, com quem eu me comunicaria. Acho que a grande diferença de lá pra cá é que ‘A Falta’ foi pensada com foco desde o primeiro momento. Quis jogar luz mais na sensibilidade do ato do que no prazer em si. Essa exposição é mais sobre sentimentos e sensações do que sobre o erótico por si só”, comenta.
 
Além do foco maior na produção, a paraense conta que esse foi um ano de estudo aprofundado de referências. “Fiz muita pesquisa histórica pra assimilar o trabalho de outras mulheres que passaram por essa temática muito antes de mim. Foi muito construtivo me aprofundar em artistas como Judy Chicago, Betty Tompkins, Joan Semmel, Lenore Kandel, Diana Artus e entender o contexto histórico em que elas estavam inseridas”, diz.
 
Arte, afirmação e censura
 
Uma das grandes motivações de Tainá é o fato de várias mulheres se sentirem tocadas por sua arte e até se sentirem melhores com seus corpos por causa dos desenhos. “Isso é uma das coisas que me faz continuar produzindo arte”, diz ela, que vê nas redes sociais uma infinita vitrine para expor trabalhos.
 
Mas nem tudo é positivo em um ambiente onde todos podem ver o que você faz. No começo do ano, a conta de Tainá no Instagram, que tinha cerca de 10 mil seguidores, incluindo alguns admiradores famosos (como a cantora Céu, Djamila Ribeiro, a apresentadora Fernanda Lima e o rapper BNegão), foi deletada por “infringir termos de uso”. Ela perdeu posts, contatos e seguidores.
 
Mesmo as imagens feitas por ela não ferindo nenhuma regra do Instagram, a paraense precisou fazer outra conta por causa do grande número de denúncias. Ela conta que tudo começou quando três obras suas foram tiradas do ar. A coincidência: todas elas traziam o prazer da mulher como centro do debate. "Alguém deve ter me denunciado loucamente até derrubarem a conta", opina.

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