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01/01/2020 às 20h56min - Atualizada em 01/01/2020 às 20h56min

Música paraense é um dos destaques no aniversário de Belém.

A música paraense surge a partir de vários elementos

Andreza Gomes
jornalista do belem.com.br
Mestre Curica e guitarrada, trabalho que nasceu em Belém do Pará. Foto: Rafael Fernando

No mês em que a cidade da Mangueiras comemora mais um aniversário, o Portal Belém produz uma série de reportagens destacando a música, gastronomia, cultura, e tudo que enaltece Belém do Grão Pará.

Hoje começamos com um panorama da 
música paraense. O produtor musical, Beto Fares, é um dos nomes que transita bem na diversidade da música paraense. Desde 1983, Beto trabalha  diretamente com produção musical, gravações e garimpagem de novos artistas no seu trabalho da Rádio Cultura FM.

Ele conta que a música paraense surge a partir de vários elementos. Primeiro a cultura indígena e seus tambores. “As melodias dos indígenas meio mântricas, depois com a chegada dos portugueses que trouxeram a cultura europeia com música erudita, vieram novas possibilidades. Isso tudo se juntou aos atabaques africanos e gerou uma música ímpar aqui e conforme o tempo, mais elementos foram chegando. Hoje a música se diversifica com a velocidade da própria divisão rítmica desses tambores”, comenta.

No Brasil tivemos forte o Movimento da Jovem Guarda na década de 1960, mas aqui no Pará, a Jovem Guarda só chegou na metade de 1970. “Devido a nossa posição geográfica, tudo chegava mais tarde, e isso ajudou a música paraense a ter característica própria.

Por exemplo, não tínhamos acesso às guitarras e aos amplificadores modernos, então se criava possibilidade de desenvolver isso por aqui de forma criativa. Um belo exemplo disso foi o Mestre Vieira, que a partir de um rádio, fez um amplificador e construiu uma guitarra a partir de um violão”, detalha Fares, ressaltando uma característica muito específica da música paraense.

Outro exemplo de enriquecimento da música local é o Pinduca. “Ele utilizou o formato de banda de rock, baixo, guitarra e bateria e eletrificou a música regional. Isso foi uma das viradas na cena musical. A música regional recebe roupagem pop”, comemora o produtor.

Mestres da Guitarrada – No ano 2001, o músico Pio Lobato fez um trabalho universitário sobre Mestre Vieira e guitarrada. Em 2003, Pio formatou os Mestres da Guitarrada, que tinha os mestres: Vieira, Aldo Sena e Curica e atualizou o estilo que teve sua fase áurea nos anos 1980. Com o trabalho, a música paraense passa por mais uma atualização, ajudando o surgimento de uma geração que utiliza a técnica inventada por Mestre Vieira, como: Félix Robatto, Felipe Cordeiro, Lucas Estrela,etc. Com esta projeção das Guitarradas, a música paraense ganha uma dimensão interessante no âmbito nacional.

Novos nomes da MPP - Beto Fares comenta que o Festival independente de música Se Rasgum faz uma boa amostragem da música independente atual. Na nova geração temos artistas como: Aílla, Camila Honda, Liêge, Nana Reis, Natália Matos, Ana Clara Matos, entre outros.

O Brega também continua sendo um gênero musical forte no Pará e em Belém. Beto Fares observa que o Choro é outro gênero que vem em evolução pelo projeto Choro do Pará idealizado por Paulinho Moura e Jaime Bibas. Da série temos: Diego Santos, Tiago Amaral, Camila Alves, Jade Guilhon, Carla Cabral, músicos excepcionais nesta área.

Na série de reportagem sobre os 404 anos de Belém vamos abordar os novos nomes da música, a gastronomia criativa, as ilhas e distritos, entre outros assuntos importantes da nossa capital paraense.

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Qual ‘brega marcante’ mais representa esse ritmo musical em Belém?

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