Brasil consegue reduzir impacto de novas tarifas dos EUA com negociações estratégicas

Por Belem.com.br-
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Foto: Reuters via BBC

O Brasil garantiu uma taxação mais branda na nova rodada de tarifas impostas pelos Estados Unidos, graças a uma negociação que teve o etanol como peça-chave. O acordo, costurado entre representantes do Itamaraty e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, evitou que o país fosse mais duramente afetado pelas sanções comerciais anunciadas pelo ex-presidente Donald Trump nesta quarta-feira (3).

A influência do setor de etanol nos EUA, especialmente no cenário político, foi um fator decisivo para a estratégia brasileira. O governo Lula temia que o país fosse incluído entre os alvos de uma taxação mais severa, o que poderia prejudicar setores estratégicos da economia nacional. Para evitar esse cenário, os negociadores brasileiros argumentaram que o etanol já havia sido tarifado em fevereiro por Trump, em uma medida que ele classificou como "reciprocidade".

Outro ponto levantado na negociação foi o comércio deficitário do Brasil com os EUA. Nos últimos 15 anos, o superávit americano na balança comercial bilateral somou US$ 410 bilhões, um dado utilizado para reforçar que o Brasil já arca com desvantagens comerciais significativas. Além disso, a política tarifária dos EUA sobre o açúcar favorece os produtores americanos e impõe custos elevados ao Brasil.

O resultado das negociações garantiu ao Brasil uma taxação de 10%, a mesma aplicada à Argentina, país cujo presidente, Javier Milei, é um forte aliado de Trump. A decisão reforça o pragmatismo do ex-presidente americano, que coloca os interesses econômicos acima de alinhamentos ideológicos ou diplomáticos. Apesar do discurso populista e das ameaças que cercaram o anúncio, o que pesou na decisão final foram os impactos financeiros e as negociações diretas.

Com informações do Isto É Dinheiro.