Lula visitará China em maio para reforçar laços comerciais em meio a tensão global com os EUA
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Em um cenário de crescente tensão comercial entre China e Estados Unidos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se prepara para uma visita estratégica à China em maio, onde será recebido pelo presidente Xi Jinping. A viagem ocorre em um momento em que os norte-americanos intensificam tarifas sobre produtos chineses, o que tem provocado reações do governo chinês e reacendido a disputa por protagonismo nas cadeias globais de produção. Para o Brasil, o cenário é visto como uma oportunidade de ouro para reforçar laços comerciais com a segunda maior economia do mundo e ampliar sua posição como fornecedor global de alimentos e commodities.
A agenda de Lula em território chinês será intensa. Entre os dias 11 e 14, ele participa do Fórum China-Celac, que reúne países da América Latina e Caribe, além de um evento promovido pela ApexBrasil, agência de exportação ligada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. A expectativa é que a visita fortaleça ainda mais a parceria entre os dois países, com possíveis anúncios conjuntos entre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e a Iniciativa Cinturão e Rota, iniciativa estratégica chinesa para integração econômica. Ministros da Agricultura e de Infraestrutura devem acompanhar a comitiva.
Antes de seguir para a China, Lula fará uma parada estratégica em Moscou no dia 9 de maio, onde participará do evento do Dia da Vitória, que marca os 80 anos da rendição da Alemanha na Segunda Guerra Mundial. A participação reforça o papel do Brasil no cenário geopolítico internacional e sua disposição em dialogar com diferentes polos de poder.
A movimentação diplomática é acompanhada de perto por representantes do agronegócio brasileiro. Roberto Perosa, ex-secretário de Comércio do Ministério da Agricultura, esteve recentemente na China para reuniões com autoridades locais e representantes de grandes empresas de alimentos. “As conversas foram muito positivas. Reforçaram que o Brasil é parceiro estratégico e que Lula será muito bem-vindo em Pequim”, afirmou. Ele também coordena a delegação empresarial que deve acompanhar o presidente, com passagens previstas por Hangzhou, Nanjing e Xangai, onde será realizada a Sial, uma das maiores feiras de alimentos do mundo.
A guerra tarifária entre EUA e China pode abrir portas para o Brasil se consolidar como um fornecedor confiável de soja, milho e proteínas para o mercado asiático. Analistas chineses apontam que o movimento dos norte-americanos é visto como unilateral e instável, o que pode acelerar o realinhamento comercial entre países emergentes do chamado Sul Global. Wang Huiyao, ex-conselheiro do governo chinês, acredita que Brasil e China estão entre os que mais têm a ganhar. “No curto prazo, haverá dor, mas a longo prazo, essa guerra pode desestabilizar a hegemonia dos EUA no comércio mundial. Isso empurra países como China e Brasil para uma cooperação mais estreita”, afirmou.
Nesse novo tabuleiro global, a diplomacia brasileira aposta na neutralidade estratégica e no multilateralismo para atrair investimentos, diversificar mercados e ampliar sua voz nas decisões internacionais. A visita de Lula à China, portanto, não é apenas um gesto simbólico, mas um movimento geopolítico que pode reposicionar o Brasil como protagonista no comércio global em tempos de redefinição de alianças e fluxos econômicos.
Com informações do Diário do Pará.