Reajuste de até 46% na tarifa de ônibus em Belém será discutido nesta quinta-feira

Por Belem.com.br-
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O valor da tarifa de ônibus urbano em Belém pode subir significativamente nos próximos dias. Uma reunião extraordinária do Conselho Municipal de Transporte, marcada para esta quinta-feira (10), irá avaliar duas propostas de reajuste que podem elevar o preço atual de R$ 4,00 para até R$ 5,85 — um aumento de até 46,25%. O encontro contará com a presença de 18 entidades, entre elas o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos no Pará (DIEESE/PA), e marcará também a posse dos novos conselheiros para o biênio 2025-2027.

A proposta mais alta foi apresentada pelo Sindicato das Empresas de Ônibus de Belém (SETRANSBEL), que argumenta haver uma defasagem tarifária acumulada desde o último aumento, em março de 2022, quando o valor passou de R$ 3,60 para R$ 4,00. Já a prefeitura de Belém, por meio da Secretaria de Segurança e Ordem Pública (SEGBEL), propôs um valor de R$ 5,60 — reajuste de 40%. Ambas as planilhas técnicas foram encaminhadas com a convocação da reunião, cuja provocação partiu do atual prefeito, Igor Normando, que tem criticado publicamente a baixa qualidade do serviço oferecido.

Segundo o SETRANSBEL, o aumento solicitado reflete a elevação de custos com combustíveis, manutenção, peças, pneus e salários de motoristas e cobradores, além da queda no número de passageiros. A entidade defende que o reajuste é necessário para manter o equilíbrio financeiro do setor. No entanto, o DIEESE/PA chama atenção para o fato de que nenhuma das propostas leva em conta o poder aquisitivo da população. De abril de 2022 a março de 2025, a inflação acumulada medida pelo INPC/IBGE é de cerca de 13% — bem abaixo dos índices de reajuste propostos.

O impacto no orçamento dos trabalhadores preocupa. Um cidadão que utiliza duas conduções por dia e não recebe vale-transporte atualmente gasta R$ 192,00 por mês, o equivalente a 12,65% do salário mínimo atual, de R$ 1.518,00. Com o valor proposto pela prefeitura, esse custo subiria para R$ 268,80 (17,70%), e com o reajuste defendido pelo SETRANSBEL, chegaria a R$ 280,80 (18,50%).

Para o supervisor técnico do DIEESE/PA, Everson Costa, a discussão não pode se limitar a números. “É necessário um compromisso real com mudanças estruturais e uma discussão ampla sobre o sistema de transporte coletivo em Belém e na Região Metropolitana. Caso contrário, seguiremos presos a um modelo precário”, afirma. Ele destaca que, embora Belém tenha uma das tarifas mais baixas entre as capitais brasileiras, a população continua sendo atendida por um serviço ineficiente e de baixa qualidade.

A decisão final deve sair da reunião desta quinta-feira, com potencial de afetar diretamente o cotidiano de milhares de usuários que dependem do transporte coletivo na capital paraense. O debate promete ser acalorado e revelador sobre as prioridades do sistema de mobilidade urbana da cidade.

Com informações do Diário do Pará.