Líder indígena denuncia genocídio de povos tradicionais durante TEDxAmazônia em Belém
Foto: Felipe Martins/TEDxAmazônia
Durante sua fala no TEDxAmazônia, realizado em Belém como parte da programação pré-COP30, o líder indígena Adriano Karipuna fez um protesto contundente contra a violência sistemática sofrida pelos povos originários da Amazônia e de outras regiões do Brasil. O evento, que reuniu lideranças socioambientais, acadêmicos e ativistas, tornou-se palco para um grito de alerta e resistência vindo diretamente da floresta.
"Chega de genocídio com o povo indígena Guarani Kaiowá do Sul do Brasil", declarou Karipuna, natural da aldeia Panorama, em Rondônia. "Chega de genocídio contra os meus parentes, não consanguíneos, mas sim como parente indígena, povo Pataxó. Chega de genocídio! Nossos corpos indígenas estão caindo", lamentou. Ele também expressou solidariedade internacional ao povo palestino, pedindo o fim do “genocídio” contra essa população.
O discurso impactante destacou a violência crescente contra lideranças indígenas, que continuam sendo assassinadas por defenderem seus territórios e o meio ambiente. "Eu piso nesse chão, quando menciono o povo indígena, é como se fosse um tapete: eu piso em lugar sangrento", disse. "Porque a cada mês, ou a cada semana, eu vejo nos jornais: mais uma vez, um indígena foi assassinado. Isso só vai para estatística. E todos que estão aqui têm que dizer: 'Não! Chega de genocídio contra os povos! Chega! Já basta.'"
Dados da ONU apontam que a violência contra indígenas no Brasil se intensificou durante o governo Bolsonaro (2019–2022) e, mesmo no primeiro ano da gestão Lula (PT), em 2023, mais de 200 assassinatos foram registrados. “Não é porque eu sou indígena, liderança, sou a resistência: eu sinto dor ao ver os corpos dos meus parentes sendo derrubados por defender a floresta, por defender o patrimônio. Eu quero dizer que nós vamos sempre continuar lutando", afirmou Karipuna.
A liderança também relembrou a trajetória de resistência do seu próprio povo. "Nos anos 90, chegamos a ser apenas oito Karipunas", revelou. “Por isso, precisamos respeitar a diversidade dos povos tradicionais, principalmente dos povos de isolamento voluntário, que muitos chamam de 'índio isolado'. Eu, como indígena, não gosto de mencionar essa expressão.”
Hoje cursando Direito em Porto Velho (RO), Karipuna reforçou que é preciso garantir a segurança e a autonomia desses povos, sejam contactados ou não. “Ainda há muitas culturas vivas por não ter contato com a sociedade não indígena. Devemos garantir a cultura e a segurança desses povos", enfatizou.
Ele finalizou o discurso com um apelo pela aceleração na demarcação de terras indígenas, uma promessa de campanha do presidente Lula. Apesar dos avanços, lideranças alertam que a lentidão ainda ameaça a sobrevivência de muitos povos. “Viva a floresta Amazônia! Viva os povos tradicionais que sempre vamos continuar lutando em defesa de todos e desse patrimônio maravilhoso chamado natureza”, concluiu Adriano Karipuna, sob fortes aplausos.
Com informações do UOL.