Por Trás da Fé, o Horror: O Caso que Chocou Belém
A vítima falecida sofreu desnutrição severa. A polícia investiga o casal que pode te mantido outras 13 pessoas sob seu domínio em Belém.
Marleci Ferreira de Araújo e Ronnyson dos Santos Alcântara — Foto: Redes Sociais
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Uma pastora e seu marido foram presos em Belém, no Pará, sob a grave acusação de submeter uma mulher de 43 anos, Flávia Cunha Costa, a um regime de maus-tratos físicos e psicológicos que resultou em sua morte por desnutrição severa. Marleci Ferreira de Araújo e Ronnyson dos Santos Alcântara são apontados pela Polícia Civil como líderes de um grupo religioso que se aproveitava da vulnerabilidade de seus seguidores.
Por trás de uma fachada de fé e promessas de cura, a Polícia Civil do Pará desvendou uma trama de horror que culminou na morte de Flávia Cunha Costa, de 43 anos. Os principais suspeitos, a pastora Marleci Ferreira de Araújo e seu marido, o líder religioso Ronnyson dos Santos Alcântara, foram presos nesta sexta-feira (4) em Belém, acusados de submeter a vítima a um ciclo de abusos físicos e psicológicos que, segundo as investigações, durou anos.
O caso veio à tona de forma trágica. Em junho, o casal levou Flávia, já em estado crítico, a um Pronto Socorro Municipal. Apresentando-se como "vizinhos", eles a deixaram na unidade de saúde sem qualquer documento de identificação. A equipe médica constatou um quadro de desnutrição severa, mas apesar dos esforços, Flávia não resistiu. Ao serem informados de que o caso, por suspeita de maus-tratos, exigiria um registro de ocorrência policial, Marleci e Ronnyson fugiram do local. A família da vítima só foi notificada da morte dias depois, pela própria polícia.
O Domínio Através da Fé
A investigação, conduzida pela Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM), aponta para um roteiro de manipulação e crueldade. Segundo a delegada Bruna Paolucci, o casal se aproveitava da fragilidade emocional de suas vítimas, prometendo soluções para seus problemas por meio de uma suposta "cura espiritual".
"Tudo girava em torno de uma cura espiritual, um tratamento espiritual, que as vítimas já fragilizadas iam entrando, iam sendo manipuladas com o tempo", detalhou a delegada.
Essa manipulação incluía a completa alienação familiar. "Essa pastora começou a dizer 'tenho a solução para os teus problemas', começou a falar muitas coisas para a Flávia, dizer que ela não tinha que estar perto da família, que todos eram endemoniados, que ela devia se penalizar para que se purificasse por meio de jejuns", relatou Ana Paula Santos, prima de Flávia.
A "purificação espiritual" imposta pelo casal envolvia jejuns rigorosos e privações severas, que levaram Flávia ao estado de desnutrição que causou sua morte.
Uma Rede de Vítimas
O que parecia um caso isolado revelou-se muito mais amplo. A polícia descobriu que Marleci e Ronnyson mantinham uma espécie de seita, com o ministério autointitulado "Torre do poder". Em determinado momento, ao menos 13 pessoas viviam sob o domínio do casal na mesma residência, submetidas a condições degradantes e regras rígidas.
As investigações apontam que os seguidores eram coagidos a vender seus bens e entregar todo o dinheiro para o "ministério". O casal, que não tinha outra fonte de renda conhecida, vivia exclusivamente dos recursos obtidos de seus fiéis. Para expandir sua rede, Marleci atuava publicamente há mais de 11 anos como pastora, terapeuta cristã e até sexóloga, sem ter formação em nenhuma dessas áreas. Ela também utilizava perfis falsos nas redes sociais, como o de "Marcelle Débora", para publicar mensagens de fé e atrair novos seguidores.
Em depoimento, o casal negou todas as acusações. A defesa informou que aguarda o acesso aos autos do processo, que corre em segredo de justiça, para se manifestar. Marleci Ferreira e Ronnyson Alcântara devem passar por audiência de custódia neste sábado (5) e são investigados pelos crimes de violência psicológica e maus-tratos com resultado morte.
Com informações do G1.