Crise hoteleira ameaça permanência da COP30 em Belém

Delegações internacionais alertam que preços abusivos em hotéis podem inviabilizar participação de países em desenvolvimento na conferência

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O presidente da COP 30, o embaixador André Corrêa do Lago. — Foto: AP Photo/Adam Gray

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A COP30, prevista para acontecer em Belém no fim de 2025, está sob ameaça. Delegações internacionais têm expressado insatisfação com os valores cobrados pelos hotéis da capital paraense, que, em alguns casos, chegaram a ser 15 vezes superiores ao preço médio. O presidente da conferência, André Corrêa do Lago, confirmou que países em desenvolvimento solicitaram oficialmente a transferência da sede do evento, alegando inviabilidade financeira. Até mesmo nações ricas, como Holanda e Polônia, cogitam reduzir suas delegações ou cancelar a participação. O Brasil tenta agir: navios de cruzeiro foram contratados para ampliar a capacidade de hospedagem e um grupo de trabalho coordenado pela Casa Civil busca negociar com o setor hoteleiro.

A realização da COP30 em Belém, prevista para novembro de 2025, entrou em estado de alerta após uma série de reclamações internacionais sobre os preços extorsivos cobrados pela rede hoteleira local. Segundo o presidente da conferência, o diplomata André Corrêa do Lago, países — principalmente os em desenvolvimento — pressionam o Brasil para transferir o evento para outra cidade, alegando que não conseguirão arcar com os custos atuais.

Durante encontro com correspondentes estrangeiros, Corrêa do Lago afirmou que a indignação entre as delegações é crescente e citou que há relatos de valores de diárias até 15 vezes superiores ao normal. De acordo com o diplomata, o caso ganhou novas proporções após uma entrevista do negociador africano Richard Muyungi à Reuters, revelando pedidos formais de mudança da sede do evento.

A crise foi discutida em uma reunião emergencial do bureau da COP, convocada pelo Grupo Africano de Negociadores, em que o Brasil se comprometeu a apresentar um plano de ação até o dia 11 de agosto. Muyungi reforçou que os países africanos não pretendem reduzir suas delegações e cobram uma solução efetiva para a questão da hospedagem.

Enquanto isso, delegações europeias também consideram rever sua participação. Representantes da Holanda e Polônia disseram que avaliam cortar o número de enviados ou, em último caso, desistir da participação. Em Belém, diárias de hotéis chegam a US$ 700, ultrapassando o valor máximo do auxílio da ONU, que é de US$ 149.

A Casa Civil do Brasil coordena um grupo de trabalho para tentar conter a disparada nos preços, mas a legislação brasileira não permite tabelamento de tarifas. O governo tenta negociar diretamente com o setor, oferecendo opções como acomodações acessíveis e navios de cruzeiro, que devem adicionar cerca de 6 mil leitos à capacidade local.

Apesar disso, ainda há um vácuo logístico e diplomático, que pode comprometer o evento mais importante da agenda climática global. A COP30 seria a primeira conferência do clima da ONU realizada na Amazônia, considerada peça-chave no enfrentamento da crise ambiental planetária.

Com informações do G1.