COP30 em Belém valoriza culinária paraense e produtores locais

Audiência pública discute operação de alimentação com açaí, tucupi e maniçoba, priorizando agricultores familiares e comunidades tradicionais

Por
3 Min

Divulgação

RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA

A COP30, que será realizada em Belém, terá pela primeira vez alimentos da agricultura familiar e pratos típicos paraenses nos espaços oficiais. Após a polêmica sobre a proibição de açaí, tucupi e maniçoba, o edital foi ajustado para priorizar produtores locais, cooperativas, povos indígenas e comunidades tradicionais, garantindo que pelo menos 30% dos insumos venham da agricultura familiar. O evento será uma oportunidade de fortalecer a economia regional, valorizar a cultura amazônica e demonstrar práticas sustentáveis que contribuem para a redução de emissões de gases do efeito estufa. A audiência pública de 19 de agosto discutirá cronogramas, critérios de seleção e diversidade alimentar, reforçando o compromisso da COP30 com inclusão, biodiversidade e gastronomia local.

Belém se prepara para receber a COP30, e a gastronomia paraense finalmente terá o protagonismo esperado. Após polêmica sobre a proibição e liberação de alimentos típicos como açaí, tucupi e maniçoba, a Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e a Secretaria Extraordinária da COP30 (SECOP) promoverão nesta terça-feira (19) uma audiência pública para ouvir os candidatos interessados em operar os restaurantes e quiosques do evento.

A decisão de liberar os pratos regionais veio após a intervenção proativa do ministro do Turismo, Celso Sabino, natural de Belém. Ele criticou a proibição como um “grave erro” e atuou junto à OEI e ao secretário-geral da COP, Valter Corrêa, para garantir que a culinária paraense tivesse espaço no cardápio oficial da conferência. Segundo Sabino, impedir a entrada de alimentos típicos da Amazônia foi um equívoco que não respeitava a tradição local e prejudicava a promoção do turismo gastronômico da região.

A medida segue a publicação de uma errata no edital de licitação nº 12060/2025, que permite a presença de pratos tradicionais dentro da Blue Zone, de acesso restrito, e da Green Zone, aberta à sociedade civil. Ao todo, serão 87 estabelecimentos, sendo 50 na Blue Zone e 37 na Green Zone, com prioridade para cooperativas, associações, grupos produtivos locais, povos indígenas, comunidades quilombolas, mulheres rurais e juventudes do campo. Os fornecedores deverão garantir que, no mínimo, 30% dos insumos sejam provenientes da agricultura familiar.

Segundo a OEI, a alteração do edital busca valorizar a cultura amazônica e fortalecer a economia local, incentivando cadeias curtas de produção que reduzem a emissão de gases do efeito estufa e promovem práticas agrícolas sustentáveis. A definição do cardápio final seguirá critérios da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), respeitando normas de vigilância sanitária, diversidade alimentar e segurança dos participantes.

O chef Saulo Jennings, embaixador gastronômico da ONU Turismo, criticou inicialmente a proibição, destacando que os alimentos típicos da região carregam tradição e ancestralidade, e que a COP é uma oportunidade única de fortalecer o turismo gastronômico da Amazônia, gerar emprego e renda e apresentar a riqueza culinária para o mundo.

A audiência pública do dia 19 será o espaço para esclarecer dúvidas sobre cronograma, inscrição, critérios de sustentabilidade e diversidade alimentar, além de permitir sugestões de interessados e de agentes públicos. Para a SECOP e a OEI, o objetivo é garantir participação inclusiva e visibilidade à gastronomia amazônica, reforçando a importância da agricultura familiar e dos povos tradicionais como parte da agenda climática global.