Defesa de Bolsonaro nega provas enquanto PGR aponta trama golpista

Julgamento no STF expõe embate entre defesa do ex-presidente, que contesta delação de Mauro Cid, e acusação da PGR, que vê tentativa de golpe.

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Foto: Fábio Rodrigues - Pozzebom/ Agência Brasil

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O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no STF segue com embates entre defesa e acusação. O advogado Celso Vilardi afirmou que não há provas que o liguem à Operação Punhal Verde e Amarelo, à Operação Luneta ou aos atos de 8 de janeiro, e questionou a credibilidade do delator Mauro Cid. Já a Procuradoria-Geral da República, representada por Paulo Gonet, sustentou que documentos, discursos e reuniões comprovam uma tentativa de golpe articulada por Bolsonaro para se manter no poder. Entre as provas citadas estão falas do ex-presidente em reuniões ministeriais e no 7 de setembro de 2021, quando ameaçou não aceitar o resultado das urnas. O julgamento envolve também sete aliados apontados como parte central da trama.

 

No segundo dia de julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF), a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que “não há uma única prova” que o vincule à trama golpista investigada pela Polícia Federal. O advogado Celso Vilardi declarou que Bolsonaro foi “dragado” para as investigações e não atentou contra o Estado Democrático de Direito.

Segundo o defensor, a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) se baseia apenas em uma delação premiada e em uma minuta encontrada em um celular. Vilardi disse ainda que não há provas que liguem Bolsonaro à chamada Operação Punhal Verde e Amarelo, à Operação Luneta ou aos atos de 8 de janeiro de 2023.

Ele também contestou a credibilidade do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens e delator no caso, acusando-o de mudar de versão diversas vezes. Para Vilardi, as contradições tornam inválida a colaboração premiada.

A Procuradoria-Geral da República, por outro lado, afirmou que elementos robustos que comprovam a participação do ex-presidente em um plano para se manter no poder. O procurador-geral Paulo Gonet destacou que reuniões, discursos e documentos apreendidos apontam para uma tentativa de golpe articulada por Bolsonaro e seus aliados.

Entre os exemplos citados estão uma reunião ministerial de 5 de julho de 2021, na qual Bolsonaro conclamou auxiliares a atacar o sistema eletrônico de votação, e o discurso de 7 de setembro do mesmo ano, quando afirmou em São Paulo que só deixaria o poder “preso, morto ou com vitória”.

Segundo Gonet, essas falas não foram episódios isolados, mas parte de um projeto autoritário que buscava enfraquecer instituições democráticas. “Não há como negar fatos praticados publicamente, planos apreendidos, diálogos documentados e bens públicos deteriorados”, disse o procurador.

O STF julga Bolsonaro e mais sete aliados, apontados pela PGR como núcleo central da tentativa de golpe de Estado.

Fonte: Agência Brasil