Projeto no Pará fortalece proteção da fauna marinha

Em um ano, mais de 600 animais aquáticos foram atendidos na Margem Equatorial brasileira. Do Amapá ao Ceará, projeto percorre mais de 10 mil km de praias e rios do Norte e Nordeste do Brasil.

Por
3 Min

Foto: Divulgação

RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA

Um projeto que percorre mais de 10 mil km de praias e rios do Norte e Nordeste do Brasil para proteger a nossa fauna marinha! Em apenas um ano, o Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC/PAMA-FZA) atendeu mais de 600 animais aquáticos, fortalecendo a proteção de espécies como peixes-boi, baleias e golfinhos. No Pará, a iniciativa tem sido essencial para o resgate e reabilitação de animais. 

Um monitoramento que se estende por uma área maior que a distância de ida e volta do Oiapoque (AP) ao Chuí (RS). Essa é a dimensão do Projeto de Caracterização e Monitoramento de Cetáceos (PCMC/PAMA-FZA), que em seu primeiro ano de atividade já percorreu 8.537,3 km de praias e 1.911,99 km em rios, reentrâncias e igarapés. A iniciativa, que abrange o litoral do Amapá ao Ceará, tem fortalecido a proteção da fauna marinha na Margem Equatorial brasileira, com mais de 600 animais aquáticos atendidos.

No Pará, o projeto tem se mostrado fundamental para o registro de ocorrências, identificação de padrões de encalhes e para uma resposta mais ágil a situações de risco envolvendo a fauna marinha. Animais debilitados são encaminhados para reabilitação e, posteriormente, devolvidos à natureza.

Renata Emin, bióloga e presidente do Instituto Bicho D’água, parceiro do projeto no monitoramento das praias do Pará, do leste da Ilha do Marajó até Salinópolis, ressalta a importância da ação. "O monitoramento constante permite identificar e resgatar animais mais rapidamente e, ao mesmo tempo, aumentar o conhecimento sobre a biodiversidade da região", afirma. "Cada encalhe, ainda que de um animal morto, é importante para aumentarmos o conhecimento sobre a biodiversidade da região", complementa a bióloga.

Para alcançar áreas de difícil acesso, o projeto conta com monitoramentos embarcados. No Pará, essa frente é realizada pelo Instituto BioMA, que atua de Salinópolis até a divisa com o Maranhão. Angélica Rodrigues, bióloga e pesquisadora do instituto, destaca que a iniciativa aumenta a vigilância costeira, inclusive com a participação de monitores locais.

Um legado para o Norte e Nordeste

O PCMC é uma exigência do IBAMA no processo de licenciamento ambiental de uma atividade de pesquisa sísmica marítima da TGS, empresa de pesquisa geológica. Segundo André Favaretto Barbosa, analista ambiental do IBAMA, o projeto tem viabilizado recursos importantes para a estruturação de instalações perenes para o atendimento à fauna, como a construção de um centro de reabilitação de animais marinhos no Pará e de um semi-cativeiro de aclimatação pré-soltura de peixes-boi em Soure, na Ilha do Marajó.

Para João Correa, country manager da TGS no Brasil, as ações ambientais da companhia na Margem Equatorial vão além do monitoramento e resgate de espécies, englobando o desenvolvimento de estudos, a geração de conhecimento técnico-científico e atividades de sensibilização e educação ambiental junto às comunidades locais.

"É motivo de orgulho para a TGS o trabalho desenvolvido junto a parceiros ambientais, sociedade e comunidades tradicionais ao longo dos mais de 3 mil quilômetros que se estendem do Amapá ao Ceará. Este é um trabalho muito importante, realizado em parceria com a sociedade local, e que vai deixar um legado de preservação, conscientização e conhecimento que será utilizado durante muitos e muitos anos", conclui.