China condena 11 de família Ming à pena de morte
Tribunal chinês pune clã ligado a fraudes digitais e jogos ilegais em Mianmar, envolvendo ciberescravidão e bilhões de yuans
CCTV via BBC
RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA
Um tribunal da cidade de Wenzhou, na China, condenou 11 integrantes da família Ming à pena de morte por liderar esquemas de fraudes digitais e controlar campos de ciberescravos em Mianmar. Outros 28 membros do clã receberam sentenças que vão de prisão perpétua a penas de até 24 anos.
O grupo atuava em Laukkaing, na fronteira entre Mianmar e China, transformando a cidade em um centro de jogos ilegais, tráfico e golpes online que movimentaram mais de 10 bilhões de yuans. Relatos indicam que milhares de trabalhadores foram mantidos em regime de escravidão, forçados a aplicar golpes sofisticados pela internet, com vítimas em todo o mundo.
Especialistas avaliam que a condenação sinaliza o endurecimento da China contra os golpes digitais transnacionais, que continuam ativos, especialmente em regiões como o Camboja. O julgamento busca demonstrar que o país não tolerará crimes que ameaçam sua segurança cibernética e sua população.
Um tribunal na China condenou à pena de morte 11 integrantes da família Ming, grupo apontado como responsável por controlar campos de ciberescravos e operações de fraudes digitais em Mianmar, na fronteira com a China. O julgamento ocorreu em Wenzhou, no leste chinês, e também resultou em condenações severas para outros 28 réus.
Ao todo, 39 membros do clã foram considerados culpados por fraude em telecomunicações, cassinos ilegais, tráfico de drogas e prostituição. Além das 11 penas de morte, outros cinco receberam sentenças de morte com suspensão de dois anos, 11 foram punidos com prisão perpétua e os demais com penas entre cinco e 24 anos.
Segundo o tribunal, desde 2015 a família atuava em Laukkaing, cidade que virou reduto de jogos ilegais, lavagem de dinheiro e esquemas de golpes online. As operações teriam movimentado mais de 10 bilhões de yuans (R$ 7,4 bilhões).
Relatórios oficiais apontam que milhares de trabalhadores foram enganados, sequestrados ou coagidos a permanecer em centros de fraude, conhecidos como “campos de ciberescravos”. Nestes locais, muitos eram submetidos a tortura, espancamentos e até execuções para impedir fugas.
A família Ming já foi considerada uma das mais poderosas de Mianmar, comandando o famoso complexo Crouching Tiger Villa, que empregava ao menos 10 mil pessoas. Com a queda de influência, após ofensivas insurgentes em 2023, diversos integrantes foram entregues à polícia chinesa.
De acordo com analistas, o caso representa uma tentativa da China de mostrar força contra fraudes digitais que têm se espalhado pela região. Apesar da ofensiva, parte das operações migrou para o Camboja, ainda com foco em golpes internacionais pela internet.