A exposição “Linhas” transforma o ato de bordar em poesia visual sobre a Amazônia. Aberta ao público até o dia 24 de outubro, no Boulevard Shopping, em Belém, a mostra reúne 32 obras manuais de 12 artistas, fruto de um grupo de estudos de bordado coordenado pela artista Daniela Guerra.
A proposta nasceu de um desejo de registrar as belezas e os símbolos amazônicos de forma sensível e artesanal. Onças, búfalos, árvores e elementos da floresta ganham forma através das linhas e agulhas, revelando o olhar de mulheres que transformaram a arte em uma experiência de autoconhecimento.
Mais do que uma mostra de bordados, “Linhas” é uma celebração da cultura amazônica e da força feminina que borda o passado e o presente em um mesmo tecido.
Fios, linhas e agulhas se transformam em instrumentos de arte e memória na exposição “Linhas”, aberta ao público no Boulevard Shopping, em Belém, até o dia 24 de outubro. A mostra gratuita apresenta 32 obras bordadas à mão por 12 artistas, que traduzem a beleza e a diversidade da Amazônia em pontos e texturas.
Idealizada pela artista e professora Daniela Guerra, a exposição é o resultado de um grupo de estudos de bordado manual que uniu mulheres em torno da arte e do afeto. Segundo Daniela, o projeto nasceu de um sonho coletivo. Ela explica que, com a proximidade da COP 30 e o olhar voltado à Amazônia, surgiu a ideia de bordar as paisagens, os animais e os símbolos da região, transformando cada ponto em um gesto de celebração.
Entre as obras, o público encontrará onças, búfalos, caranguejos, florestas e árvores — imagens que conectam memórias pessoais e identidades amazônicas. A artista Amanda Simões, inspirada em lembranças da infância no Quilombo Jambuaçu (Moju), escolheu o búfalo como tema. Ela recorda que o animal fazia parte de suas brincadeiras à beira do igarapé, e que bordar essa cena foi como reviver o passado através da arte.
Já Thais Nassar retratou o paneiro de açaí, símbolo marcante da cultura paraense. Ela relata que o processo exigiu criatividade e força física, por usar materiais rústicos como ráfia e sementes naturais. Para a artista, o desafio foi “dar forma à tradição com novas texturas e camadas”.
Ao longo de quatro meses, o grupo mergulhou em um processo de criação, troca e aprendizado coletivo. Daniela Guerra destaca que bordar é também um exercício de transformação e cura. Segundo ela, cada participante trouxe suas histórias e emoções para o tecido, fazendo do bordado uma linguagem de afeto e resistência feminina.
A exposição “Linhas” reforça o papel da arte têxtil como meio de expressão e valorização cultural. Ao bordar a Amazônia, as artistas costuram memória, identidade e pertencimento, mostrando que a arte também pode ser um ato de cuidado com o território e com a própria história.
A visitação é gratuita e ocorre até o dia 24 de outubro, no segundo andar do Boulevard Shopping, em Belém.