A maior operação policial da história do Rio, com 64 mortos, desencadeou uma onda de retaliação. Criminosos do Comando Vermelho sequestraram 71 ônibus para bloquear vias arteriais da cidade, paralisando o transporte público e afetando serviços. Avenidas como Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela ficaram interditadas. Universidades e escolas cancelaram atividades, e o caos se instalou na mobilidade urbana. A operação, que prendeu 81 pessoas e apreendeu armas e drogas, e a mais letal já registrada no estado.
Em uma retaliação à maior operação policial da história do estado, que resultou em pelo menos 64 mortos, integrantes do Comando Vermelho (CV) sequestraram e utilizaram ao menos 71 ônibus para bloquear vias arteriais da capital fluminense nesta segunda-feira (28). Os bloqueios, que se concentraram em regiões como a Avenida Brasil, a Linha Vermelha e a Linha Amarela, paralisaram a circulação de 204 linhas de ônibus e causaram um colapso na mobilidade urbana, com reflexos no comércio, na educação e nos serviços públicos.
A ação criminosa é uma resposta à "Operação Contenção", que mobilizou 2.500 agentes para cumprir mandados de busca e apreensão em comunidades dominadas pela facção. Segundo a Polícia Civil, entre os mortos estão quatro policiais e lideranças do CV de outros estados que estavam refugiados no Rio. A operação, fruto de um ano de investigações, também resultou na prisão de 81 pessoas, incluindo Thiago do Nascimento Mendes, o "Belão do Quitungo", homem de confiança de um dos líderes da facção. Foram apreendidos 31 fuzis, rádios comunicadores e mais de 200 kg de drogas.
De acordo com o Centro de Operações Rio, que monitora em tempo real as interdições, os bloqueios com ônibus e caminhões se estenderam por pelo menos oito vias principais até às 17h54, incluindo a Avenida Ayrton Senna, a Avenida das Américas e a Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá. O acesso ao Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) chegou a ser interditado, mas foi liberado posteriormente.
O caos na mobilidade forçou a suspensão de atividades em diversos setores. A Supervia antecipou o horário de pico dos trens, enquanto universidades como UFRJ, UERJ, UFF e PUC-Rio cancelaram as aulas noturnas. Mais de 60 escolas das redes municipal e estadual foram fechadas nas áreas de operação, e seis unidades de saúde da família tiveram atividades suspensas na Penha e no Complexo do Alemão. A Câmara Municipal e estabelecimentos comerciais no centro também encerraram o expediente mais cedo.
Em resposta, o prefeito Eduardo Paes (PSD) determinou que os serviços essenciais da prefeitura permanecessem funcionando, mas declarou estágio 2 de "risco de mobilidade" para a cidade.
A operação policial foi marcada por intensos confrontos. De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, os criminosos reagiram com troca de tiros e utilizaram drones para atacar os agentes. Além dos mortos, nove pessoas ficaram feridas, entre policiais e moradores.
A Polícia Civil fez um apelo por doações de sangue para os agentes feridos, pedindo que voluntários se dirijam ao Hemorio ou ao Hospital Getúlio Vargas, referindo-se aos policiais como "heróis".
A "Operação Contenção" superou em letalidade a ação no Jacarezinho em 2021, que teve 28 mortos, e tornou-se a mais mortal já registrada no estado do Rio de Janeiro.