UNICEF lança nova Agenda Cidade com foco em proteção e inclusão
Nova fase da iniciativa (2025–2028) prioriza prevenção à violência e mais oportunidades para crianças e adolescentes em oito capitais brasileiras
UNICEF/BRZ/Ratão Diniz
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O UNICEF lançou a segunda edição da Agenda Cidade UNICEF (2025–2028), iniciativa que atua em oito capitais brasileiras para garantir proteção, inclusão e oportunidades a crianças e adolescentes em territórios vulneráveis.
O programa reúne prefeituras, comunidades e organizações da sociedade civil em uma abordagem intersetorial, envolvendo educação, saúde, proteção social, geração de renda e participação cidadã.
A nova fase reforça o compromisso do UNICEF com o enfrentamento à violência letal e sexual, à discriminação racial e de gênero e à desigualdade de acesso aos serviços públicos.
Na edição anterior (2022–2024), a Agenda alcançou 221 mil meninos e meninas, certificou 463 unidades de primeira infância, formou 970 conselheiros tutelares e garantiu 11 mil oportunidades de emprego para jovens.
Com o novo ciclo, o UNICEF amplia o foco em resiliência climática, orçamento público para infância e cooperação com governos locais, fortalecendo a rede de proteção e o protagonismo das juventudes urbanas.
O UNICEF anunciou o lançamento da nova edição da Agenda Cidade UNICEF (2025–2028), iniciativa voltada à proteção, inclusão e desenvolvimento de crianças e adolescentes em territórios vulneráveis urbanos. O projeto, que envolve oito capitais brasileiras — Belém, Fortaleza, Manaus, Recife, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo — busca prevenir violências, ampliar oportunidades e fortalecer políticas públicas voltadas à infância e juventude.
A iniciativa é conduzida pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com prefeituras, organizações sociais, empresas e comunidades locais, e atua com base em cinco eixos integrados: educação, proteção, saúde e bem-estar, inclusão produtiva e participação cidadã.
“Nosso compromisso é unir forças com prefeituras, comunidades e os próprios jovens para proteger as sete milhões de crianças e adolescentes que vivem nas cidades onde atuamos”, afirmou Joaquin Gonzalez-Aleman, representante do UNICEF no Brasil.
⚠️ Desafios e urgência de atuação
O lançamento da nova edição ocorre em um cenário alarmante. Segundo o Panorama da Violência Letal e Sexual contra Crianças e Adolescentes no Brasil (2024), elaborado pelo UNICEF e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), entre 2021 e 2023 mais de 2.200 crianças e adolescentes foram vítimas de mortes violentas e 14.200 sofreram violência sexual nas capitais onde o programa atua.
Os dados reforçam as disparidades raciais e de gênero: meninos negros são as principais vítimas da violência letal, enquanto meninas — especialmente menores de 14 anos — enfrentam níveis alarmantes de violência sexual.
Frente a esse contexto, a Agenda Cidade UNICEF propõe respostas intersetoriais e ações de prevenção que envolvem escolas, serviços de saúde, assistência social e os próprios jovens, fortalecendo a rede de proteção local.
Avanços conquistados na primeira edição (2022–2024)
A primeira fase da Agenda alcançou mais de 221 mil crianças e adolescentes em oito capitais, gerando resultados expressivos em diversas áreas:
- Primeira infância: sete cidades aderiram ao modelo Unidade Amiga da Primeira Infância (UAPI), com 463 unidades certificadas, e todas implementaram ações da Primeira Infância Antirracista (PIA);
- Educação: cinco territórios alcançaram 100% das escolas com práticas de enfrentamento ao racismo e à violência de gênero, além de expandirem a Busca Ativa Escolar;
- Proteção: criação de comitês intersetoriais e protocolos unificados para aplicação da Lei da Escuta Protegida;
- Oportunidades: cerca de 11 mil jovens acessaram vagas por meio da rede 1 Milhão de Oportunidades (1MiO);
- Participação cidadã: fortalecimento dos Núcleos de Cidadania de Adolescentes (NUCAs), com mais de 500 jovens atuando diretamente em seus territórios.
Segundo o UNICEF, a primeira edição comprovou “a urgência de políticas públicas intencionais para a prevenção das violências”, especialmente em regiões afetadas pela violência armada e exclusão social.
Vozes dos territórios
Para Mara Fernandes, assistente social no Rio de Janeiro, a Agenda “tornou visíveis violações antes invisibilizadas, aproximando instituições e fortalecendo a rede de proteção local”.
Em São Paulo, Karina Nadaletto, do grupo Pombas Urbanas, relatou que o projeto “ampliou o diálogo sobre saúde mental e inclusão socioprodutiva nos bairros mais vulneráveis”.
Já em Salvador, o educador Israel Borges destacou o impacto direto nas escolas: “Fortaleceu o olhar sobre as violências que afetam o acesso à educação e à convivência segura”.
Próximos passos
Com a nova fase da Agenda, o UNICEF pretende ampliar a cooperação com os municípios, apoiar políticas de resiliência climática e estimular orçamentos públicos voltados à infância e adolescência.
Nos próximos meses, serão realizadas reuniões com as oito capitais participantes para definir territórios prioritários e planos de trabalho locais, com foco em ações de prevenção, acolhimento e oportunidades.
“O próximo passo é construir com as cidades estratégias específicas para que cada criança e adolescente esteja protegido, crescendo em um ambiente seguro e com oportunidades reais”, reforçou Gonzalez-Aleman.