Lula destaca G20 e COP30 como prova da força global do multilateralismo

Após reuniões na África do Sul, presidente afirma que vitórias diplomáticas recentes reforçam cooperação internacional e confirma assinatura do acordo UE–Mercosul em 20 de dezembro

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Ricardo Stuckert / PR

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Durante agenda oficial na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que os resultados obtidos no G20 e na COP30 representam provas claras da força do multilateralismo. Segundo o presidente, o Brasil vive um momento de reafirmação diplomática, após conduzir com sucesso três grandes fóruns internacionais: G20, BRICS e COP30. Ele destacou que a conferência do clima em Belém deixou um legado positivo, com consenso entre as 195 partes e apresentação de novas metas climáticas por mais de cem países. Para Lula, o desempenho do Brasil no evento demonstrou preparação, capacidade de articulação e liderança ambiental. No balanço do G20, o presidente reforçou que a cooperação internacional permanece essencial, especialmente diante de temas como desigualdade, inteligência artificial, energia limpa e segurança alimentar. Também comentou a proposta brasileira do “Mapa do Caminho”, que abriu debate sobre a transição global longe dos combustíveis fósseis. Lula afirmou ainda que o bloco das 20 maiores economias continua relevante mesmo com ausências pontuais, e manifestou preocupação com o aumento da presença militar dos Estados Unidos no Caribe.
Um dos pontos centrais do pronunciamento foi a confirmação da assinatura do acordo entre União Europeia e Mercosul no dia 20 de dezembro, acordo considerado estratégico e de grande impacto econômico. Após a cúpula, Lula segue para Moçambique.

Em entrevista coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez, neste domingo (23), um balanço da participação brasileira na Cúpula do G20, destacando que os resultados recentes — incluindo o encerramento da COP30, em Belém — confirmam a vitalidade do multilateralismo em um cenário global marcado por disputas geopolíticas e desafios socioeconômicos.

Segundo o presidente, o conjunto de encontros internacionais realizados nos últimos meses demonstra que o Brasil voltou a ocupar um espaço central na diplomacia mundial. Ele afirmou que “os grandes fóruns globais provaram que a cooperação entre países continua viva e necessária”, em referência ao G20, ao BRICS e à Conferência do Clima organizada na capital paraense.

Ao comentar a COP30, concluída no sábado (22), Lula destacou o consenso entre 195 países e a apresentação de novas NDCs por 122 nações, ressaltando que o desempenho de Belém superou expectativas e reforçou o papel do Brasil como anfitrião ambiental. Para ele, o evento deixou “um recado claro sobre a urgência climática e sobre a capacidade da Amazônia de construir soluções”.

O presidente também voltou a defender o “Mapa do Caminho” para a transição energética, iniciativa apresentada pelo Brasil e que abriu discussão formal sobre o fim progressivo dos combustíveis fósseis. Ele lembrou que, enquanto o mundo debate alternativas, o país já avança com 15% de biodiesel no diesel e 30% de etanol na gasolina, práticas que podem ser replicadas em nações com grande potencial agrícola, como as do continente africano.

Sobre a ausência dos Estados Unidos na cúpula, Lula afirmou que a dinâmica multilateral não depende exclusivamente de uma única liderança, ressaltando que o bloco segue como as 20 principais economias do planeta e possui “respeitabilidade suficiente para conduzir decisões globais”.

O presidente também demonstrou preocupação com o aumento da presença militar norte-americana no Caribe, alertando que a América do Sul “é uma zona de paz” e que tensões armadas representam riscos para toda a região.

Um dos anúncios mais aguardados foi a confirmação de que o acordo União Europeia–Mercosul será assinado em 20 de dezembro, após mais de duas décadas de negociações. Lula classificou o pacto como “um dos maiores acordos comerciais do mundo”, envolvendo 22 trilhões de dólares em PIB e mais de 700 milhões de pessoas.

De Joanesburgo, Lula segue agenda oficial em Moçambique, dando continuidade à estratégia de fortalecimento das relações entre Brasil e países africanos.