Ressaca alimentar: Como sobreviver ao pós-Natal e preparar o corpo para o Réveillon sem neura

Nutricionista explica por que nos sentimos tão inchados após a ceia e dá o caminho das pedras para desinchar antes da próxima festa; confira dicas práticas e fuja das dietas malucas

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Foto: Joyce Diva in Getty Images

A gente piscou e o Natal passou. Ficou a saudade, os presentes desembrulhados e, claro, aquela sensação inconfundível de que engolimos um boi inteiro — ou, no meu caso, peru e pernil com farofa e mais três tipos de sobremesa. É o famoso "coma alimentar", aquele estado de letargia onde a única vontade é deitar no chão frio e esperar a digestão fazer o milagre dela.

Mas calma, não precisa entrar em pânico e nem prometer jejum eterno até 2026. Como nos ensina o mestre Gilberto Gil, "andar com fé eu vou, que a fé não costuma faiá", e o nosso corpo sabe se recuperar se dermos a ele as ferramentas certas. O problema é que, entre o "Jingle Bells" e a contagem regressiva para o Ano Novo, a gente tende a emendar um excesso no outro. E é aí que o fígado pede arrego.

Ceias fartas, bebidas alcoólicas, sobremesas que parecem abraços de tão doces e mudanças bruscas na rotina alimentar fazem parte do pacote de fim de ano. Embora esses exageros aconteçam em poucos dias, os impactos no corpo podem surgir na mesma velocidade com que um hit viraliza no TikTok. Inchaço, desconforto gastrointestinal, retenção de líquidos, cansaço e aquele sono que não passa são os principais "sintomas" do nosso corpo tentando lidar com nossos exageros de fim de ano.

O corpo cobra a conta (e rápido)

Segundo a nutricionista clínica Lorena Begot, da Hapvida Belém, o organismo não espera o Carnaval para reclamar; ele responde de forma quase imediata ao excesso. “Em poucos dias de alimentação desequilibrada, o corpo já sente os efeitos. O aumento do consumo de açúcar, gordura e álcool sobrecarrega o sistema digestivo, favorece a retenção de líquidos e pode causar queda de energia e indisposição”, explica a especialista.

Sabe aquela sensação de que você virou um baiacu? Pois é. O excesso de sódio (presente nos temperos prontos e embutidos da ceia, e em todos os snacks e lanchinhos que adoramos comer quando bebemos) e o açúcar fazem o corpo reter água para tentar diluir tudo isso. Resultado: a calça jeans não fecha e o rosto acorda inchado.

Mas a nutricionista destaca que não é necessário virar a "chata da dieta" e abrir mão das confraternizações. O segredo, como em tudo na vida — de equilibrar a vida amorosa a dançar um brega marcante sem derrubar a cerveja —, é o equilíbrio. “O problema não é aproveitar uma ceia ou um almoço especial, e sim transformar o excesso em rotina. Com algumas estratégias simples, é possível aproveitar as festas sem grandes prejuízos à saúde”, afirma Lorena.

Manual de sobrevivência para o fígado

Entre as principais orientações para reduzir os impactos, Lorena ressalta a importância da hidratação, o verdadeiro "santo graal" da recuperação. “Beber água ao longo do dia ajuda o organismo a eliminar toxinas, reduz a retenção de líquidos e auxilia na digestão, especialmente quando há consumo de bebidas alcoólicas”, orienta.

E falando em álcool, vamos falar sério? Dados do CISA (Centro de Informações sobre Saúde do Álcool) indicam que o consumo abusivo dispara nesta época. O álcool não só desidrata como também é inflamatório. A nutricionista chama atenção para o consumo consciente: “Ele contribui para a desidratação, inflamação e sobrecarga do fígado. Alternar bebidas alcoólicas com água e respeitar os limites do próprio corpo faz toda a diferença”, pontua.

Ou seja, para cada taça de espumante (ou aquela cerveja estupidamente gelada), um copo d'água. Seu "eu" do dia seguinte vai agradecer.

Estratégias para chegar vivo em 2026

Outra recomendação de ouro é manter refeições leves nos "intervalos" dos jogos, digo, das festas. Se você almoçou como se não houvesse amanhã, o jantar deve ser mais leve. “Priorizar alimentos naturais, como frutas, legumes, verduras e proteínas magras nos intervalos das confraternizações ajuda a equilibrar o organismo e evita exageros ainda maiores”, destaca Lorena.

Além disso, retomar hábitos saudáveis logo após as festas é fundamental. Nada de "compensar" ficando sem comer, o que só gera mais estresse para o corpo. “Não é preciso dietas restritivas ou compensações extremas. Voltar à rotina, alimentar-se de forma equilibrada, praticar atividade física e dormir bem já ajudam o corpo a se reorganizar”, explica a nutricionista.

Para Lorena, o mais importante é entender que poucos dias não anulam um ano inteiro de cuidados — assim como uma andorinha só não faz verão, uma rabanada só não estraga tudo. O perigo mora na constância do erro. “A alimentação precisa ser vista como um conjunto. Aproveitar as festas com consciência e retomar os bons hábitos logo depois é a melhor forma de cuidar do corpo sem culpa”.

Então, nada de chorar as pitangas (ou as passas no arroz). Sacode a poeira, bebe tua água e te prepara, porque o Ano Novo já está batendo na porta.

Ah, e feliz 2026 para todos vocês!!

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FONTE: entrevista cedida por NM Comunicação