Janeiro em Belém tem duas certezas absolutas: a chuva da tarde que nos obriga a correr para debaixo da marquise e o rombo no orçamento causado pelo início do ano letivo. Se em romances de fantasia os heróis lutam contra dragões, na vida real dos pais paraenses, o vilão da vez atende pelo nome de "lista de material escolar". E em 2026, esse antagonista veio com superpoderes: segundo levantamento recente do Dieese/PA, os itens básicos para a volta às aulas estão, em média, 30% mais caros do que no ano passado.
Não é drama, é matemática — e das cruéis. Enquanto a gente ainda tenta se recuperar das festas de fim de ano, o comércio local já impõe um reajuste que supera, e muito, a inflação oficial. Aquele estojo de lápis de cor, que antes parecia inofensivo, agora ostenta uma etiqueta com alta de quase 32%, liderando o ranking dos produtos que mais pesam no bolso. É como se a economia estivesse cantarolando um brega marcante de sofrência no nosso ouvido: a gente chora, mas acaba pagando porque não tem jeito.
A corrida contra o tempo (e o preço)
Nos corredores das papelarias do centro comercial e dos shoppings da capital, o clima é de gincana. Pais e mães decidiram antecipar as compras, não apenas para evitar a aglomeração típica das vésperas do início das aulas, mas na esperança de encontrar estoques antigos com preços de 2025. A estratégia é válida, mas exige paciência de monge budista. A variação de preços entre um estabelecimento e outro pode chegar a assustadores 280%, transformando a pesquisa de preços em uma verdadeira saga épica.
Para quem é fã de narrativas dramáticas, a situação lembra aquele momento em que o protagonista precisa fazer escolhas impossíveis. Levar o caderno de capa dura com o personagem da moda ou convencer a criança de que a capa lisa, custando metade do preço, é "minimalista e chique"? A segunda opção, claro, é a mais sensata para quem não quer começar o ano no vermelho.
O que diz a lei?
Diante desse cenário de "terror econômico", o consumidor precisa estar armado com informação. O Procon Pará já divulgou a nota técnica para 2026 alertando sobre os limites do que as escolas podem exigir. Itens de uso coletivo — como papel higiênico, álcool, sabonete ou grandes quantidades de papel ofício — são estritamente proibidos na lista individual. Esses custos já devem estar embutidos na mensalidade. Se a escola pedir, você tem o direito (e o dever) de questionar.
Além disso, a recomendação de ouro é o reaproveitamento. Tesouras, réguas e estojos do ano anterior muitas vezes sobrevivem bravamente e podem ganhar uma nova vida. Afinal, como diria aquela música famosa que toca nos fones de ouvido de muita gente por aí, "Life goes on" (a vida continua), e o nosso dinheiro precisa continuar rendendo também.
Dicas para não falir em janeiro:
• Pesquise online e offline: A diferença de preço entre lojas físicas e virtuais é gritante. Use a tecnologia a seu favor.
• Compras coletivas: Juntar um grupo de pais para comprar itens no atacado pode garantir descontos generosos.
• Negocie: Pagamentos à vista quase sempre permitem uma margem de negociação. Não tenha vergonha de pedir desconto.
• Fuja dos licenciados: Cadernos e mochilas com personagens de filmes e desenhos são taxados pela fama. Itens genéricos cumprem a mesma função por uma fração do preço.
Se a inflação insiste em ser a vilã da nossa história, cabe a nós assumirmos o papel de estrategistas. Janeiro é longo, mas com planejamento e pesquisa, é possível chegar em fevereiro com as contas — e a sanidade — preservadas.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.