O governo dos Estados Unidos suspendeu a emissão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil. A medida, de caráter indefinido, visa evitar que novos imigrantes utilizem benefícios sociais. A decisão ocorre em meio a protestos contra a política de imigração.
Os Estados Unidos suspenderam a concessão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, em uma lista que inclui o Brasil, além de nações como Rússia, Irã, Somália, Afeganistão, Nigéria e Tailândia. O governo do presidente Donald Trump não anunciou mudanças em relação a vistos de turismo, mantendo os procedimentos para essa categoria.
“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas inaceitáveis. O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano”, afirma um comunicado oficial divulgado pelas autoridades.
De acordo com o Departamento de Estado, a medida tem como objetivo principal impedir que futuros imigrantes se tornem “um encargo público para os EUA ao chegarem ao país”. A decisão ocorre em um contexto de crise e tensão social no estado de Minnesota, onde a polícia de imigração ICE foi responsável pela morte da cidadã estadunidense Renee Nicole Good. O episódio desencadeou uma onda de mais de mil protestos em diversos locais dos Estados Unidos.
O presidente Donald Trump tem direcionado críticas a comunidades de imigrantes em Minnesota, estado governado por democratas, acusando-as de fraudar sistemas de benefícios sociais oferecidos pelo governo.
A Casa Branca ainda não divulgou a lista completa dos 75 países afetados pela suspensão, mas a rede de televisão Fox News informou que o Brasil está incluído. Procurado, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty) não se manifestou sobre a informação. A reportagem também contactou a Embaixada dos Estados Unidos em Brasília e aguarda uma resposta.
A notícia veiculada pela Fox News foi compartilhada publicamente pela porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, o que conferiu tom oficial à informação divulgada pela mídia. A emissora afirmou que a pausa na emissão de vistos é por tempo indeterminado e deve entrar em vigor a partir do dia 21 de janeiro.
Segundo a Fox News, a rede teve acesso a um memorando interno do Departamento de Estado que orienta os funcionários das embaixadas e consulados a recusarem pedidos de visto de imigração enquanto o governo reavalia seus procedimentos de triagem e verificação. O documento também sugere que candidatos considerados idosos ou com sobrepeso possam ter suas solicitações de entrada nos EUA negadas.
O objetivo declarado é evitar a entrada de pessoas “propensas a se tornarem um encargo público” no país. A lista de nações, conforme a emissora, inclui ainda Iraque, Egito, Haiti, Eritreia e Iêmen.
“A orientação instrui os funcionários consulares a negarem vistos a candidatos que provavelmente dependerão de benefícios públicos, levando em consideração uma ampla gama de fatores, incluindo saúde, idade, proficiência em inglês, situação financeira e até mesmo a possível necessidade de cuidados médicos de longo prazo”, detalha a reportagem da Fox News.
A nova restrição à imigração ocorre após uma série de protestos contra a política imigratória do governo Trump, intensificados após a morte de Renee Nicole Good. A Casa Branca tem acusado comunidades de imigrantes em Minnesota, o estado onde o incidente ocorreu, de supostamente fraudarem programas de assistência social.
Nesta terça-feira, o presidente Trump voltou a atacar a comunidade de imigrantes somalis residente em Minnesota. “Minnesota foi invadida por fraudadores somalis que roubam dos contribuintes americanos e se aproveitam da nossa generosidade. Instruí o Secretário do Tesouro, Scott Bessent, a SEGUIR O DINHEIRO e acabar com esse abuso de uma vez por todas, primeiro em Minnesota e depois em todo o país!”, declarou Trump.
O governador de Minnesota, Tim Waltz, argumenta que as ações e declarações de Trump em relação ao estado representam uma forma de retaliação política, já que Minnesota votou contra o presidente nas três últimas eleições.