Exportação de Madeira: indústria do Pará discute sustentabilidade nos EUA

Aimex representa a indústria paraense na 70ª Convenção Mundial da Madeira no Colorado, debatendo mercado e práticas ambientais com líderes globais.

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Foto do Deryck Martins - diretor executivo da Aimex. Créditos: divulgação

Há momentos em que a vida desenha-se tal qual um roteiro de ficção científica: distópico, onde o clima sofre mutações extremas, os mercados balançam e nós, pegos no meio desse imenso vendaval de incertezas, tentamos manter a nossa “espaçonave” chamada economia na rota certa. Contudo, em vez de apenas fitar o céu e esperar que as respostas caiam das estrelas, a indústria florestal paraense faz as malas e vai debater o nosso futuro no exterior. A partir de amanhã, entre os dias 17 e 19 de março, a Associação das Indústrias Exportadoras de Madeiras do Estado do Pará (Aimex) participará ativamente da 70ª Convenção Mundial da Madeira da International Wood Products Association (IWPA), em Colorado Springs, nos Estados Unidos.

Considerado um dos principais palcos do setor no planeta, o encontro agrega importadores, exportadores e grandes especialistas industriais. O cerne da convenção é a discussão das tendências de mercado, do comércio transnacional e, primordialmente, da sustentabilidade exigida na cadeia produtiva da madeira. Em um cenário onde as barreiras comerciais e as certificações ambientais definem as regras do jogo, permanecer estático é assinar uma sentença de obsolescência.

O diretor executivo da Aimex, Deryck Martins, será a voz do Pará (e do nosso orgulho amazônida) no evento. Para o executivo, o engajamento na convenção é essencial para mapear as complexas transformações do mercado externo e fortalecer o diálogo com parceiros estratégicos.

Eventos como esse são fundamentais para aproximar os diferentes atores da cadeia produtiva da madeira e permitir que possamos discutir desafios comuns, tendências e oportunidades para o setor”, reflete Martins. Ele ainda reitera que o momento é uma vitrine ímpar para "apresentar o potencial da indústria madeireira do Pará e reforçar o compromisso das empresas com práticas responsáveis e sustentáveis”.

A balança dos dados e o peso do mercado norte-americano

A dura e nua realidade dos números justifica o esforço diplomático. Conforme os relatórios recentes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e do portal ComexStat, o panorama testou severamente a resiliência estadual nos últimos doze meses. No início do ano anterior, as exportações de madeira do Pará amargaram uma violenta retração, impactadas diretamente pela oscilação da demanda e pela apreensão com as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos. Esse dado é sensível, visto que o mercado norte-americano consome mais de 34% de todo o valor exportado pela nossa indústria madeireira. Sentar-se à mesa com eles transcende o simples networking; é uma questão basilar de sobrevivência econômica.

Nesse front de batalha competitivo, o setor que opera na legalidade canta a plenos pulmões um sonoro Not Today (não hoje) para o retrocesso ecológico. Parafraseando os versos contagiantes do BTS, as empresas paraenses investem blood, sweat and tears (sangue, suor e lágrimas) para adequar suas operações, buscando rastreabilidade absoluta e selos de manejo sustentável que o exigente consumidor global demanda. O mercado não tolera mais amadorismo, e o Pará tem orquestrado um esforço monumental para provar que é perfeitamente viável gerar riqueza e preservar a floresta, no ritmo compassado e poético de uma boa e velha MPB.

Exportar madeira de procedência legal na Amazônia exige força, inteligência de dados e uma postura irredutível contra o ilícito. É mostrar para o mundo que, sob o vasto teto verde das nossas árvores, há tecnologia profunda, mãos diligentes e um compromisso real com os amanhãs que ainda vamos escrever.

Serviço:

O quê: Participação da Aimex na 70ª Convenção Mundial da Madeira (World of Wood Convention da IWPA).

Quando: 17 a 19 de março de 2026.

Onde: Colorado Springs, Colorado, Estados Unidos.

Para quê: O evento reúne a elite da indústria madeireira mundial para debater tendências econômicas, exigências do mercado internacional e o fortalecimento de práticas pautadas na sustentabilidade.

Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.

FONTE: Raphaela Aguiar