Cortejo afro-brasileiro em Belém une cultura, luta e clima

Evento gratuito neste sábado, 21, destaca protagonismo de mulheres negras e debate desigualdades ambientais e raciais

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Cortejo afro-brasileiro em Belém une cultura, luta e clima
Cesar Fraga
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Belém recebe neste sábado (21) um cortejo afro-brasileiro que une cultura, resistência e debate social. A ação marca o Dia Internacional contra a Discriminação Racial e reúne mulheres negras em uma programação gratuita no bairro da Cremação.

O evento é resultado de uma semana de atividades formativas com foco em dança, canto e percussão, valorizando a ancestralidade africana e o protagonismo feminino negro. A iniciativa também amplia a discussão sobre racismo ambiental e justiça climática, destacando que mulheres negras estão entre as mais afetadas por eventos extremos no Brasil.

Segundo dados recentes, a maioria da população que vive em áreas de risco no país é negra, com menor renda e maior exposição à precariedade urbana. O cortejo surge, assim, como um espaço de expressão cultural e também de conscientização.

A programação se encerra com um desfile pelas ruas, convidando o público a participar e refletir sobre identidade, território e direitos.

Um cortejo cultural pelas ruas de Belém vai marcar, neste sábado (21), o Dia Internacional contra a Discriminação Racial, reunindo mulheres negras, música e debate sobre justiça climática no bairro da Cremação. A programação é gratuita, aberta ao público e começa com concentração pela manhã no Centro de Estudos e Defesa do Negro no Pará (Cedenpa).

A iniciativa faz parte do projeto Nzinga – mulheres tocadoras de axé, que ao longo da semana promoveu vivências com dança, canto e percussão afro-brasileira, valorizando saberes ancestrais e fortalecendo o protagonismo feminino negro na cultura.

Mais do que uma manifestação artística, o cortejo também carrega uma mensagem política e social. A data chama atenção para as desigualdades enfrentadas por mulheres negras, especialmente diante da crise climática. Segundo organizações sociais, esse grupo está entre os mais afetados por eventos extremos, como enchentes e deslizamentos.

Dados recentes mostram que, em áreas de risco no Brasil, 66% da população é negra, com renda média inferior e maior exposição à falta de infraestrutura básica. Esse cenário evidencia o chamado racismo ambiental, quando desigualdades raciais influenciam quem sofre mais com impactos ambientais.

Durante a programação em Belém, participantes tiveram contato com práticas ligadas à ancestralidade africana, como os toques de orixás e expressões corporais tradicionais, conduzidas por integrantes do grupo Ilú Obá de Min, referência nacional em percussão feminina.

A idealizadora do projeto, a percussionista paraense Brena Corrêa, destaca a importância de fortalecer redes entre mulheres negras na música e na cultura. Segundo ela, iniciativas como essa ajudam a ampliar espaços historicamente negados e promovem transformação social por meio da arte.

Já uma das mestras convidadas ressaltou, de forma indireta, que o tambor vai além da música, sendo também um instrumento de resistência e expressão coletiva.

O cortejo encerra a programação com um convite à população para ocupar as ruas e refletir sobre cultura, identidade e justiça social, conectando tradição e актуais desafios ambientais.

Serviço

  • Evento: Cortejo Nzinga – mulheres tocadoras de axé
  • Data: 21 de março
  • Local: Cedenpa – Rua Paulo VI, 244, bairro da Cremação
  • Horário: Concentração às 10h | Encerramento às 12h
  • Entrada: Gratuita


FONTE: G1
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