A dança tem se consolidado como uma ferramenta poderosa para a saúde mental, ajudando a reduzir níveis de estresse, ansiedade e cortisol, e promovendo a liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina. Segundo a professora Fernanda Terra, da UniCesumar, a prática vai além do movimento físico, ativando o emocional e o simbólico, e permitindo a expressão não verbal de sentimentos. Dançar também fortalece a autoestima, o senso de controle e o pertencimento comunitário. Modalidades acessíveis como funk, samba e dança de rua são territórios de resistência e cuidado coletivo. Mesmo dançar sozinho em casa traz benefícios significativos.
Em meio ao aumento do estresse cotidiano, das pressões econômicas e dos desafios sociais, a dança tem se revelado uma poderosa aliada na promoção da saúde mental e do bem-estar. De acordo com uma revisão publicada na revista internacional Psychology of Sport & Exercise, a prática é eficaz no combate ao estresse, ajudando a reduzir os níveis de ansiedade, nervosismo e cortisol — o chamado hormônio do estresse.
A pesquisa destaca que a dança facilita a expressão emocional e fortalece os laços sociais, o que contribui significativamente para o aumento da resiliência e da sensação de bem-estar.
Movimento integral e liberação de neurotransmissores
Segundo Fernanda Terra, professora do curso de Dança EAD da UniCesumar, a dança vai muito além do movimento físico. “É uma linguagem que nos coloca em contato direto com os cinco sentidos. Quando dançamos, experimentamos o atravessamento das nossas emoções mais profundas, justamente porque ela mobiliza o corpo de forma integral. Há uma ativação simultânea do físico, do emocional e do simbólico.”
Ela explica que, durante a atividade, há liberação de neurotransmissores como endorfina, serotonina e dopamina, responsáveis pelas sensações de prazer, bem-estar e motivação.
Expressão não verbal e processamento emocional
Para muitas pessoas, verbalizar sentimentos pode ser um desafio. Nesse contexto, a dança atua como um canal de expressão não verbal, permitindo que emoções “presas” sejam liberadas e processadas. “O corpo é o nosso primeiro lugar de percepção e escuta. Antes de falarmos, nós nos movemos. O movimento espontâneo é um gesto simbólico capaz de traduzir conteúdos inconscientes que a palavra ainda não alcança”, ressalta a professora.
Autoestima, controle e acolhimento comunitário
Iniciativas como aulas de dança de rua, grupos de dança popular, funk, samba e dança de salão têm se transformado em importantes espaços de acolhimento. Elas ajudam a reduzir a ansiedade, combater o isolamento e devolver a sensação de controle a quem se sente impotente diante das adversidades.
Aprender novos passos e dominar o próprio corpo também impacta positivamente a autoestima. “Enquanto o corpo dança, um processo interno de reorganização acontece. Há uma reconexão com a própria potência”, diz Fernanda Terra, citando o caso de uma aluna de 55 anos que, ao executar um movimento desafiador, percebeu que era capaz de conquistar o que quisesse, independentemente da idade.
Dança como resistência e acessibilidade
Em contextos de vulnerabilidade social e econômica, espaços de dança comunitária tornam-se verdadeiros territórios de resistência e cuidado coletivo. Modalidades como funk, samba e dança de rua, por serem mais acessíveis e democráticas, não exigem um corpo padrão ou técnica rígida, permitindo expressão livre e autêntica.
“Esses movimentos nascem de contextos históricos e sociais marcados por resistência e ancestralidade. Eles devolvem ao sujeito a autoria do próprio movimento e fortalecem o sentimento de pertencimento e identidade”, afirma a professora. Ela acrescenta que, mesmo para quem não pode ou não quer frequentar aulas, dançar sozinho em casa, livremente, também pode trazer benefícios significativos para a saúde mental.
Por Portal Belém com redação de Antonia Ribeiro.