Pará registra crescimento de 30,6% no turismo e aposta em base comunitária
Estado recebeu 1,57 milhão de visitantes em 2025, com movimentação de R$ 1,14 bilhão. Projeto Quase Nativa oferece experiências regenerativas em ilhas e quilombos.
Foto: Divulgação
RESUMO Sem tempo? Leia o resumo gerado por nossa IA
O Pará comemora o Dia do Turista com números recordes: 1,57 milhão de visitantes em 2025, aumento de 30,6% em relação a 2024, e movimentação de R$ 1,14 bilhão na economia. O estado aposta no turismo de base comunitária e regenerativo, com destaque para o projeto Quase Nativa, que articula comunidades lideradas por mulheres em ilhas, quilombos e praias, unindo preservação ambiental, geração de renda e troca cultural. Estão abertas vagas para a Expedição Amazônica Paraense (9 a 14 de novembro) e para oficinas gratuitas de capacitação para agentes turísticos locais (22 de junho a 3 de julho).
Celebrado em 13 de junho, o Dia do Turista no Brasil homenageia os viajantes e reforça a importância do setor para a economia nacional, com ênfase em práticas sustentáveis e responsáveis. A data chega em um momento histórico para a Amazônia paraense, que vive um dos maiores ciclos de crescimento turístico de sua trajetória.
Números recordes no Pará
Dados da Secretaria de Estado de Turismo do Pará (Setur), com análises econômicas do Dieese-PA, mostram que o estado recebeu 1.574.766 visitantes em 2025, um aumento de 30,6% em relação a 2024 (1.204.944 turistas). O setor movimentou mais de R$ 1,14 bilhão na economia paraense no ano passado, consolidando o que especialistas chamam de um dos maiores ciclos de expansão turística da história do estado.
Por trás dos números, há um Pará que se revela ao mundo com sua natureza singular, culinária inconfundível, ritmos, saberes e, principalmente, suas pessoas. A pergunta que cada vez mais turistas fazem não é apenas "onde ir", mas "o que viver". O Pará responde com experiências gastronômicas, sensoriais e sonoras que poucos territórios no planeta podem igualar.
Turismo de base comunitária e regenerativo
Em meio a esse crescimento acelerado, o modelo de turismo adotado faz a diferença. Comunidades ao longo das ilhas, rios e praias da Amazônia paraense têm promovido um turismo de base comunitária que coloca o território e seus habitantes no centro da experiência. O objetivo é que o visitante vá além da natureza espetacular e conheça os modos de vida, as histórias e os saberes acumulados ao longo de gerações.
Tristan Soledade, viajante que participou da experiência Quase Nativa na Ilha de Cotijuba, relatou como a vivência ampliou sua percepção. “É uma coisa muito bonita do turismo de base comunitária: você não só passa pelo lugar, você conhece as pessoas que fazem aquele lugar existir”, disse. Segundo ele, o projeto apresentou “outra possibilidade de conhecer Cotijuba, com mais troca, mais consciência, valorizando quem faz tudo acontecer ali diariamente”.
Projeto Quase Nativa e próximas expedições
O projeto Quase Nativa é uma iniciativa de turismo de base comunitária que articula uma rede de comunidades locais majoritariamente lideradas por mulheres em ilhas, quilombos e praias da Amazônia paraense. Com presença em Soure, Pesqueiro, Quilombo de Mangueiras, Cotijuba e Algodoal, o projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras, ribeirinhas e periféricas, e troca cultural horizontalizada.
Há quatro anos, a Quase Nativa percorre os caminhos não convencionais dos rios amazônicos, resistindo à lógica do turismo massivo. O projeto aposta no turismo regenerativo e não extrativista — uma prática que devolve ao território mais do que retira, fortalecendo modos de vida em vez de consumi-los.
Para quem deseja viver essa experiência, há vagas abertas para a próxima Expedição Amazônica Paraense, de 9 a 14 de novembro. O roteiro percorre Belém, a Ilha do Marajó e a Ilha de Cotijuba, desenvolvido em parceria com a Terra Expedições. O pacote inclui translado entre as ilhas, alimentação e programação com banho de cheiro, plantio de mudas, observação de búfalos e aves, e encontros com as comunidades locais. As vagas são limitadas.
Oficinas de capacitação para agentes turísticos
Em junho, o projeto inicia o segundo Ciclo de Oficinas Quase Nativa, em parceria com a ONG SER. Entre 22 de junho e 3 de julho, facilitadoras percorrerão os territórios do projeto — Ilha do Marajó (comunidades do Pesqueiro, Caju Una e Quilombo de Mangueiras) e Belém (Ecomuseu da Amazônia) — para oferecer formações gratuitas voltadas a agentes turísticos locais. Os temas incluem desenvolvimento de roteiros, afroturismo, receptivo de pessoas, preservação ambiental e turismo de base comunitária, com o objetivo de potencializar quem já atua no território.
Serviço
· Quase Nativa – Expedição Amazônica Paraense: 9 a 14 de novembro de 2026 (vagas limitadas)
· Ciclo de Oficinas Quase Nativa: 22 de junho a 3 de julho de 2026 – inscrições e informações pelo perfil @quasenativa no Instagram
· Contato para roteiros e parcerias: mensagem direta no perfil do projeto
O Dia do Turista celebra não apenas o ato de viajar, mas a forma como se viaja. No Pará, a aposta é no turismo que conecta, respeita e fortalece, transformando visitantes em parte da história do território.
Por Portal Belém com redação de Antonia Ribeiro.