DPE dá cinco dias para Sesma explicar paralisação de anestesistas em Belém
Paralisação por atraso de pagamentos afeta cirurgias e atendimentos em hospitais da capital; município tem cinco dias para responder
Cristino Martins / OLiberal
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A Defensoria Pública do Estado do Pará deu prazo de cinco dias para que a Secretaria Municipal de Saúde de Belém (Sesma) esclareça a paralisação dos anestesiologistas que afeta hospitais da capital. O movimento, iniciado após alegações de atraso nos pagamentos, já compromete cirurgias eletivas e diversos atendimentos na rede pública.
De acordo com informações divulgadas pelas entidades envolvidas, cerca de 120 profissionais aderiram à paralisação, provocando cancelamentos de procedimentos e ampliando a preocupação de pacientes que aguardam atendimento. A Defensoria solicitou dados sobre os débitos existentes, o número de cirurgias suspensas e as ações adotadas para normalizar os serviços.
A crise também atinge outras áreas hospitalares. Relatos apontam dificuldades em setores especializados, problemas relacionados a exames e preocupação com a continuidade de serviços essenciais em unidades da rede municipal.
Especialistas destacam que a ausência de anestesiologistas impacta diretamente a realização de procedimentos cirúrgicos, aumentando filas e afetando o fluxo de atendimento. A Defensoria Pública da União também acompanha o caso e avalia possíveis medidas diante da situação.
A expectativa agora é pela resposta oficial da Sesma e pela adoção de medidas capazes de restabelecer os serviços e reduzir os prejuízos à população que depende do SUS em Belém.
A crise na saúde pública de Belém ganhou um novo capítulo nesta semana. A Defensoria Pública do Estado do Pará (DPE) determinou que a Secretaria Municipal de Saúde (Sesma) apresente, em até cinco dias úteis, esclarecimentos sobre a paralisação dos médicos anestesistas que vem comprometendo atendimentos e procedimentos cirúrgicos na capital paraense. O movimento, iniciado no começo de junho, é atribuído ao atraso no pagamento dos profissionais e já provoca impactos em hospitais da rede municipal e unidades conveniadas ao Sistema Único de Saúde (SUS).
Segundo informações apresentadas pela Sociedade de Trabalho dos Anestesiologistas do Pará (Stap), cerca de 120 anestesiologistas aderiram à paralisação. Como consequência, diversas cirurgias eletivas foram suspensas, ampliando filas de espera e gerando preocupação entre pacientes que aguardam procedimentos médicos.
A atuação da Defensoria ocorre diante do agravamento da situação e do aumento das denúncias recebidas por órgãos de controle. Em documento encaminhado à Sesma, o órgão solicita informações detalhadas sobre os valores pendentes, a quantidade de procedimentos cancelados e as providências adotadas para restabelecer os serviços.
Cirurgias e atendimentos afetados
Os reflexos da paralisação já são percebidos em diferentes unidades de saúde da capital. Hospitais que dependem da atuação dos anestesistas registraram a suspensão de procedimentos programados, afetando diretamente pacientes que aguardavam intervenções médicas.
Além das cirurgias eletivas, a crise também alcançou setores considerados estratégicos para o atendimento da população. No Pronto-Socorro Municipal Mário Pinotti, conhecido como PSM da 14 de Março, relatos apontam dificuldades em serviços especializados e atrasos em atendimentos considerados essenciais.
A situação ganhou contornos ainda mais delicados diante das denúncias envolvendo empresas terceirizadas responsáveis por áreas fundamentais da assistência hospitalar. Há registros de interrupções em serviços ligados à emissão de laudos médicos e preocupação quanto ao funcionamento de equipamentos utilizados em exames de imagem.
Pacientes enfrentam espera e incerteza
Enquanto o impasse administrativo segue sem solução definitiva, pacientes e familiares relatam dificuldades para conseguir atendimento especializado e transferência para unidades de referência.
Casos de pessoas internadas aguardando vagas em setores de alta complexidade aumentaram a pressão sobre os gestores da saúde municipal. A demora em procedimentos considerados urgentes preocupa familiares e também mobiliza órgãos de fiscalização.
De acordo com a Defensoria Pública, a prioridade é garantir a continuidade dos serviços e assegurar que pacientes não sejam prejudicados por questões administrativas ou financeiras envolvendo contratos e pagamentos.
Possíveis desdobramentos
A crise também passou a ser acompanhada pela Defensoria Pública da União (DPU). O órgão avalia medidas que possam ampliar a responsabilização de gestores caso seja constatado comprometimento do atendimento à população.
Especialistas apontam que interrupções em áreas como anestesiologia afetam diretamente a capacidade operacional dos hospitais, já que diversos procedimentos dependem desses profissionais para serem realizados com segurança.
Enquanto aguarda a resposta da Sesma, a Defensoria reforça a necessidade de medidas emergenciais para evitar novos cancelamentos e garantir o funcionamento regular da rede pública de saúde.
O caso segue em acompanhamento e pode gerar novas medidas administrativas ou judiciais nos próximos dias, caso a situação não seja regularizada.