Hemopa implanta tratamento inédito para doença falciforme no Norte

Novo procedimento oferecido pelo SUS no Pará amplia acesso à terapia avançada e promete reduzir dores, internações e complicações graves da doença

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Aman Chaturvedi/Unsplash

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O Hemopa passou a oferecer a eritrocitaférese, tratamento inédito na região Norte para pacientes com doença falciforme. Disponibilizado gratuitamente pelo SUS, o procedimento automatizado substitui parte das hemácias alteradas por células saudáveis provenientes da doação de sangue, reduzindo dores, crises e complicações graves associadas à doença.

Especialistas destacam que a tecnologia proporciona maior controle da hemoglobina S, melhora a oxigenação dos tecidos e reduz a sobrecarga de ferro em comparação às transfusões convencionais. A iniciativa representa um avanço importante para pacientes da Amazônia, ampliando o acesso a terapias modernas sem necessidade de deslocamento para outras regiões do país.

A novidade chega às vésperas do Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado em 19 de junho. De acordo com profissionais da área, o diagnóstico precoce, realizado principalmente pelo Teste do Pezinho, e o acompanhamento médico contínuo são fundamentais para aumentar a qualidade de vida e reduzir complicações.

Além de ampliar o acesso ao tratamento, o novo serviço também reforça a importância da doação regular de sangue, essencial para garantir a continuidade da terapia oferecida aos pacientes.

A Fundação Centro de Hemoterapia e Hematologia do Pará (Hemopa) passou a oferecer um tratamento inédito na região Norte para pacientes com doença falciforme. A novidade é a implantação da eritrocitaférese, procedimento automatizado disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), que ajuda a reduzir crises dolorosas, complicações graves e melhora significativamente a qualidade de vida de crianças, adolescentes e adultos diagnosticados com a enfermidade.

O novo serviço foi implantado no Ambulatório Hematológico da instituição e coloca o Pará entre os estados que disponibilizam uma das terapias mais modernas para o tratamento da doença, considerada uma das condições genéticas hereditárias mais frequentes do Brasil.

A doença falciforme provoca alterações nas hemácias, células responsáveis pelo transporte de oxigênio no organismo. Em vez do formato arredondado, elas assumem uma forma semelhante à de uma foice, tornando-se mais rígidas e dificultando a circulação sanguínea. Como consequência, os pacientes podem desenvolver anemia crônica, dores intensas, lesões em órgãos, infecções recorrentes e até acidentes vasculares cerebrais (AVCs).

Com a eritrocitaférese, parte dessas hemácias alteradas é retirada do organismo e substituída por células saudáveis provenientes da doação de sangue. O procedimento é realizado por um equipamento automatizado que permite maior precisão no controle da doença.

Segundo especialistas da área, a tecnologia oferece vantagens importantes em relação às transfusões convencionais. Entre elas estão a redução da sobrecarga de ferro no organismo, melhor oxigenação dos tecidos, menor risco de complicações clínicas e maior controle dos níveis de hemoglobina S, principal marcador da doença.

A implantação do serviço representa um avanço importante para pacientes da Amazônia, que antes precisavam buscar tratamentos semelhantes em outras regiões do país ou depender exclusivamente de terapias convencionais.

Dados do Ministério da Saúde apontam que entre 60 mil e 100 mil brasileiros convivem atualmente com a doença falciforme. Anualmente, cerca de 3,5 mil crianças nascem com a condição no país. O diagnóstico precoce, geralmente realizado por meio do Teste do Pezinho, é considerado fundamental para aumentar a expectativa e a qualidade de vida dos pacientes.

Além do novo tratamento, especialistas reforçam a importância do acompanhamento médico contínuo, vacinação adequada, realização periódica de exames e acesso a centros especializados para prevenção de complicações.

Dia Mundial reforça importância da conscientização

A implantação da nova tecnologia ocorre às vésperas do Dia Mundial de Conscientização sobre a Doença Falciforme, celebrado em 19 de junho. A data busca ampliar o conhecimento da população sobre a condição genética e alertar para a necessidade de diagnóstico precoce, acesso ao tratamento e combate à desinformação.

Especialistas destacam que, embora não tenha cura para a maioria dos pacientes, a doença pode ser controlada com acompanhamento adequado, permitindo mais qualidade de vida e redução das complicações ao longo dos anos.

Doação de sangue é essencial

O funcionamento da eritrocitaférese depende diretamente das doações de sangue. As hemácias utilizadas durante o procedimento são provenientes de doadores voluntários, tornando a participação da população fundamental para garantir a continuidade do tratamento.

Com a nova estrutura, o Hemopa fortalece sua atuação como referência em hematologia na Amazônia e amplia o acesso da população paraense a terapias que antes estavam restritas a poucos centros especializados do país.