Brincar de empinar pipa é uma tradição que atravessa gerações, mas o uso de linha de nylon pode representar sérios riscos à saúde das crianças. O professor Walter Lopes, da UNAMA, alerta que o material pode cortar a pele fina dos pequenos, atingir tendões e causar infecções. A recomendação é substituir o nylon por linha de algodão, mais macia e menos cortante. Além disso, é fundamental lavar as mãos após a brincadeira e supervisionar as crianças para evitar ferimentos no pescoço e nas pernas. A diversão continua, desde que com mais segurança e cuidado.
Brincar de empinar pipa é uma tradição que atravessa gerações e encanta crianças em todo o Brasil. Personalizadas com cores, brasões de times, personagens ou rabiolas coloridas, elas são feitas com materiais simples, muitas vezes com sacolas plásticas e varetas. No entanto, um dos componentes essenciais para o voo — a linha — pode representar um perigo silencioso quando feita de nylon.
De acordo com Walter Lopes, professor do curso de Enfermagem da UNAMA (Universidade da Amazônia), o nylon é um material sintético de alta resistência, o que o torna capaz de cortar a pele com facilidade. “A pele da criança é muito fina, tornando mais arriscado o uso de fios de nylon em pipas. Eles podem causar ferimentos minúsculos que atingem os tendões ou estruturas neurovasculares da mão”, alerta.
Embora seja o tipo mais comum nas pipas, o nylon não é recomendado por profissionais de saúde. O risco vai além de pequenos arranhões: cortes mais profundos podem comprometer a movimentação dos dedos e até provocar infecções, especialmente porque as linhas raramente estão limpas. “Se existir um corte e ele não for imediatamente higienizado, o quadro pode evoluir para uma infecção mais séria”, acrescenta o professor.
A solução, segundo o especialista, é simples e acessível: substituir o nylon por linha de algodão. “Os pais não devem impedir a criança de brincar. O ideal é que eles apenas substituam o material, trocando nylon e cerol por algodão”, orienta Walter Lopes. O algodão é mais macio, menos cortante e reduz significativamente o risco de acidentes.
Além da escolha da linha, outro cuidado essencial é a higiene. Após empinar a pipa, é fundamental lavar as mãos com água e sabão. “As linhas de pipas raramente estão limpas. Terminou de brincar, lave as mãos com água e sabão”, reforça o professor.
O corpo também pode sofrer fissuras em outras áreas sensíveis, como pescoço e pernas. Por isso, a supervisão dos adultos é indispensável. “Seja qual for a brincadeira, é necessário observar a criança e garantir que ela não tem nenhuma ferida aberta. Se tiver, deve ser tratada o quanto antes”, conclui Walter Lopes.
A recomendação é clara: a diversão pode continuar, desde que com materiais mais seguros e acompanhada de cuidados básicos com a saúde.
Por Portal Belém com redação de Antonia Ribeiro.