Fundação Decathlon abre edital de R$ 1 milhão para fortalecer o futebol feminino de base
Programa Elas em Campo vai apoiar projetos sociais voltados a meninas e adolescentes, com foco na permanência no esporte antes da Copa do Mundo Feminina de 2027
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A Fundação Decathlon abriu inscrições para o programa Elas em Campo, que vai investir R$ 1 milhão em projetos sociais dedicados exclusivamente ao futebol feminino para meninas e adolescentes de 6 a 18 anos. A iniciativa busca reduzir a evasão esportiva feminina, ampliar o acesso ao esporte e fortalecer organizações que atuam em comunidades vulneráveis. O edital faz parte da construção do legado da Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil, e contempla apoio financeiro, acompanhamento técnico e fortalecimento institucional dos projetos selecionados.
A menos de um ano de o Brasil sediar a Copa do Mundo Feminina de 2027, a Fundação Decathlon abriu inscrições para o programa “Elas em Campo”, iniciativa que busca enfrentar uma das principais barreiras do esporte feminino no país: o abandono da prática esportiva por meninas ainda na adolescência.
Com aporte de R$ 1 milhão, o edital vai apoiar organizações sociais que já desenvolvem projetos voltados exclusivamente à prática de futebol feminino entre meninas e adolescentes de 6 a 18 anos. A proposta é ampliar o acesso, fortalecer a permanência no esporte e contribuir para a construção de espaços mais seguros, estruturados e acolhedores para meninas em diferentes regiões do Brasil.
A iniciativa chega em um momento estratégico. Em 2027, o Brasil receberá pela primeira vez o principal campeonato global de futebol feminino, o que amplia o debate sobre o legado que o torneio poderá deixar para meninas, mulheres, comunidades e organizações que já atuam na base da modalidade.
Mais do que dar visibilidade ao futebol feminino durante a competição, o desafio é criar condições para que meninas tenham acesso ao esporte desde cedo, permaneçam praticando ao longo da adolescência e encontrem no futebol um espaço de pertencimento, autoconfiança, saúde, liderança e desenvolvimento social.
Segundo dados citados pela Decathlon, o futebol ainda é a principal porta de entrada esportiva para os homens, mas não para as mulheres. Enquanto 39% dos homens começaram a praticar exercícios por meio da modalidade na infância, apenas 5% das mulheres tiveram o futebol como início da vida esportiva. O dado evidencia uma desigualdade construída desde cedo, quando meninas são menos estimuladas a participar de esportes coletivos, especialmente aqueles historicamente associados ao universo masculino.
A diferença também revela uma construção cultural persistente. Para muitos meninos, o futebol funciona como espaço de socialização primária, ensinando convivência em grupo, dinâmica de jogo, disputa, cooperação e ocupação dos espaços públicos. Já meninas costumam ser direcionadas a práticas individuais, muitas vezes associadas ao cuidado com o corpo e à estética, como dança, pilates e yoga.
Esse cenário ajuda a explicar por que tantas meninas abandonam o esporte durante a adolescência. A falta de infraestrutura adequada, de incentivo familiar, de treinadoras e referências femininas, de materiais específicos, de segurança e de espaços voltados à prática feminina ainda limita o acesso de meninas ao futebol e a outras modalidades esportivas.
É justamente nesse ponto que o Elas em Campo pretende atuar. Além do aporte financeiro, os projetos selecionados serão acompanhados pela Fundação Decathlon durante os 12 meses seguintes ao investimento, com suporte para implementação, monitoramento e gestão da aplicação dos recursos.
Como parte dos critérios de seleção, as organizações deverão atuar em territórios localizados a até duas horas de deslocamento de uma loja física da Decathlon. A proposta é garantir maior proximidade entre os projetos, os colaboradores da empresa e as comunidades beneficiadas, fortalecendo a presença local, o engajamento e a construção conjunta das iniciativas.
"Queremos contribuir para a construção de um legado social sólido e duradouro nos territórios onde essas organizações atuam, fortalecendo iniciativas que já promovem o acesso de meninas e jovens ao esporte. Acreditamos que a transformação acontece quando comunidades, lideranças locais, organizações sociais e colaboradores se conectam em torno de um objetivo comum. Por isso, além do apoio financeiro, buscamos fortalecer vínculos e estimular o senso de comunidade, gerando impactos positivos que possam permanecer muito além de qualquer competição", afirma Emilie Langrené, líder da Fundação Decathlon no Brasil.
Poderão participar do edital organizações sem fins lucrativos, como ONGs, OSCs, associações de bairro, institutos e outras entidades com CNPJ ativo. Os projetos devem ter atuação comprovada em territórios vulneráveis, atender exclusivamente meninas e adolescentes de 6 a 18 anos, apresentar histórico consistente e demonstrar capacidade de gerar impacto duradouro nas comunidades atendidas.
O edital também valorizará iniciativas que promovam a participação de lideranças femininas e fortaleçam a conexão entre colaboradores da Decathlon e os territórios beneficiados. A intenção é apoiar projetos que já têm atuação concreta, rotina semanal de atividades e capacidade de continuidade.
Onde começam as desigualdades no esporte
A desigualdade no esporte feminino começa ainda na infância. Meninas costumam receber menos incentivo para ocupar quadras, campos e espaços públicos. Também enfrentam estereótipos de gênero, menor oferta de equipes femininas, ausência de referências, insegurança, falta de uniformes e equipamentos adequados e menor visibilidade de competições femininas.
Segundo dados da Unesco, 49% das meninas abandonam a prática esportiva durante a adolescência, taxa seis vezes maior que a registrada entre meninos. O abandono não acontece por acaso. Ele reflete um conjunto de barreiras sociais, culturais e estruturais que restringem a permanência das meninas no esporte.
No futebol, essas barreiras são ainda mais evidentes. Apesar dos avanços recentes, a modalidade ainda carrega marcas de exclusão histórica. Durante décadas, meninas e mulheres foram afastadas da prática, tiveram menos acesso a escolinhas, clubes, treinamentos, competições e patrocínios. O resultado aparece na base: poucas meninas chegam ao futebol com a mesma naturalidade e estímulo que os meninos.
A percepção da sociedade, porém, indica que há espaço para mudança. Pesquisa citada no release aponta que 84% dos brasileiros acreditam que as escolas deveriam incentivar mais a prática do futebol entre meninas. Além disso, 8 em cada 10 pessoas veem o futebol feminino como uma ferramenta de transformação social.
O papel das escolas, comunidades, projetos sociais e organizações locais é decisivo nesse processo. Quando meninas encontram espaços seguros para jogar, treinadoras preparadas, materiais adequados e acolhimento, o futebol deixa de ser apenas uma modalidade esportiva e passa a funcionar como ferramenta de autoestima, disciplina, convivência, liderança e fortalecimento de vínculos.
Legado para além da Copa
A realização da Copa do Mundo Feminina de 2027 no Brasil deve ampliar a visibilidade da modalidade, mas especialistas e organizações defendem que o verdadeiro legado precisa chegar aos territórios. Isso significa fortalecer projetos de base, democratizar o acesso ao esporte, formar lideranças femininas e garantir que meninas possam jogar antes, durante e depois do torneio.
O Elas em Campo surge dentro dessa lógica. Ao apoiar iniciativas já existentes, o edital busca ampliar a capacidade de projetos sociais que conhecem as realidades locais e já atuam diretamente com meninas e adolescentes.
O futebol, nesse contexto, é tratado como uma ferramenta de inclusão. Em campo, meninas desenvolvem habilidades físicas, emocionais e sociais. Aprendem a ocupar espaço, tomar decisões, trabalhar em equipe, lidar com conflitos e reconhecer o próprio potencial.
O impacto também pode ultrapassar a prática esportiva. Projetos bem estruturados contribuem para permanência escolar, proteção social, saúde mental, autoestima, vínculos comunitários e ampliação de perspectivas de futuro.
Fundação Decathlon
Criada na França em 2005, a Fundação Decathlon utiliza o esporte como ferramenta de inclusão e desenvolvimento social. Ao longo de duas décadas, a instituição já engajou cerca de 10 mil colaboradores em 53 países, apoiou mais de mil projetos e impactou aproximadamente 900 mil pessoas.
No Brasil, mais de 80 mil pessoas já foram beneficiadas por iniciativas apoiadas pela Fundação. Com o Elas em Campo, a instituição reforça sua atuação no fortalecimento de projetos esportivos com impacto social, agora com foco específico no futebol feminino e na permanência de meninas no esporte.
Serviço
- Programa: Elas em Campo 2026
- Público beneficiado: meninas e adolescentes de 6 a 18 anos
- Quem pode participar: ONGs, OSCs, associações de bairro, institutos e organizações sem fins lucrativos com CNPJ ativo e projetos voltados exclusivamente para futebol feminino
- Inscrições: 22 de junho a 16 de agosto de 2026
- Visitas técnicas: 17 de agosto a 30 de setembro de 2026
- Divulgação dos projetos selecionados: 1º de outubro de 2026
- Mais informações: no site oficial da Fundação Decathlon, clique aqui > Clique aqui