As mudanças provocadas pela tecnologia, pela inovação e pelas novas exigências do mercado de trabalho voltam ao centro do debate educacional em Belém nesta quarta-feira (1º de julho). Lideranças da área se reunirão em um encontro voltado à discussão dos desafios e das oportunidades da educação superior, em um cenário no qual instituições de ensino são pressionadas a repensar gestão, currículo, permanência estudantil e formação profissional.
A iniciativa é promovida pelo reitor do Centro Universitário Estácio de Belém, Prof. Kahlil Vianna, e terá como tema "A Educação Superior do Futuro". O encontro reunirá gestores, mantenedores, coordenadores e demais profissionais da educação para uma conversa sobre tendências, indicadores de mercado, inovação, tecnologias e novas ferramentas que vêm transformando a gestão acadêmica e a experiência dos estudantes.
O debate acontece em um momento em que a educação superior brasileira atravessa uma virada estrutural. Dados do Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Inep, mostram que as matrículas na educação a distância chegaram a 50,7% do total de matrículas de graduação no país, ultrapassando pela primeira vez a modalidade presencial. O mesmo levantamento aponta que a expansão do setor tem relação direta com a rede privada e com novos modelos de oferta educacional.
Mais do que uma mudança de formato, esse movimento acende uma pergunta que interessa a estudantes, professores e instituições: que tipo de ensino superior o país está construindo? A tecnologia pode ampliar acesso, reduzir distâncias e criar novas experiências de aprendizagem. Mas, sozinha, não resolve os velhos nós da educação brasileira: permanência, qualidade, acompanhamento pedagógico e conexão real com o mundo do trabalho.
Segundo a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), apenas 24% dos brasileiros de 25 a 34 anos possuem formação superior, índice abaixo da média dos países da organização, que é de 49%. O dado ajuda a dimensionar o tamanho do desafio: discutir futuro da educação superior, no Brasil, também é discutir quem consegue entrar, permanecer e concluir uma graduação.
A programação foi concebida para estimular o diálogo entre os participantes, com compartilhamento de boas práticas e reflexão sobre soluções capazes de responder às demandas atuais e futuras da educação superior.
Entre os pontos em discussão estão indicadores de mercado, ferramentas digitais, inovação na gestão acadêmica e formas de melhorar a experiência dos estudantes. A pauta acompanha uma preocupação global: a Unesco aponta que a inteligência artificial e a transformação digital já fazem parte da realidade das instituições de ensino superior, mas ainda exigem políticas claras, formação docente e uso responsável. Em levantamento de 2025 com 400 Cátedras Unesco, apenas 19% das instituições informaram ter políticas formais para inteligência artificial, enquanto 42% estavam elaborando diretrizes.
No Brasil, os dados também indicam que a permanência estudantil segue como uma das questões mais sensíveis. A apresentação do Censo da Educação Superior 2024 mostra que a taxa de evasão na EaD chegou a 24,1% no ciclo 2023-2024, enquanto a modalidade presencial registrou 9,5%. A diferença reforça que inovação precisa caminhar junto com acompanhamento, vínculo institucional e políticas de permanência.
Além dos debates, o evento contará com um momento de networking e coffee break, criando um ambiente voltado ao fortalecimento de conexões e ao intercâmbio de experiências entre profissionais da educação.
Serviço:
O encontro "A Educação Superior do Futuro" será realizado nesta quarta-feira (1º), em Belém. A iniciativa é promovida pelo reitor do Centro Universitário Estácio de Belém, Prof. Kahlil Vianna, e é voltada a gestores, mantenedores, coordenadores e demais profissionais da educação. Horário, local e forma de participação não foram informados pela organização no material enviado.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.