Michelle Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (30) que deixará a presidência do PL Mulher para se dedicar integralmente aos cuidados do marido, Jair Bolsonaro, e da filha Laura. A decisão foi comunicada ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, em reunião de duas horas, e ocorre em meio à crise pública com o enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência. Em vídeo publicado na semana passada, Michelle afirmou ter sido "humilhada, desrespeitada e maltratada" por Flávio em uma conversa telefônica. O racha teve origem após Michelle criticar a articulação do PL no Ceará para uma aliança com Ciro Gomes. Aliados de Flávio defenderam a saída de Michelle da cena pública para evitar desgastes à campanha. O PL ainda não definiu o substituto na presidência do setorial feminino.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro anunciou, nesta terça-feira (30), que deixará a presidência do PL Mulher, setorial do partido voltado ao público feminino. A decisão foi tomada após uma reunião de cerca de duas horas com o presidente nacional da sigla, Valdemar Costa Neto, e ocorre em meio à crise pública com o enteado Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência.
Em nota, Michelle afirmou que a saída se deve à necessidade de se dedicar integralmente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, atualmente em prisão domiciliar humanitária temporária, e da filha Laura. "Após muito refletir com o meu marido sobre o momento em que estamos vivendo em nossa família, reuni-me com o presidente do Partido Liberal na tarde de hoje e lhe comuniquei a minha decisão de deixar a Presidência do PL Mulher", diz o comunicado.
Michelle agradeceu à vice-presidente do setorial, Priscila Costa, e às demais dirigentes, e manifestou o desejo de ver mais mulheres ocupando espaços de poder. Valdemar Costa Neto, também por meio de nota, afirmou que o PL cresceu e que as divergências internas aumentaram junto com a sigla. Ele declarou que Michelle "passa por um momento difícil" e que "sente de perto as injustiças e as angústias" vividas por Bolsonaro.
"Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL Mulher, mas, nesse momento, decidiu deixar a presidência nacional do PL Mulher porque fez a opção de concentrar suas atividades em cuidar do nosso presidente. Temos que respeitar essa decisão", disse o presidente do PL.
Crise com Flávio Bolsonaro e divergências no Ceará
A decisão de Michelle vem na esteira da crise pública com Flávio Bolsonaro, exposta em vídeo publicado na semana passada, no qual ela afirmou ter sido "humilhada, desrespeitada e maltratada" pelo enteado em uma conversa telefônica ocorrida em novembro de 2025. O episódio aconteceu após Michelle criticar publicamente a articulação do PL no Ceará para uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), grupo político dos enteados.
Por trás da saída de Michelle está a suspeita de que Flávio e o irmão Eduardo Bolsonaro estariam envolvidos em ataques e na disseminação de notícias falsas contra ela nas redes sociais, com o objetivo de minar sua influência política. A articulação no Ceará visa impedir a candidatura ao Senado da principal aliada de Michelle, a vereadora de Fortaleza Priscila Costa, o que gerou o racha.
Reações e impactos na campanha
Aliados de Flávio passaram a defender a saída de Michelle da cena pública para não causar mais estragos à campanha. O ex-secretário de Comunicação Social do governo Bolsonaro, Fabio Wajngarten, afirmou que Michelle deveria parar de causar ruídos à campanha. Análises das redes sociais indicaram desgaste maior para Michelle do que para Flávio, pela exposição negativa que a crise gerou à pré-candidatura do senador.
Após a reunião com Valdemar, Michelle encontrou-se com a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e a governadora Celina Leão (PP-DF). O PL ainda não definiu quem assumirá a presidência do PL Mulher. A saída de Michelle ocorre em um momento sensível para o partido, às vésperas das eleições de outubro.