O artista visual Rafael Prado ministra no próximo 12 de julho, em Belém, a oficina gratuita "Coletando Memórias: Workshop de Frotagem e Colagem Artística", no Centro Cultural Banco da Amazônia. Integrando a programação da exposição "Povos amazônicos não morrem, viram semente", a atividade convida o público a explorar paisagens, texturas e memórias da Amazônia por meio de técnicas de frotagem e colagem. Voltada para participantes a partir de 15 anos, a oficina oferece 20 vagas, com todos os materiais fornecidos pela organização.
O Centro Cultural Banco da Amazônia, em Belém, recebe no domingo, 12 de julho, a oficina “Coletando Memórias: Workshop de Frotagem e Colagem Artística”, ministrada pelo artista visual rondonense Rafael Prado. A atividade é gratuita e integra a programação da exposição “Povos amazônicos não morrem, viram semente”, selecionada no I Edital de Ocupação do Centro Cultural Banco da Amazônia.
A proposta da oficina é convidar o público a investigar o território por meio da memória, da observação das paisagens e da coleta de texturas naturais e urbanas. Ao longo de três horas, os participantes serão apresentados à técnica da frotagem, procedimento artístico que consiste em captar relevos de superfícies por meio da fricção do papel com materiais como grafite ou giz de cera.
Mais do que uma atividade manual, a oficina propõe uma reflexão sobre como os espaços carregam marcas, rastros e histórias. Troncos de árvores, folhas, solos, paredes, calçadas e outras superfícies presentes no entorno do Centro Cultural serão observados como elementos de criação e como registros sensíveis do território.
A oficina amplia a pesquisa desenvolvida na exposição “Povos amazônicos não morrem, viram semente”, que aborda histórias, saberes e existências amazônicas frequentemente apagadas. A mostra utiliza a arte como ferramenta para revelar rastros, preservar narrativas e construir novas formas de olhar para os povos, corpos e memórias da Amazônia.
Durante a atividade, os participantes terão uma introdução teórica e prática à frotagem e, em seguida, realizarão uma etapa de exploração de campo. O percurso pelo entorno do Centro Cultural permitirá o mapeamento de texturas naturais e urbanas, transformando a cidade em um espaço de investigação artística.
A partir dos relevos coletados, os participantes desenvolverão exercícios de composição espacial, sobreposição de camadas, desenho, recorte analítico e montagem de figuras da fauna sobre suportes rígidos. Ao final da oficina, cada pessoa terá produzido uma composição artística própria, inspirada nas experiências vividas durante o processo.
A proposta busca estimular novas formas de perceber o território. Em vez de olhar a paisagem apenas como cenário, a oficina convida o público a compreendê-la como um arquivo vivo, formado por vestígios, texturas, marcas, memórias e relações entre natureza, cidade e identidade.
Natural da região do Médio Rio Madeira, em Rondônia, Rafael Prado atua há mais de 15 anos nas artes contemporâneas. Sua pesquisa investiga a elaboração da memória, os apagamentos da história regional e as narrativas silenciadas do território amazônico, utilizando a pintura a óleo, a pesquisa de campo e referências da cultura popular como eixos centrais de sua produção.
Nascido em 1989, o artista cresceu em uma região marcada pela relação intensa entre comunidade, ecologia e impactos do extrativismo ambiental. Em sua prática, Prado parte da compreensão de que não é possível pensar a natureza separada das pessoas que a mantêm viva. Sua obra aproxima humanidade e ambiente, criando imagens em que pessoas, animais, árvores e rios aparecem como parentes de uma mesma paisagem.
O trabalho do artista também é atravessado por memórias culturais, histórias e lendas amazônicas. Ao reposicionar mitologias da região, Rafael Prado discute questões sociais e políticas, trazendo à tona povos, territórios e narrativas frequentemente silenciadas. Suas obras transitam entre o real e o fantástico, entre a figura humana e a paisagem, propondo novas formas de contar histórias da Amazônia.
Entre os destaques de sua trajetória estão a participação na residência Bolsa Pampulha, em 2024, e exposições em instituições como o Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) e o Sesc Pinheiros. Sua produção tem ganhado reconhecimento por articular ancestralidade, memória, território e imaginação política.
A oficina “Coletando Memórias” será voltada a participantes a partir de 15 anos e terá 20 vagas disponíveis. Todos os materiais serão fornecidos pela organização. Como parte da atividade envolve um percurso para coleta de texturas no entorno do Centro Cultural, a recomendação é que os participantes usem roupas confortáveis.
As inscrições são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail [email protected], com cópia para [email protected].
Com a atividade, o Centro Cultural Banco da Amazônia fortalece uma programação voltada à formação, à experimentação artística e à valorização de pesquisas que partem dos territórios amazônicos. A oficina propõe ao público uma experiência de criação em que o gesto de coletar texturas também se torna uma forma de coletar memórias.
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