A automedicação segue em alta no Brasil e preocupa profissionais de saúde. Segundo levantamento do ICTQ, nove em cada dez brasileiros já usaram medicamentos por conta própria em algum momento da vida. Além disso, buscas na internet por remédios “sem receita” mostram interesse crescente por medicamentos controlados, antidepressivos, estimulantes e produtos associados ao emagrecimento.
Entre os medicamentos mais pesquisados estão Sibutramina, Mounjaro, Sertralina, Amoxicilina, Ozempic, Ritalina e Venvanse. Para o diretor-secretário-geral do CRF-PA, Juarez de Sousa, o cenário reflete dificuldade de acesso aos serviços de saúde, demora em consultas e falta de informação sobre os riscos do uso inadequado.
Especialistas alertam que medicamentos para emagrecimento, antidepressivos e estimulantes exigem acompanhamento profissional. O uso sem orientação pode provocar efeitos adversos, dependência, problemas cardiovasculares, complicações gastrointestinais e agravamento de quadros de saúde.
O alerta também vale para remédios considerados simples, como analgésicos e anti-inflamatórios, que podem causar danos quando usados de forma incorreta. A recomendação é procurar orientação médica ou farmacêutica antes de iniciar qualquer tratamento.
A busca por medicamentos sem receita tem crescido no Brasil e acendido um alerta entre profissionais de saúde. Levantamentos recentes apontam que milhões de brasileiros recorrem à automedicação ou pesquisam na internet formas de comprar remédios sem prescrição, incluindo medicamentos controlados e produtos usados para emagrecimento, ansiedade, depressão e aumento de desempenho.
Segundo dados do Instituto de Ciência, Tecnologia e Qualidade (ICTQ), nove em cada dez brasileiros já se automedicaram em algum momento da vida. O cenário preocupa especialistas porque o uso de medicamentos sem orientação pode causar efeitos adversos, intoxicações, dependência, agravamento de doenças e até complicações graves.
Um ranking elaborado pela plataforma Olá Doutor, com base em buscas feitas no Google Brasil nos últimos 12 meses, mostra que medicamentos como Sibutramina, Mounjaro, Sertralina, Amoxicilina e Ozempic estão entre os mais pesquisados junto à expressão “sem receita”. Também aparecem na lista remédios como Ritalina, Venvanse, testosterona, Roacutan e Prosoy.
Para o diretor-secretário-geral do Conselho Regional de Farmácia do Pará (CRF-PA), Juarez de Sousa, o aumento das buscas reflete uma combinação de fatores, como dificuldade de acesso a consultas, demora no atendimento médico e falta de informação sobre os riscos do uso inadequado de medicamentos.
De acordo com o farmacêutico, muitas pessoas procuram remédios por conta própria acreditando que conseguem resolver sintomas rapidamente, mas nem sempre conhecem os efeitos colaterais ou as contraindicações. Ele avalia que a maior exposição desses produtos na internet e nas redes sociais também contribui para despertar interesse sem garantir orientação segura.
Entre os medicamentos mais procurados estão os associados ao emagrecimento. A Sibutramina lidera as buscas, com mais de 102 mil pesquisas, seguida por Mounjaro, com 81,4 mil, e Ozempic, com 36,1 mil.
Apesar de serem relacionados à perda de peso, esses medicamentos pertencem a classes diferentes e não devem ser usados sem acompanhamento. A Sibutramina, por exemplo, atua no sistema nervoso central e pode elevar riscos cardiovasculares, especialmente em pessoas com predisposição a problemas como hipertensão, arritmias e infarto.
Já medicamentos como Ozempic e Mounjaro, conhecidos popularmente como “canetas emagrecedoras”, fazem parte de classes usadas no tratamento de diabetes e obesidade, mas exigem indicação clínica, dose correta e monitoramento. O uso inadequado pode provocar desde sintomas gastrointestinais, como náuseas e constipação, até complicações mais graves.
Outro ponto de atenção é a compra de produtos importados ou vendidos de forma irregular. Segundo especialistas, medicamentos sem garantia de procedência podem apresentar risco ainda maior, já que o consumidor não tem segurança sobre composição, armazenamento, dose ou autenticidade do produto.
O alerta também vale para remédios voltados à saúde mental e ao desempenho cognitivo. A Sertralina, antidepressivo amplamente utilizado, soma mais de 47 mil buscas. Já Ritalina e Venvanse, indicados principalmente para tratamento do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade, ultrapassam juntos 38 mil pesquisas.
De acordo com o CRF-PA, há uma falsa percepção de que estimulantes podem melhorar o rendimento nos estudos ou no trabalho mesmo em pessoas sem diagnóstico. O uso sem indicação pode provocar dependência, alterações comportamentais, problemas cardiovasculares e efeitos no sistema nervoso central.
No caso dos antidepressivos, o cuidado também precisa ser redobrado. O tratamento deve envolver acompanhamento médico e, quando necessário, suporte multiprofissional. Doses inadequadas ou combinações sem orientação podem causar reações importantes, incluindo quadros graves.
As redes sociais também têm ampliado o risco da automedicação. Recomendações feitas por influenciadores, amigos ou familiares podem parecer inofensivas, mas não substituem a avaliação de profissionais habilitados. Até medicamentos de venda livre, como analgésicos e anti-inflamatórios, podem causar danos quando usados em excesso ou por pessoas com condições específicas.
O farmacêutico reforça que nenhum medicamento é totalmente isento de risco. Mesmo remédios considerados comuns, como paracetamol e ibuprofeno, podem provocar complicações quando usados em doses inadequadas ou por tempo prolongado.
Por isso, a orientação é procurar atendimento médico ou farmacêutico antes de iniciar qualquer tratamento. Nas farmácias, a presença do farmacêutico é obrigatória e esse profissional pode orientar sobre o uso correto de medicamentos, identificar possíveis riscos e encaminhar o paciente ao médico quando necessário.
Especialistas ressaltam que pesquisar sintomas ou remédios na internet não deve ser encarado como diagnóstico. A automedicação pode atrasar a identificação de doenças, mascarar sinais importantes e dificultar o tratamento adequado.
Principais riscos da automedicação