Férias escolares: prevenção evita acidentes em casa

Pediatra alerta para riscos de quedas, queimaduras, intoxicações e afogamentos durante o período de férias das crianças.

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Férias escolares: prevenção evita acidentes em casa
Foto: pexels (canva pro)

Com mais tempo livre e uma rotina concentrada dentro de casa, as férias escolares exigem atenção redobrada de pais e responsáveis. Quedas, queimaduras, intoxicações, afogamentos e choques elétricos estão entre os principais riscos para as crianças nesse período, mas boa parte das ocorrências pode ser evitada com supervisão constante e adaptações simples no ambiente doméstico.

Segundo a pediatra Gorete Garcia, da Hapvida, a curiosidade faz parte do desenvolvimento infantil, mas também leva as crianças a explorar lugares e objetos sem compreender os perigos envolvidos.

“As férias são um período importante para o lazer e a convivência em família, mas também exigem atenção redobrada dos responsáveis. Grande parte dos acidentes acontece dentro de casa e poderia ser evitada com pequenas mudanças na rotina e no ambiente”, explica.

Entre as situações mais frequentes estão quedas de camas, escadas e móveis, queimaduras causadas por panelas e líquidos quentes, intoxicações por medicamentos ou produtos de limpeza e afogamentos em piscinas, baldes e caixas-d’água.

Proteção deve acompanhar a idade da criança

Os cuidados precisam considerar a idade, o desenvolvimento e o grau de autonomia de cada criança. Janelas e escadas, por exemplo, devem receber barreiras de proteção, enquanto medicamentos, produtos químicos, objetos cortantes e materiais inflamáveis precisam permanecer trancados ou em locais inacessíveis.

“É importante instalar redes de proteção em janelas, manter medicamentos e produtos químicos em locais trancados, utilizar protetores nas tomadas, evitar toalhas compridas sobre a mesa e nunca deixar crianças sozinhas próximas à água, mesmo que seja por poucos minutos. Em casas com piscina, o ideal é manter o espaço protegido com grades, cercas ou capas de segurança, além de garantir supervisão constante de um adulto. A supervisão continua sendo a principal forma de prevenção”, destaca.

Na cozinha, cabos de panelas devem ficar voltados para dentro do fogão. Líquidos e alimentos quentes precisam ser colocados longe das bordas de mesas e bancadas. Toalhas compridas também representam risco, já que podem ser puxadas pela criança e derrubar objetos sobre ela.

Piscinas, banheiras, baldes e outros recipientes com água exigem vigilância permanente. Mesmo uma pequena quantidade de água pode representar perigo, sobretudo para bebês e crianças menores.

Brinquedos também exigem atenção

A escolha dos brinquedos deve respeitar a faixa etária indicada pelo fabricante. Produtos com peças pequenas podem provocar engasgos, enquanto itens inadequados à idade aumentam os riscos de cortes, quedas e outros ferimentos. Também é necessário verificar a presença do selo de conformidade do Inmetro.

“Os brinquedos devem ser adequados para a faixa etária e certificados pelos órgãos competentes. Também é importante orientar as crianças sobre brincadeiras seguras e incentivar atividades em locais apropriados e sempre supervisionados por um adulto”, acrescenta.

Manter brinquedos organizados após as brincadeiras também ajuda a prevenir tropeços e quedas, especialmente em áreas de circulação da casa.

Acidente aconteceu: o que fazer?

Diante de um acidente, a orientação é manter a calma e evitar receitas ou soluções caseiras. Em queimaduras, a área atingida deve ser colocada sob água corrente em temperatura ambiente. Produtos como pasta de dente, manteiga, óleo ou pomadas sem orientação profissional não devem ser aplicados.

“Em casos de queimaduras, por exemplo, não se deve aplicar pasta de dente, manteiga ou qualquer outro produto. O ideal é resfriar a região com água corrente e procurar atendimento médico. Já em situações de intoxicação, a criança não deve ser induzida ao vômito sem orientação profissional. Sempre que houver dúvida ou sinais de gravidade, o atendimento médico deve ser buscado imediatamente”, orienta a pediatra.

Em casos de suspeita de intoxicação, pais e responsáveis não devem provocar vômito nem oferecer leite, alimentos ou medicamentos por conta própria. Sempre que possível, a embalagem do produto ingerido ou manipulado deve ser levada ao serviço de saúde para ajudar na identificação da substância.

Situações graves, como afogamentos, choques elétricos, queimaduras extensas, perda de consciência, convulsões ou dificuldade para respirar, exigem atendimento imediato.

“As férias devem ser sinônimo de diversão e boas lembranças. Com supervisão, organização do ambiente e alguns cuidados simples, é possível reduzir significativamente o risco de acidentes e proporcionar um período tranquilo para toda a família”, conclui.

Serviço

SAMU: 192
Serviço gratuito de atendimento a urgências e emergências, disponível 24 horas.

Disque-Intoxicação: 0800 722 6001
Canal nacional para orientações em casos de suspeita de intoxicação.

Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.


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