Anvisa aprova novo medicamento para tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes; Pará registra surto da forma aguda em 2026

Lampit (nifurtimox) é indicado para pacientes de até 17 anos e recém-nascidos com peso mínimo de 2,5 kg. Entre janeiro e março de 2026, o Pará confirmou 52 casos e cinco mortes pela doença, com surto relacionado ao consumo de açaí contaminado em Ananindeua.

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Anvisa aprova novo medicamento para tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes; Pará registra
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A Anvisa aprovou o medicamento Lampit (nifurtimox) para o tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes de até 17 anos, incluindo recém-nascidos com peso mínimo de 2,5 kg. A aprovação amplia as opções terapêuticas no país, especialmente para populações pediátricas. O Pará registrou um surto da forma aguda da doença entre janeiro e março de 2026, com 52 casos confirmados e cinco mortes, concentrados em Ananindeua. A transmissão está associada ao consumo de açaí contaminado, principal via de infecção na Amazônia. O medicamento atua como antiparasitário, causando danos ao Trypanosoma cruzi. A doença pode ser transmitida por barbeiros, alimentos contaminados, transfusões e de mãe para filho. Especialistas reforçam que a prevenção, com o controle da qualidade do açaí, continua sendo essencial.

 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou, nesta semana, o uso do medicamento Lampit (nifurtimox) para o tratamento da doença de Chagas em crianças e adolescentes de até 17 anos. O fármaco também poderá ser utilizado em recém-nascidos com peso mínimo de 2,5 kg, ampliando as opções terapêuticas disponíveis no país para o combate à infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi.

Para profissionais de saúde, a aprovação representa um avanço significativo no enfrentamento a uma doença que ainda é considerada um desafio para a saúde pública em diversas regiões do Brasil, especialmente na Amazônia. O estado do Pará, por exemplo, registrou um surto da forma aguda da doença no início deste ano, com maior concentração de casos em Ananindeua, na Região Metropolitana de Belém.

De acordo com dados da Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa), apenas entre janeiro e março de 2026, o Pará confirmou 52 casos da doença e cinco mortes. Na região, os surtos costumam estar relacionados principalmente ao consumo de açaí contaminado e a falhas durante a manipulação e o preparo do alimento — uma das principais vias de transmissão do parasita na Amazônia.

Como age o medicamento

Segundo a Anvisa, o Lampit atua como um antiparasitário contra o Trypanosoma cruzi. O mecanismo de ação do medicamento consiste na produção de substâncias que causam danos ao parasita, facilitando sua eliminação pelo organismo. A aprovação amplia o leque de opções para o tratamento da doença, especialmente em populações pediátricas, que antes contavam com alternativas terapêuticas mais limitadas.

Formas de transmissão da doença de Chagas

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença de Chagas pode ser transmitida de diferentes maneiras:

· Contato com fezes de barbeiros infectados (via vetorial)

· Ingestão de alimentos contaminados (via oral)

· Transfusões de sangue e transplantes de órgãos

· Transmissão vertical (de mãe infectada para o bebê durante a gestação ou o parto)

Fases da infecção

A infecção pode se manifestar em duas fases distintas:

· Fase aguda: ocorre logo após o contágio e pode provocar sintomas como febre, inchaço no local da picada do barbeiro, mal-estar e aumento do fígado e baço. Em muitos casos, porém, pode permanecer assintomática, dificultando o diagnóstico precoce.

· Fase crônica: pode surgir anos ou até décadas depois. Mesmo quando não apresenta manifestações clínicas aparentes, pode evoluir para complicações graves no coração (como insuficiência cardíaca e arritmias) e no sistema digestivo (megaesôfago e megacólon).

A aprovação do Lampit pela Anvisa representa um avanço importante para o tratamento da doença de Chagas no Brasil, especialmente em crianças e adolescentes, mas especialistas alertam que a prevenção — com destaque para o controle da qualidade do açaí e a correta manipulação de alimentos — continua sendo a principal ferramenta para reduzir novos casos, sobretudo na região amazônica.


FONTE: DOl
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