A Marinha do Brasil e a Polícia Federal apreenderam cerca de 4 toneladas de cocaína em águas internacionais, a 1.500 km da costa do Pará. A ação ocorreu em 7 de julho, mas a embarcação e os quatro tripulantes — todos brasileiros e naturais do Pará — chegaram a Belém nesta segunda (13). O barco, sem registro e com documentação irregular, saiu de um porto na região de Belém e seguia para a Guiné, na África. Os presos vão responder por tráfico internacional e associação criminosa. A Marinha monitorava a embarcação desde abril, com apoio de inteligência nacional e internacional. O Navio-Patrulha "Bocaina" percorreu 1.500 km até localizar o alvo. A PF estima concluir o inquérito em até 90 dias e investiga os financiadores da operação. O Pará tem se consolidado como corredor do tráfico para a África, Ásia e Europa.
Uma operação conjunta da Marinha do Brasil e da Polícia Federal (PF) resultou na apreensão de aproximadamente 4 toneladas de cocaína em águas internacionais, a cerca de 1.500 quilômetros da costa do Pará. A ação ocorreu no dia 7 de julho, mas a embarcação, a carga e os quatro tripulantes chegaram a Belém somente nesta segunda-feira (13), quando os detalhes foram apresentados em coletiva na Base Naval de Val-de-Cães.
Ao todo, foram apreendidos 3.748 quilos de cocaína. Segundo a PF, a embarcação teria saído de um porto na região de Belém e seguia em direção à Guiné, na África. Os quatro tripulantes, todos brasileiros, entre eles um pai e seu filho, foram presos e vão responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e organização criminosa.
O barco não possuía registro nem documentação, sendo considerado totalmente irregular. A perícia na droga começou ainda nesta segunda-feira (13), enquanto a perícia na embarcação está prevista para esta terça-feira (14). A PF estima concluir o inquérito em até 90 dias, prazo que pode ser reduzido caso os investigados permaneçam presos preventivamente.
Monitoramento e interceptação
De acordo com a Marinha, a embarcação vinha sendo monitorada desde abril por órgãos de inteligência nacionais e internacionais, inclusive dos Estados Unidos. O Navio-Patrulha "Bocaina" deixou a Base Naval de Val-de-Cães na madrugada do dia 3 de julho e percorreu cerca de 1.500 quilômetros até localizar o alvo na noite do dia 7.
O comandante do navio, Capitão de Corveta Thiago de Souza Pereira, detalhou a operação: "Demos ordem de parada, que foi imediatamente atendida, e realizamos a abordagem com nossa lancha orgânica, levando militares do Grupo de Visita e Inspeção e agentes da Polícia Federal." Durante a inspeção, foram encontrados mais de 100 pacotes suspeitos. "Os testes confirmaram que se tratava de cocaína pura. A partir desse momento, fizemos o apresamento da embarcação para conduzi-la de volta a Belém."
Os tripulantes, que não portavam armas, colaboraram durante toda a abordagem. O comandante observou que o barco apresentou um comportamento atípico: permaneceu parado por um longo período em alto-mar antes de retomar a rota em direção à Guiné.
Pará como rota do tráfico internacional
O superintendente regional da PF no Pará, Alexandre de Andrade Silva, afirmou que a operação é fruto de um trabalho contínuo de inteligência. "A Polícia Federal, a Marinha e outras instituições trabalham diariamente monitorando organizações criminosas que passaram a utilizar com mais frequência a chamada Rota do Norte, ou Rota do Suriname, por ser uma alternativa mais rápida e econômica para levar drogas aos mercados internacionais."
Segundo ele, a embarcação é típica da região amazônica e teria sido construída em um estaleiro paraense. Todos os tripulantes são naturais do Pará. Sobre a participação de facções criminosas, o superintendente afirmou que, até o momento, não há indicativos de envolvimento, mas que as investigações continuarão para identificar os financiadores e demais responsáveis pela operação.
"Com a chegada da embarcação e da droga ao Pará, as investigações não terminam. Agora serão analisados todos os materiais apreendidos, inclusive os celulares dos presos, para identificar quem financiou essa operação e quem está por trás desse grande empreendimento criminoso", concluiu.
A localização estratégica dos portos paraenses, tanto legais quanto clandestinos, tem transformado o estado em um importante corredor do tráfico internacional de drogas para a África, Ásia e Europa, segundo as autoridades.