enquanto muitas famílias arrumam as malas e preparam o roteiro de viagem, um detalhe crucial pode passar despercebido. Para nós, paraenses, o mês de julho é sinônimo de estradas lotadas rumo a praias como Mosqueiro ou Salinópolis, além de uma quebra completa na rotina diária. Mas se para os humanos esse período é um oásis de relaxamento e diversão, para os cães e gatos, a mudança repentina de ares e horários costuma ser uma fonte silenciosa de estresse.
Como na teoria do "efeito borboleta", pequenas alterações na dinâmica da casa refletem diretamente no comportamento e no bem-estar dos nossos companheiros de quatro patas. Segundo Aline Oliveira, docente do curso de Medicina Veterinária da Faculdade Serra Dourada de Lorena, o planejamento prévio é o principal aliado dos tutores nesta época do ano. E tudo começa com uma decisão estratégica: levar o animal na viagem ou deixá-lo em segurança na cidade?
“Antes de decidir levar o pet na viagem ou deixá-lo sob os cuidados de outra pessoa, é fundamental considerar o perfil do animal. Alguns se adaptam bem a novos ambientes, enquanto outros podem sofrer bastante com mudanças na rotina. Independentemente da escolha, o tutor deve garantir que o pet tenha alimentação adequada, água fresca, um ambiente seguro e acompanhamento de alguém de confiança.”
Outro ponto de atenção é a manutenção do relógio biológico dos bichinhos. A rotina da casa pode até virar de cabeça para baixo durante as férias, mas o pet precisa que seus humanos continuem sendo o seu porto seguro temporal.
“Mesmo nas férias, é importante manter horários regulares para alimentação, passeios e descanso. Animais são muito sensíveis às mudanças na rotina, e isso pode gerar ansiedade, alterações no comportamento e até problemas de saúde.”
Com o sol inclemente característico do nosso verão amazônico, o calor excessivo passa a ser um vilão poderoso. Os passeios ao ar livre aumentam, mas os cuidados devem ser redobrados para que uma tarde de lazer não termine em emergência veterinária.
“Evite passeios nos horários mais quentes do dia, mantenha o pet sempre hidratado e prefira locais seguros, onde ele possa caminhar sem riscos. Também é importante utilizar guia, manter a identificação atualizada e observar sinais de cansaço ou desconforto.”
Além do sol, as tentações culinárias das férias são um risco constante. Em viagens de família, é muito comum que parentes ou visitantes tentem "agradar" o cachorro ou o gato com um pedaço de churrasco ou sobras do almoço. A especialista reforça que a alimentação e a prevenção não tiram folga.
“Os tutores devem manter a alimentação habitual e evitar oferecer alimentos inadequados ou em excesso. Além disso, é essencial que a vacinação, a vermifugação e o controle de parasitas estejam em dia, principalmente se o animal for viajar ou frequentar locais com outros pets.”
No fim das contas, a relação que cultivamos com nossos animais exige cuidado, respeito às diferenças e muita parceria.
“Com planejamento e atenção às necessidades do pet, é possível aproveitar esse período com segurança, garantindo momentos de lazer e bem-estar para toda a família.”
Serviço
Antes de pegar a estrada, certifique-se de que a carteirinha de vacinação do seu pet está atualizada. Leve sempre água fresca para os passeios, evite o asfalto quente (especialmente entre as 10h e as 16h) e garanta que a coleira de identificação contenha o seu número de telefone atualizado.
Por Thaís Raquel de Moraes para o Portal Belém.