O MPPA marcou uma reunião institucional em Soure, no Marajó, para discutir medidas relacionadas ao vídeo que mostra o preparo de um búfalo inteiro assado durante uma ação divulgada por influenciadores nas redes sociais.
O encontro está previsto para 21 de julho, às 10h, no gabinete da Prefeitura de Soure, e será conduzido pelo Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais (Nudan). A pauta inclui proteção animal, fiscalização sanitária, possível contaminação ambiental e segurança alimentar.
Segundo o MPPA, ainda não há informações conclusivas sobre a forma de abate do animal nem sobre a existência de inspeção sanitária antes da oferta da carne ao consumo. O órgão também destacou preocupação com imagens em que o animal aparece em águas do município após já estar abatido.
A influenciadora Lia Mendonça pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que o conteúdo buscava mostrar aspectos da cultura marajoara. Ela também informou que a carne teria origem legalizada. A Prefeitura de Soure negou participação no conteúdo e reforçou que a criação de búfalos é parte da economia e da cultura local.
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) marcou uma reunião institucional em Soure, no Marajó, para discutir medidas relacionadas à proteção animal, à segurança sanitária e a possíveis impactos ambientais após a repercussão de vídeos que mostram o preparo de um búfalo inteiro assado durante uma ação divulgada por influenciadores nas redes sociais.
O encontro está previsto para 21 de julho, às 10h, no gabinete da Prefeitura de Soure. A reunião será conduzida pelo Núcleo de Defesa dos Direitos dos Animais (Nudan) e deve reunir representantes de instituições envolvidas com fiscalização, saúde pública, meio ambiente e políticas de proteção animal no município.
A mobilização do MPPA ocorre depois que imagens publicadas nas redes sociais viralizaram e dividiram opiniões. Nos vídeos, influenciadores aparecem com um búfalo abatido e, posteriormente, acompanham o preparo do animal em uma estrutura improvisada para assá-lo inteiro.
O caso provocou debates sobre os limites entre tradição alimentar, exposição de animais abatidos nas redes sociais, respeito à cultura marajoara, bem-estar animal e cumprimento das normas sanitárias para carnes destinadas ao consumo humano.
De acordo com o MPPA, a atuação do órgão não questiona o consumo de carne de búfalo, atividade que integra a economia e a culinária do Marajó. A preocupação está relacionada às circunstâncias do caso, como a forma de abate, a procedência do animal, a existência de inspeção sanitária e a possível exposição do animal a ambientes que possam gerar risco de contaminação.
O órgão também informou que ainda não há informações conclusivas sobre como o búfalo foi abatido nem se houve fiscalização sanitária antes da oferta da carne ao consumo. Por isso, a reunião deverá buscar esclarecimentos e definir encaminhamentos com os órgãos competentes.
Outro ponto que será discutido é a possível contaminação ambiental. O MPPA mencionou a preocupação com imagens que mostram o animal já sem vida e sem pele sendo colocado em águas do município, situação que pode levantar questionamentos sobre risco sanitário e ambiental.
A coordenadora do Nudan, Maria José Cunha, destacou, de forma indireta, que o debate não se concentra na proibição do consumo de búfalo, mas na necessidade de observar normas ligadas ao meio ambiente, à saúde humana, à defesa do consumidor e ao patrimônio cultural de Soure.
O caso também ganhou repercussão porque o búfalo é um dos principais símbolos do Marajó. A criação bubalina faz parte da história, da economia, da gastronomia e da identidade visual da região, especialmente em municípios como Soure.
Após a repercussão, a influenciadora Lia Mendonça se pronunciou nas redes sociais. Ela pediu desculpas às pessoas que se sentiram ofendidas e afirmou que não teve intenção de desrespeitar a cultura marajoara. Segundo a influenciadora, a proposta do conteúdo era mostrar aspectos considerados autênticos da região.
Lia também informou que o animal teria sido adquirido em estabelecimento legalizado e apresentou uma nota fiscal como forma de demonstrar a procedência da carne. Ainda assim, o MPPA deve avaliar, junto aos órgãos responsáveis, se todos os procedimentos sanitários e legais foram observados.
A Prefeitura de Soure também se manifestou e informou que não teve autoria, participação ou vínculo com o conteúdo divulgado. A gestão municipal destacou que a criação de búfalos é uma atividade histórica e regulamentada no município, ligada à economia local e ao sustento de famílias marajoaras.
A reunião do MPPA deverá servir para alinhar estratégias de prevenção, fiscalização e orientação, especialmente em casos que envolvam animais destinados ao consumo, produção de conteúdo nas redes sociais e respeito às normas de saúde pública.