Pará movimenta 2 milhões de quilos de manga em seis meses, mas depende de frutas de outros estados

Produção local é pulverizada e voltada ao consumo regional, enquanto variedades comerciais abastecem o mercado paraense

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Pará movimenta 2 milhões de quilos de manga em seis meses, mas depende de frutas de outros estados
gustavo ramirez/GettyImages
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O Pará movimentou cerca de 2 milhões de quilos de manga em seis meses por meio da Ceasa, o equivalente a 2 mil toneladas. A média foi de 338 toneladas por mês, ou cerca de 11,2 toneladas por dia.

Apesar do volume expressivo, a produção local é considerada dispersa. Em Belém, conhecida como Cidade das Mangueiras, muitas árvores estão em quintais, ruas, áreas urbanas e pequenas propriedades, o que dificulta a organização da cadeia produtiva e a contabilização oficial.

Especialistas apontam que o Pará tem grande variedade de mangas regionais, como manga bacuri, manga cametá, falsa cametá, manga cavalo e manga jasmine. No entanto, boa parte das mangas comerciais vendidas em Belém, como palmer, tommy e rosa, vem de outros estados, especialmente do Nordeste e do Sudeste.

Nas feiras da capital, o quilo da manga varia entre R$ 12 e R$ 15, podendo chegar a R$ 18 conforme a variedade. A manga regional segue entre as preferidas dos consumidores paraenses, mas a oferta local ainda não atende toda a demanda do mercado.

Conhecida como Cidade das Mangueiras, Belém convive com um paradoxo quando o assunto é manga. Embora a fruta esteja espalhada por ruas, quintais e áreas urbanas da capital paraense, o mercado comercial ainda depende de produtos vindos de outros estados. Nos últimos seis meses, cerca de 2 milhões de quilos de manga passaram pela Ceasa do Pará, volume equivalente a 2 mil toneladas.

O levantamento da central de abastecimento mostra uma média de 338 toneladas por mês, ou aproximadamente 11,2 toneladas por dia comercializadas no período. O número revela a força do consumo da fruta no estado, mas também expõe a diferença entre a presença simbólica da manga no cotidiano paraense e a estrutura de produção voltada ao mercado.

Segundo a avaliação técnica da Ceasa, o volume movimentado é expressivo, principalmente em uma capital onde a fruta faz parte da paisagem urbana e da memória afetiva dos moradores. No entanto, a produção paraense é, em grande parte, pulverizada, formada por árvores em quintais, pequenas propriedades, vias públicas e áreas urbanas, sem organização suficiente para abastecer em larga escala o mercado formal.

Essa característica dificulta a medição real da produção no Pará. Pesquisadores da área agrícola explicam que os levantamentos oficiais costumam contabilizar pomares com estrutura comercial, o que não representa totalmente a realidade paraense. No estado, é comum encontrar propriedades com poucas mangueiras, muitas vezes voltadas ao consumo familiar ou à venda local.

De acordo com especialistas da Embrapa Amazônia Oriental, o Pará possui grande diversidade de mangas regionais e adaptadas ao clima local. Entre os tipos citados estão manga bacuri, manga cametá, falsa cametá, manga cavalo, manga jasmine e dezenas de outras variedades conhecidas em comunidades e municípios paraenses.

O problema é que muitas dessas frutas não entram nas estatísticas de produção porque não estão em pomares comerciais. Pelos critérios usados em levantamentos nacionais, a produção só passa a ser contabilizada em estruturas com número mínimo de plantas, enquanto no Pará a realidade costuma ser de árvores espalhadas.

A estimativa oficial de produção anual no estado é considerada baixa por especialistas quando comparada ao potencial real. Parte da produção urbana de Belém, por exemplo, já seria suficiente para superar os números mais conservadores registrados nas estatísticas.

Nas feiras da capital, a presença da manga aumenta em determinados períodos do ano, especialmente entre maio e julho, quando há maior oferta. Mesmo assim, boa parte das variedades mais procuradas pelos consumidores chega de fora do Pará.

Entre as mangas mais vendidas estão palmer, tommy e rosa. Segundo comerciantes, essas variedades costumam vir do Nordeste, de São Paulo e de outros polos produtores do país. Já a produção local aparece com mais força em tipos regionais, como a manga bacuri e outras variedades tradicionais.

Os preços também variam conforme a oferta, a procedência e a qualidade da fruta. Em feiras de Belém, o quilo pode ser encontrado entre R$ 12 e R$ 15, mas já chegou a R$ 18 dependendo da variedade e do período de maior procura.

Feirantes relatam que a manga regional ainda tem forte preferência entre os consumidores paraenses. Apesar disso, as mangas vindas de outros estados costumam se destacar pela aparência, padronização e qualidade comercial, fatores importantes para a venda em feiras, supermercados e atacado.

A produção local, por sua vez, mantém papel importante no abastecimento de mercados menores e no consumo cotidiano. Muitas frutas são vendidas diretamente, trocadas entre vizinhos ou consumidas pelas próprias famílias, o que reforça o caráter popular e urbano da manga no Pará.

O cenário mostra que Belém sustenta o título de Cidade das Mangueiras pela presença das árvores e pela relação cultural com a fruta, mas não necessariamente por uma produção comercial estruturada. Para especialistas, organizar melhor a cadeia produtiva poderia ampliar o aproveitamento das variedades regionais e gerar novas oportunidades para produtores locais.

Enquanto isso, o mercado segue dividido. De um lado, a manga regional preserva sabor, memória e identidade. De outro, as variedades comerciais vindas de fora continuam fundamentais para atender a demanda de Belém e de outros municípios paraenses

O que mostram os dados da Ceasa

  • Nos últimos seis meses, cerca de 2 milhões de quilos de manga passaram pela Ceasa do Pará.
  • O volume equivale a aproximadamente 2 mil toneladas.
  • A média mensal foi de 338 toneladas.
  • Por dia, a comercialização ficou em torno de 11,2 toneladas.

Por que o Pará depende de outros estados

  • Apesar da grande presença de mangueiras em Belém e em municípios paraenses, a produção local é pouco concentrada.
  • Muitas árvores estão em quintais, pequenas propriedades, ruas e áreas urbanas.
  • Isso dificulta a organização da colheita, a padronização da fruta e o abastecimento em escala comercial.
  • Por isso, variedades como palmer, tommy e rosa chegam com frequência de estados produtores do Nordeste, do Sudeste e de outras regiões.

Variedades regionais citadas

Entre as mangas encontradas no Pará estão:

  • Manga bacuri
  • Manga cametá
  • Falsa cametá
  • Manga cavalo
  • Manga jasmine
  • Manga regional

Essas variedades fazem parte da identidade alimentar local, mas muitas vezes circulam fora dos grandes canais comerciais.


FONTE: O Liberal
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