O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu R$ 1,5 milhão em notas fiscais para empresas ligadas ao Banco Master em abril de 2025. Duas delas, no valor de R$ 500 mil cada, foram canceladas no mesmo dia para a Copenhagen Assessoria. Uma terceira nota, também de R$ 500 mil, foi mantida para a Contabil Correa. As duas empresas têm ligações diretas e fazem parte do ecossistema do Banco Master. Em vídeo, o senador confirmou a prestação de serviços à Contabil Correa, mas não detalhou a natureza do trabalho. Sobre a Copenhagen, afirmou que recusou o serviço e por isso cancelou as notas. A revelação ocorre às vésperas da convenção do PL que deve confirmar sua candidatura à Presidência. O senador atribui a divulgação ao período eleitoral e diz que há tentativa de “marginalizar a advocacia”.
O escritório de advocacia do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) emitiu, em abril de 2025, três notas fiscais totalizando R$ 1,5 milhão para empresas conectadas ao ecossistema do Banco Master. Duas delas, no valor de R$ 500 mil cada, foram canceladas. As informações foram divulgadas pelo portal Metrópoles e confirmadas pelo Estadão, Folha de S.Paulo e g1.
As notas fiscais
Em 7 de abril de 2025, o escritório “Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia” emitiu duas notas fiscais de R$ 500 mil cada para a Copenhagen Assessoria e Consultoria S.A., pelos serviços de consultoria jurídica. Ambas foram canceladas no mesmo dia.
Dois dias depois, em 9 de abril, uma terceira nota fiscal, também de R$ 500 mil, foi emitida, desta vez para a Contabil Correa Contabilidade & Auditoria LTDA., com a descrição de “assessoria jurídica”. Esse pagamento foi mantido.
As duas empresas têm ligações diretas. Rogério Lourenço Novo é sócio-administrador da Contabil Correa e, desde setembro de 2025, diretor da Copenhagen. A Copenhagen recebeu R$ 57,9 milhões do Banco Master entre 2024 e 2025. Antes de Novo, a empresa era dirigida por Artur Figueiredo, da Trustee DTVM, gestora citada em investigações sobre o Banco Master. A Trustee afirmou que Figueiredo apenas representava um fundo na empresa.
Justificativa de Flávio Bolsonaro
Em vídeo publicado nas redes sociais, o senador confirmou que prestou serviços advocatícios à Contabil Correa por meio de um contrato privado, sem detalhar a natureza do serviço. Sobre a Copenhagen, afirmou que recusou o trabalho e por isso cancelou as notas.
Flávio Bolsonaro disse que a divulgação das notas fiscais é uma tentativa de “marginalizar a advocacia” e que os documentos foram obtidos com quebra de sigilo sem autorização judicial. Até o momento, ele não respondeu a questionamentos sobre quais serviços jurídicos teriam sido prestados.
As notas fiscais estão em nome do escritório “Flávio Bolsonaro Sociedade Individual de Advocacia”. O senador é advogado e já justificou a aquisição de bens, como uma casa de R$ 6,1 milhões em Brasília, com sua atividade profissional.
Contexto
A revelação ocorre na véspera da convenção nacional do PL, que deve confirmar Flávio Bolsonaro como candidato do partido à Presidência. O senador atribui a divulgação das informações ao período eleitoral. O Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro, são alvo de investigações da Polícia Federal.