Governo anuncia Plano Brasil Soberano 3 com R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas no dia em que tarifa dos EUA entra em vigor

O pacote foi lançado no mesmo dia em que taxa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros passou a valer nos EUA, afetando cerca de 15% da pauta exportadora, equivalente a US$ 5,8 bilhões.

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Governo anuncia Plano Brasil Soberano 3 com R$ 18,5 bilhões em crédito para empresas no dia em que tarifa dos
Foto: Divulgação/ Agência Brasil

No mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos, o governo federal lançou um novo pacote de apoio à indústria e ao comércio exterior. Batizado de Plano Brasil Soberano 3, a iniciativa disponibiliza R$ 18,5 bilhões em linhas de crédito com juros subsidiados para exportadores e setores estratégicos da economia nacional.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (22) pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que assinou uma medida provisória e um projeto de lei de conversão para ampliar o programa. A tarifa norte-americana deve afetar cerca de 15% da pauta exportadora brasileira para os EUA, o equivalente a US$ 5,8 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic).

Os recursos serão divididos entre:

· R$ 13,5 bilhões do Tesouro Nacional

· R$ 5 bilhões do BNDES

As linhas de crédito poderão ser usadas para capital de giro, aquisição de máquinas, investimentos produtivos, inovação tecnológica, adaptação de produtos e processos, e prospecção de novos mercados. As taxas de juros variam conforme a finalidade: 3% ao ano para projetos ligados a minerais críticos e até 9,80% ao ano para capital de giro de grandes empresas.

O plano também oferece seguro garantia para pequenas empresas, conforme destacou o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Setores beneficiados

Além das empresas diretamente afetadas pelas tarifas americanas, o programa contempla setores como agricultura, pecuária, pesca, florestas plantadas, mineração, fertilizantes, indústria química, farmacêutica, têxtil, automotivo, máquinas e equipamentos, e materiais elétricos e eletrônicos.

Também serão atendidas cooperativas e associações do setor, além de exportadores prejudicados por conflitos internacionais, especialmente no Golfo Pérsico.

O ministro Márcio Elias Rosa (Mdic) afirmou que os segmentos mais prejudicados pelas tarifas são madeira, móveis, produtos cerâmicos, máquinas, calçados e açúcar. O programa também deve acolher empresas afetadas por novas medidas protecionistas em estudo pelos EUA, como as relacionadas a trabalho forçado.

Contexto diplomático

Apesar do pacote, o governo brasileiro mantém a via diplomática aberta. Segundo integrantes da equipe econômica, houve diálogo com a Casa Branca até os dias anteriores à entrada em vigor das tarifas, mas as negociações não avançaram.

Alckmin descartou retaliação imediata: "A ideia não é retaliação. Diz que olho por olho pode acontecer de os dois ficarem cegos. A reciprocidade é: nós estamos sendo injustiçados e queremos corrigir isso."

Histórico do programa

O Plano Brasil Soberano foi criado em 2025 para apoiar empresas diante das primeiras medidas tarifárias dos EUA. As três etapas somam:

· Agosto de 2025 (Brasil Soberano 1): R$ 30 bilhões

· Março de 2026 (Brasil Soberano 2): R$ 21 bilhões

· Julho de 2026 (Brasil Soberano 3): R$ 18,5 bilhões

A nova fase amplia o escopo do programa, incluindo setores estratégicos e exportadores afetados por conflitos internacionais. O plano de aplicação dos recursos será definido pelo BNDES e submetido a um conselho interministerial, que priorizará os setores mais impactados.


FONTE: Agência Brasil
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