O câncer de intestino, também chamado de câncer colorretal, está entre os tumores mais frequentes no Brasil, mas também é um dos que apresentam maior potencial de prevenção e cura quando diagnosticado precocemente. Especialistas reforçam que hábitos saudáveis, alimentação rica em fibras, prática regular de atividade física, controle do peso e realização do rastreamento por meio da colonoscopia são medidas fundamentais para reduzir os riscos da doença.
Segundo o oncologista Artur Ferreira, da Oncoclínicas, o tumor pode evoluir de forma silenciosa durante anos, tornando essencial a atenção a sinais como sangue nas fezes, alterações persistentes no hábito intestinal, dores abdominais, perda de peso sem causa aparente e fadiga. O especialista explica ainda que muitos casos surgem a partir de pólipos intestinais, que podem ser identificados e removidos durante a colonoscopia antes de evoluírem para câncer.
A reportagem também esclarece mitos e verdades sobre a doença, como a relação entre carnes processadas e o aumento do risco, a influência das doenças inflamatórias intestinais, a necessidade de colostomia e o papel do histórico familiar. Embora hábitos saudáveis reduzam significativamente o risco, eles não eliminam completamente a possibilidade de desenvolver o câncer, reforçando a importância do acompanhamento médico e do diagnóstico precoce.
O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal, está entre os tumores que mais exigem atenção quando o assunto é prevenção. A doença se desenvolve no intestino grosso, chamado de cólon, ou no reto, e pode evoluir de forma silenciosa durante anos. Por isso, hábitos saudáveis, atenção aos sinais do corpo e rastreamento adequado são considerados medidas essenciais para reduzir riscos e aumentar as chances de diagnóstico precoce.
De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar 53.810 novos casos de câncer de intestino por ano no triênio 2026-2028. A incidência cresce principalmente a partir dos 50 anos, mas especialistas alertam que fatores como alimentação inadequada, sedentarismo, obesidade, tabagismo e histórico familiar também influenciam o risco.
Segundo Artur Ferreira, oncologista da Oncoclínicas, a doença pode ser silenciosa, mas alguns sinais devem acender o alerta.
“Apesar de a doença muitas vezes ser silenciosa, o paciente deve observar se há alterações do hábito intestinal, tais como constipação, diarreia, afilamento das fezes, ausência da sensação de alívio após a evacuação, como se nem todo conteúdo fecal fosse eliminado, massas palpáveis no abdômen, sangue nas fezes, dores abdominais, perda de peso sem motivo aparente, fraqueza e sensação de fadiga”, explica.
Entre os principais fatores de risco estão o consumo frequente de alimentos ultraprocessados, dietas pobres em vegetais e fibras, alto consumo de carnes vermelhas e processadas, sobrepeso, obesidade, inatividade física, tabagismo e doenças inflamatórias intestinais, como a retocolite ulcerativa e a doença de Crohn.
Embora fatores hereditários também sejam importantes, o especialista ressalta que eles não são os únicos determinantes. Na maior parte dos casos, o risco está ligado a uma combinação de fatores genéticos, ambientais e comportamentais.
A boa notícia é que o câncer de intestino tem grande potencial de prevenção e cura, principalmente quando identificado cedo. Diferentemente de outros tumores que costumam ser encontrados apenas quando já estão instalados, o câncer colorretal pode ser detectado ainda em uma fase pré-cancerosa, por meio da colonoscopia.
“Diferentemente do câncer de mama, por exemplo, onde a doença é identificada com os exames de rotina geralmente em fase inicial, já instalado, o câncer de intestino pode ser descoberto em sua fase pré-cancerosa com a colonoscopia. Uma vez diagnosticado, a equipe multidisciplinar irá avaliar cada caso individualmente, selecionando as estratégias e opções mais adequadas a cada paciente”, comenta o oncologista.
A prevenção, portanto, passa por duas frentes principais: mudanças no estilo de vida e rastreamento quando indicado. Manter uma alimentação rica em fibras, com frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais, reduzir o consumo de carnes processadas, praticar atividade física, evitar o cigarro, limitar bebidas alcoólicas e manter o peso adequado são atitudes que ajudam a diminuir o risco.
Ainda assim, prevenir não significa eliminar completamente a possibilidade da doença. Por isso, exames periódicos, avaliação médica e investigação de sintomas persistentes continuam sendo fundamentais.
Mitos e verdades sobre prevenção e câncer de intestino
Apesar de ser um tumor frequente, o câncer de intestino ainda é cercado por dúvidas. Algumas crenças podem atrasar o diagnóstico, gerar medo desnecessário ou fazer com que pessoas deixem de procurar atendimento. A seguir, o oncologista esclarece pontos importantes.
1. Todo paciente com câncer de intestino precisa usar bolsa de colostomia
Mito. A colostomia é necessária apenas em algumas situações específicas, como obstruções ou perfurações intestinais, cirurgias de emergência, tumores localizados no canal anal ou em partes muito baixas do reto.
Com a evolução das técnicas cirúrgicas e dos cuidados ao paciente, a necessidade de colostomia diminuiu. Quando indicada, ela pode ser temporária ou definitiva, dependendo da localização do tumor, do tipo de cirurgia e da possibilidade de reconstrução do trânsito intestinal.
A colostomia temporária é utilizada quando há expectativa de reconexão do intestino no futuro. Já a definitiva pode ser necessária quando o tratamento exige a retirada do ânus ou da porção final do reto, impossibilitando a eliminação das fezes pelo trajeto habitual.
2. Intestino preso aumenta o risco de câncer colorretal
Depende. A constipação não é considerada um fator clássico de risco para o câncer de intestino, mas pode indicar que a saúde intestinal merece atenção. Em teoria, o trânsito intestinal mais lento pode aumentar o tempo de contato da parede intestinal com substâncias presentes nas fezes.
Além disso, alterações na flora intestinal vêm sendo estudadas como possíveis influenciadoras do risco de tumores colorretais. No entanto, a relação entre intestino preso e câncer ainda apresenta resultados conflitantes.
Os fatores com maior peso continuam sendo idade, obesidade, sedentarismo, tabagismo, diabetes, dieta rica em carnes vermelhas e processadas e baixa ingestão de fibras.
3. Homens têm mais risco de câncer de intestino
Verdade. Em termos globais, homens apresentam maior incidência de câncer colorretal do que mulheres. A diferença, no entanto, não é tão grande a ponto de mudar as recomendações gerais de rastreamento apenas com base no sexo.
Isso significa que homens e mulheres precisam estar atentos aos fatores de risco, aos sintomas e às orientações médicas sobre exames preventivos.
4. Todo pólipo vira câncer
Mito. A maioria dos cânceres de intestino pode surgir a partir de pólipos, mas nem todo pólipo evolui para tumor maligno. Apenas uma parte dessas lesões sofre transformação ao longo do tempo.
Mesmo assim, quando um pólipo é identificado durante a colonoscopia, ele deve ser removido e enviado para análise. Essa é uma das razões pelas quais o exame é tão importante: além de diagnosticar, ele pode atuar na prevenção direta da doença.
5. Comer carne vermelha e carne processada em excesso aumenta o risco
Verdade. Dietas ricas em carnes vermelhas e, principalmente, em carnes processadas, estão associadas a maior risco de câncer colorretal. Entram nesse grupo alimentos como salsicha, presunto, bacon, linguiça, salame, mortadela e outros produtos submetidos a salga, cura, defumação ou adição de conservantes.
A recomendação é reduzir o consumo desses alimentos e priorizar fontes de proteína como peixes, frango, ovos, leguminosas, derivados de soja e outras opções dentro de uma alimentação equilibrada.
Mais do que cortar um único alimento, a prevenção envolve o padrão alimentar como um todo. Uma dieta rica em vegetais, fibras e alimentos pouco processados contribui para a saúde intestinal e para a redução de riscos.
6. Se não houver dor, não há motivo para preocupação
Mito. A ausência de dor não significa ausência de doença. O câncer de intestino pode evoluir silenciosamente, especialmente nas fases iniciais. Quando os sintomas aparecem, eles podem ser confundidos com problemas passageiros, como desconforto abdominal, alteração intestinal ou cansaço.
Por isso, sinais como sangue nas fezes, mudança persistente no hábito intestinal, perda de peso sem explicação, fraqueza, dor abdominal frequente ou sensação de evacuação incompleta devem ser investigados.
O diagnóstico precoce aumenta as chances de tratamento eficaz e pode evitar que a doença seja descoberta em estágio avançado.
7. Doenças inflamatórias intestinais podem aumentar o risco
Verdade. Doenças inflamatórias intestinais, como retocolite ulcerativa e doença de Crohn, podem aumentar o risco de câncer colorretal, especialmente quando são extensas, graves ou de longa duração.
Nesses casos, o acompanhamento médico regular é indispensável. O controle da inflamação, o tratamento adequado e o rastreamento individualizado ajudam a reduzir riscos e identificar alterações precocemente.
8. É sempre possível prevenir o câncer de intestino
Mito. Hábitos saudáveis reduzem muito o risco, mas não eliminam completamente a possibilidade de desenvolver a doença. Fatores genéticos, envelhecimento, histórico familiar e condições inflamatórias também podem participar do processo.
Ainda assim, a prevenção tem papel decisivo. O oncologista reforça que mudanças consistentes no estilo de vida fazem diferença.
“Deve-se investir em uma dieta rica em fibras e uma menor ingestão de carnes vermelhas e processadas, praticar atividades físicas, evitar bebidas alcoólicas e tabagismo e manter-se ativo fisicamente e com peso adequado. Além disso, é importante investigar se o paciente possui doenças inflamatórias intestinais crônicas, como a doença de Crohn ou colite ulcerativa e, se presentes, tratá-las. A observação de todos esses pontos certamente reduz em muito o risco, porém não o elimina por completo”, finaliza Artur Ferreira.
Prevenção deve fazer parte da rotina
A principal mensagem dos especialistas é que o cuidado com o intestino não deve começar apenas diante de sintomas graves. A prevenção do câncer colorretal envolve atenção diária aos hábitos e diálogo com profissionais de saúde sobre o momento adequado para iniciar o rastreamento.
Pessoas com histórico familiar de câncer colorretal, pólipos intestinais, doenças inflamatórias intestinais ou sintomas persistentes devem procurar avaliação médica. O rastreamento pode variar conforme idade, risco individual e orientação profissional.
Na prática, prevenir passa por atitudes simples e contínuas: comer mais fibras, reduzir ultraprocessados, limitar carnes processadas, praticar atividade física, evitar tabagismo, moderar álcool, controlar o peso e não ignorar mudanças no funcionamento intestinal.
O câncer de intestino pode ser silencioso, mas a prevenção também pode ser poderosa. Quanto mais cedo os riscos são identificados, maiores são as chances de evitar a doença ou tratá-la com sucesso.