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10/05/2020 às 10h43min - Atualizada em 10/05/2020 às 10h43min

Dia das Mães é comemorado com cuidado em meio à pandemia de Covid-19

Profissionais de diferentes áreas de atuação falam de um domingo diferente

Dayane Baía/ Agência Pará
Com edição do belem.com.br
Geórgia Espíndola com os filhos (Foto: Divulgação)
     
Medo. Saudade. Preocupação. Sentimentos típicos das mães desde o momento que descobrem, no ventre, a existência dos filhos e que não passam mesmo quando eles se tornam adultos. Coragem. Fé. Esperança. São o alimento de suas almas para superar as dificuldades potencializadas em tempos de pandemia do novo coronavírus. No Pará, quatro mães comemoram a vida neste domingo e mesmo sem se conhecerem, o desejo delas é um só: ter saúde para cuidar dos filhos e vê-los também saudáveis protegidos da Covid-19.

Elinalma de Fátima Barbosa Lima, 63 anos, ganhou um presente especial: a recuperação da doença. A aposentada ficou 10 dias internada no Hospital Regional Dr. Abelardo Santos, em Icoaraci, para tratamento contra síndrome respiratória aguda grave. “É muito difícil, Jesus e o Espírito Santo me deram muita força. É uma guerra, mas junto com toda a equipe de saúde nós vencemos. Estou em casa para passar o dia das mães junto das minhas filhas, meu marido e meus netos. Só tenho a agradecer porque elas estavam em todos os momentos na porta daquele hospital para saber da minha saúde”, lembrou Elinalma.

No mesmo hospital, a enfermeira Geórgia Espíndola está na linha de frente, no setor de triagem, desde o dia 30 de abril, quando a urgência da Unidade passou a receber pacientes com os sintomas. “Está sendo muito bom poder dar esperança e alento para esse povo que está desesperado. Eles não tinham atendimento em outros lugares e agora todos saem atendidos e medicados. Sou muito feliz por ter oportunidade de contribuir para isso”, contou a profissional.

Mãe de três filhos, de 4, 13 e 20 anos, Geórgia precisa tomar todos os cuidados para mantê-los protegidos. “Eu amo ser mãe e eles são filhos maravilhosos que me apoiam. Os maiores cuidam do menorzinho para que eu possa trabalhar tranquila e entendem que é importante, muitas pessoas precisam do meu trabalho. Oramos sempre para Deus nos preservar a saúde e para que essa pandemia passe”, afirmou a enfermeira que, devido aos plantões anteriores, conseguirá passar o domingo em casa.

A soldado da Polícia Militar Maiara Silva é mãe de um menino de 9 anos e também está trabalhando na segurança pública durante a pandemia. “Esse ano está sendo totalmente diferente. Não vamos ter como de costume aquele almoço, aquele abraço, aquela reunião familiar que é uma característica dessa data. Eu espero que esse ano todos nós possamos sair fortalecidos. Uma provação para valorizarmos o carinho, o toque, o abraço...”, ponderou a militar.

Para ela, ser policial militar e mãe, em meio a todo o caos, é uma missão árdua. “Vejo mães perdendo seus filhos, filhos perdendo suas mães de maneira tão precoce e, às vezes, eu me sinto um pouco de mãos atadas. Eu vejo que a gente é tão pequeno perto de tantas coisas que vem acontecendo. A única coisa que posso fazer é levar uma palavra de ajuda, uma orientação, auxiliar alguém que esteja precisando”, complementou a policial.

Carinho com os filhos e colegas de profissão

O cuidado com o outro é também uma característica de Jonhilda Cardoso, gerente de operação e fiscalização, função que ocupa há três anos no Departamento de Trânsito do Pará (Detran). “Graças a Deus estou com a minha família, meu marido está em casa, meu filho que é da Marinha Mercante, mas não está embarcado, e minha mãe, de 74 anos. Eu me sinto muito bem e tento transmitir isso para os meus outros filhos”, falou se referindo aos 200 agentes de trânsito que fazem parte de sua equipe.
“Este ano não poderei ir à casa da minha sogra, da minha madrinha, ficarei rezando que é o que podemos fazer. Todo dia ao chegar do trabalho faço uma oração em família pelo retorno. Também chamo o pessoal para pedir proteção nessa batalha que estamos todos os servidores, na segurança pública e principalmente na área da saúde”, afirmou.

Ela brinca que além de gerente, é também mãe e psicóloga das equipes porque todos precisam de apoio. “Sempre fui uma mãe muito protetora, lógico que temos nossos defeitos, mas sempre tento me colocar no lugar deles para acalentar nossos ‘filhos’ da melhor maneira possível. Esse carinho que a maternidade me trouxe, eu levo para eles. Quando tenho que ralhar, ralho, quando tenho que elogiar, elogio. É aquele amor de mãe que quer os filhos sigam bem na vida”, admitiu.

Jonhilda foi mãe por duas vezes, mas perdeu um dos filhos há 20 anos. “Essa dor de perda eu sei como é. E agora com essa doença me ponho no lugar das pessoas. Pergunto se estão tomando cuidados, se estão com máscaras, protegidos. Tudo eu me preocupo”.

Esperança - Neste domingo, a saudade aperta o peito se fazendo presente em muitos lares paraenses. Elinalma traz a sabedoria de mãe para anunciar a vinda de tempos melhores. “Quero deixar minha homenagem a todas as mães que assim como eu precisaram ficar afastadas da família. É por um bom motivo, temos que preservar a saúde, ficar longe dos nossos familiares. Vamos nos ver por meio de videochamada, vamos ficar felizes. Tenho muita fé que isso tudo vai passar e que no ano que vem nós possamos estar todos juntos se abraçando, comemorando. Fiquem em casa. Tudo isso vai passar”, desejou a aposentada.

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