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13/01/2022 às 11h28min - Atualizada em 13/01/2022 às 11h28min

Restauro no cemitério da Soledade começa nesta quinta (13)

Projeto transformará o cemitério desativado em parque público

Agência Pará
Com edição do Belem.com.br
A previsão de conclusão das obras é junho de 2022. (Foto: Rperodução/Internet)
                 
Na semana em que Belém completa 406 anos de fundação, começa o processo de revitalização do cemitério da Soledade, a partir da etapa de restauro. O trabalho será feito em parceria entre técnicos da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), a Faculdade de Conservação e Restauração da Universidade Federal do Pará (UFPA) e seu Laboratório de Conservação, Restauração e Reabilitação (Lacore).

As obras começarão pela limpeza dos túmulos em pedra do corredor principal, orçada em R$ 16 milhões. O grupo de trabalho é constituído por docentes e técnicos da UFPA, além de alunos de graduação, mestrado e doutorado, acompanhados por uma equipe técnica da Secult formada por arquitetos, engenheiros e arqueólogos.

No próximo sábado (15) haverá uma aula de Biologia Aplicada com os professores Rosildo Paiva e Solange Costa, da Faculdade de Conservação e Restauro da UFPA. De acordo com a professora Thaís Sanjad, coordenadora do Lacore, esta é uma oportunidade de os pesquisadores colocarem em prática seus conhecimentos.

Patrimônio

O Cemitério Nossa Senhora da Soledade entrou em atividade em 1850. As pesquisas mostram que o número de pessoas enterradas no local ultrapassa 30 mil, devido principalmente às vítimas de duas epidemias: febre amarela (1850) e cólera (1885).

De acordo com o arqueólogo da Secult, Paulo do Canto, o espaço é um sítio arqueológico com rica monumentalidade, guardando traços artísticos imponentes e simbolismos que apontam diferenças culturais, sociais, econômicas e políticas da sociedade paraense do século XIX.

"Numa breve caminhada por lá é possível atestar estas diferenças, à medida que se observa a forma como foram posicionados os mausoléus e sepulturas menos monumentais, por exemplo. Outro aspecto que chama atenção no cemitério é a divisão sociocultural, levando em consideração a maneira como algumas irmandades religiosas foram dispostas. Até o momento, as pesquisas no local têm demonstrado haver sepultamentos com pouca profundidade no solo; há também indícios de deslocamento de esqueletos e ossos no subsolo, possíveis valas comuns etc. A diversidade arqueológica encontrada é imensa. Dessa maneira, a arqueologia revela substratos analisados, testemunhas de atores sociais, silenciados e consequentemente apagados da memória coletiva. É a materialidade revelando as multivozes que também fizeram história na cidade de Belém", explicou Paulo do Canto.

Obras em andamento

Atualmente, as obras de transformação do cemitério em um parque público prosseguem com a parte de arqueologia e de estrutura de drenagem de águas pluviais, passeio de visitantes, revitalização da capela nos próximos dias (gradil e muro) e o novo pórtico de acesso pela Travessa Dr. Moraes.

Quando concluído, o espaço vai abrigar uma área expositiva na capela, ações de educação patrimonial e informações expográficas em sua arquitetura mortuária restaurada, que abriga belíssimas obras do barroco, neoclássico e neogótico. A previsão de entrega do equipamento é junho deste ano.

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