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27/10/2019 às 09h00min - Atualizada em 27/10/2019 às 09h00min

Jovens da ilha de Murutucu usam smartphones como diversão

O público foi estudado pela pesquisadora Monique Igreja, na sua dissertação de mestrado

belem.com.br
Selma Amaral
Durante o período da pesquisa, Monique conviveu com os jovens da ilha do Murutucu (Foto: Eliseu Dias)

Os jovens da ilha do Murutucu, uma das 39 que compõem a Região Insular de Belém, se utilizam dos smartphones como espaço virtual de lazer e diversão. Pelo aparelho, a comunidade interage, troca informações sobre os mais diversos assuntos e acompanha o horário da baixa da maré; quando dá surgimento ao banco de areia e a formação natural de um campo de futebol que eles aproveitam para jogar futebol e se divertir.
 
A ilha do Murutucu está localizada à parte Sul do território insular belemense, numa distância de 9 quilômetros (em linha reta) da capital e tem como vizinha a ilha do Combu, já famosa e bem conhecida da população urbana de Belém pelos seus encantos naturais e da culinária. A ilha de Murutucu não tem ruas e nem espaços de lazer como praças e pontos de encontros. O acesso às casas é feito por meio dos pequenos furos e o meio de transporte são as embarcações, popularmente conhecidas como rabetas. Esse universo é retratado na dissertação de mestrado da jornalista e mestra em comunicação Monique Igreja, realizada no período de 2014 a 2016, por meio do Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará.
 
Segundo Monique, o universo da pesquisa abordou um grupo de 20 jovens, sendo 14 mulheres e seis homens, com percentual de 50% na faixa etária 15 a 17 anos. Todos os jovens eram estudantes do ensino fundamental e do ensino médio. Durante o período da pesquisa, sob a orientação da professora e doutora Alda Cristina Silva da Costa, a jornalista Monique Igreja conviveu com o grupo, acompanhou a rotina de estudos dos jovens em Belém e o retorno deles para casa no final da tarde. O foco da dissertação era descobrir como as populações tradicionais se utilizam dos mecanismos da era digital em suas comunidades.
 
O primeiro choque da jornalista foi presenciar o uso direto dos aparelhos de smartphones pelos jovens, um equipamento que tem um custo elevado, mas que as moças e rapazes não abrem mão. “Vale tudo para comprar o smartphone. Eles economizam dinheiro, pedem o cartão de crédito emprestado dos pais, dos tios, dos avós, mas de uma forma ou de outra, eles conseguem e fazem bom uso das infinitas possibilidades e recursos tecnológicos que o aparelho dispõe”, explica Monique Igreja.
 
Para realizar a dissertação, Monique fez entrevistas, aplicou questionários com perguntas abertas (quando o entrevistado responde livremente) e fechadas (quando são apresentadas alternativas de respostas), visitou a ilha dezenas de vezes e participou das atividades do grupo, como o jogo de futebol no campo formado pelo banco de areia, que só existe quando a maré está baixa.
 
“Foi um período enriquecedor, maravilhoso, eu aprendi muito com eles, tanto que vou continuar estudando. Quero fazer doutorado também com o público jovem, olhando esse universo cultural, de interação e conectividade com as novas mídias, pois ainda temos muito a descobrir e entender que nosso olhar sobre essas comunidades tradicionais ainda está presos em preconceitos”, destacou Monique Igreja, que hoje é jornalista e mestra. Ela foi convidada especial da primeira roda conversa do portal belem.com.br e atualmente responde pela Assessoria de Imprensa da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará).
 
Para quem quiser conhecer a ilha de Murucutu, na região insular de Belém, existem saídas diárias de embarcações do porto da Praça Princesa Isabel, no bairro da Condor. E para quem quiser conversar com a jornalista Monique Igreja, pode segui-la nas redes sociais ou acessar a página do Programa de Pós-Graduação de Comunicação, Cultura e Amazônia da Universidade Federal do Pará. O portal Belém.com.br agradece a participação da jornalista no evento de lançamento e promete trazer outras histórias fantásticas como esta para o nosso público internauta.
 
 

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