ATL 2025 reúne indígenas de todo o mundo em defesa dos territórios e do clima
Foto: Jacqueline Lisboa / WWF-Brasil
Com início nesta segunda-feira (7), em Brasília, a 21ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) reúne milhares de indígenas de diversas partes do Brasil e do mundo em uma mobilização histórica por direitos e justiça climática. Até sexta-feira (11), cerca de 8 mil participantes ocuparão a capital federal com reivindicações contundentes: a revogação da Lei 14.701/2023 — que institui o marco temporal, já considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal —, a aceleração das demarcações de terras indígenas e o fim da exploração de combustíveis fósseis na Amazônia.
Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), que celebra 20 anos de existência, o ATL 2025 marca um momento especial de fortalecimento político e internacionalização da luta indígena. Com apoio de suas sete organizações regionais, como a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), o evento ganha dimensão global ao receber lideranças dos nove países da Bacia Amazônica, além de representantes do Canadá, ilhas do Pacífico e Austrália.
A presença de delegações internacionais evidencia o papel central dos povos indígenas na construção de soluções para a crise climática, especialmente às vésperas da COP30, que será realizada em Belém, e da COP31, prevista para a Austrália. Participações como a dos Pacific Climate Warriors, da Sacred Earth Solar (liderada por mulheres indígenas do Canadá), e da recém-formada Troika dos Povos Indígenas — articulação entre Brasil, Pacífico e Austrália — reforçam a união de saberes tradicionais em defesa dos territórios e da biodiversidade.
O G9 da Amazônia Indígena, formado por organizações dos países pan-amazônicos, também participa ativamente do encontro. Em fevereiro deste ano, o grupo publicou um manifesto contra a exploração de petróleo no bioma amazônico. Agora, no ATL, eles reiteram que a justiça climática, a demarcação de terras e a transição energética justa são pautas indissociáveis e urgentes.
“O Acampamento Terra Livre 2025 será um espaço de convergência das demandas dos Povos Indígenas, desta vez não só do Brasil. O ATL será esse espaço de união: as lideranças poderão dialogar sobre temas comuns, como a defesa de seus territórios, a proteção da biodiversidade e o enfrentamento da crise climática. Como guardiões das florestas, rios e mares, nossas vozes e conhecimentos tradicionais precisam estar presentes na construção de políticas climáticas e em espaços de decisão como a COP30”, destaca Toya Manchineri, coordenador-geral da COIAB.
Com informações do Clima Info.