Círio 2025: o desafio de limpar as ruas após a fé passar
Entenda o lixo que fica quando a procissão passa e como funciona a gigantesca operação para devolver a cidade aos seus eixos.
Fotos: Divulgação
É uma cena tão tradicional quanto a própria corda: logo após a passagem da berlinda e do mar de gente que a acompanha, as ruas de Belém se transformam. Um tapete de copos plásticos, garrafas e outros resíduos cobre o asfalto, um registro físico da passagem de mais de dois milhões de pessoas. Mas por que isso acontece? A resposta é uma mistura de calor, necessidade e a mais pura matemática. Em meio à multidão compacta que avança lentamente sob o sol amazônico, a hidratação é essencial, mas encontrar uma lixeira se torna uma tarefa praticamente impossível. O descarte correto, para o promesseiro espremido entre milhares, simplesmente não é uma opção viável.
É aí que entra em cena uma das maiores operações logísticas do Círio de Nazaré, mas muito menos visível que as romarias: a limpeza da cidade. Logo após a dispersão dos fiéis, um exército de mais de 2 mil colaboradores inicia uma corrida contra o tempo para que a cidade retome sua rotina. Em 2024, a operação recolheu mais de mil toneladas de resíduos apenas na Trasladação e na Grande Procissão, um volume que evidencia a dimensão do desafio.
A tarefa, coordenada pela Secretaria Municipal de Zeladoria e Conservação Urbana (Sezel), fica a cargo da Ciclus Amazônia, concessionária de limpeza da capital. Para este ano, a empresa mobilizou 10 novos caminhões coletores, além de varredeiras e caminhões pipa, que percorrerão os 354 quilômetros de trajeto das procissões oficiais. Na Praça Santuário, um dos epicentros da festa, serão instaladas 10 big bags para o descarte de recicláveis, uma tentativa de mitigar o impacto ambiental.
Ainda que a limpeza pesada seja inevitável, a conscientização se alinha ao tema do Círio deste ano, “Maria, mãe e rainha de toda a criação”. A ideia é que a fé e o cuidado caminhem juntos. “O Círio é uma celebração de fé, mas também de cuidado coletivo. Cada romeiro que preserva o espaço por onde passa contribui para manter viva a beleza da cidade e o espírito de solidariedade que o Círio inspira. A Ciclus Amazônia está presente para apoiar esse esforço, com equipes dedicadas e tecnologia de ponta, garantindo que a fé caminhe lado a lado com a sustentabilidade”, afirma Bruno Muehlbauer, diretor-presidente de Resíduos da Ciclus Ambiental.