Círio 2025:rastro de violência na procissão
Tentativa de homicídio durante a maior romaria do Pará acende alerta sobre a segurança e o porte de armas brancas em meio à multidão de fiéis.
Foto: Fernando Sette/ reprodução Threads
Um rastro de violência manchou o asfalto da Avenida Presidente Vargas no último domingo (12), quebrando a atmosfera de fé que envolvia mais de dois milhões de romeiros durante a principal procissão do Círio de Nazaré de 2025. Em um ato que chocou os presentes, um homem foi preso em flagrante após tentar agredir outro a facadas em plena luz do dia. O crime, ocorrido a poucos metros da berlinda, levanta um questionamento inevitável: como a maior festa religiosa do Brasil, guardada por uma megaoperação policial, ainda é palco de uma barbárie como essa?
O episódio de violência explodiu por volta das 10h da manhã, no auge da caminhada de fé. Segundo testemunhas, uma discussão banal rapidamente escalou para a agressão física. O suspeito, que não teve a identidade revelada, sacou uma faca e desferiu múltiplos golpes contra a vítima, que foi socorrida em estado grave e levada para o Hospital Metropolitano de Urgência e Emergência, em Ananindeua. A ação rápida de policiais militares que integravam o cordão de segurança evitou uma tragédia ainda maior, resultando na prisão imediata do agressor.
O caso acende um alerta gravíssimo para a "Operação Círio 2025", anunciada pelo governo do estado como a maior da história. Com um efetivo de mais de 8 mil agentes de segurança —incluindo Polícia Militar, Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e até apoio da Marinha e da Polícia Rodoviária Federal —, a promessa era de uma festa tranquila e segura para paraenses e turistas. No entanto, a tentativa de homicídio expõe uma falha crítica no esquema de revista e prevenção, especialmente no que diz respeito ao porte de armas brancas, que são mais difíceis de detectar em aglomerações gigantescas.
Como todo paraense, sinto o coração apertar ao ver a nossa maior manifestação de fé ser maculada pelo ódio. O Círio é a catarse do nosso povo, o momento em que a corda une todos numa só prece, num só corpo que caminha pelas ruas de Belém. A violência, infelizmente, é uma realidade em nossa cidade, mas sua presença em um espaço tão sagrado é uma afronta que dói na alma. Fica a pergunta para as autoridades: de que adianta a demonstração de força com milhares de agentes, se facas encontram espaço para ferir o corpo de um romeiro e a fé de todo um povo?
Há também outro ponto de reflexão: a maioria das pessoas portando armas brancas na procissão o fazem para cortar a corda — este ano, entre as estações E4 e E5, a corda foi cortada as 9h45 da manhã, exigindo esforço de todas as equipes envolvidas para reorganizar as pessoas, principalmente os promesseiros, e prosseguir com a Romaria de forma segura. Em 2024, esta que vos escreve encontrou anúncios de pedaços da Corda do Círio por até 60 reais: pequenos "espólios" da fé que muito interessam a todos os católicos e turistas que se sentem
A Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social do Pará (Segup) informou em nota que o caso é "isolado" e que a "rápida resposta da polícia demonstra a eficácia do planejamento". A pasta também afirmou que irá reavaliar os protocolos de segurança para as próximas romarias da quadra nazarena.
A Segup reforça que qualquer atitude suspeita deve ser comunicada imediatamente a um dos policiais em serviço durante as procissões. O Disque-Denúncia (181) e o número de emergência da Polícia Militar (190) funcionam 24 horas por dia. A colaboração da população é fundamental para garantir a segurança de todos.