Pará conquista Prêmio Brasil Sem Fome por redução histórica da insegurança alimentar
Estado é destaque na Região Norte e recebe reconhecimento nacional em Brasília; investimento em políticas públicas ultrapassa R$ 45 milhões.
Na foto, Ministro Wellington Dias (centro), Secretário Inocencio Gasparim e Paulo Melqui. Créditos das fotos: Jéssica Marschner
Sabe aquele orgulho que a gente sente quando vê o nosso "país" Pará brilhando lá fora? Pois é, ontem (17), o coração bateu mais forte e num ritmo de festa, quase um carimbó frenético, mas por um motivo muito sério e vital. O Estado do Pará foi o grande vencedor da Região Norte no Prêmio Brasil Sem Fome, uma cerimônia emocionante realizada na Sala Martins Pena do Teatro Nacional de Brasília. E não foi "apenas" um troféu para a estante: foi o reconhecimento de um trabalho de formiguinha, técnico e humanizado, que garantiu que milhares de famílias paraenses tivessem o que comer.
Eu sempre digo aqui no portal que jornalismo de dados é essencial para a gente não cair em contos de vigário, e os números que levaram o Pará a esse pódio são incontestáveis. Estamos falando da categoria Redução da Insegurança Alimentar e Nutricional. Trocando em miúdos: o Pará foi o estado do Norte que mais tirou gente da fila da fome entre 2022 e 2024.
O evento, que celebrou a saída do Brasil do Mapa da Fome da ONU, premiou iniciativas que transformaram a gestão pública em dignidade no prato. E aqui, meus caros leitores, vale uma reflexão: comida não é mercadoria, é direito. Como diria aquela canção que a gente ama, a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte. Mas a base de tudo é o alimento.
Para entender a dimensão dessa vitória, precisamos olhar para o retrovisor. Em 2022, o cenário de articulação era tímido: tínhamos apenas 5 municípios integrados ao Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SISAN). Corta para dezembro de 2025: hoje, 118 municípios paraenses estão integrados (o Pará tem 144 municípios). Isso é um salto de gestão que sai do papel e vira feijão, arroz e farinha na mesa.
Sob a coordenação da Secretaria de Assistência Social, Trabalho, Emprego e Renda (SEASTER), o Estado não brincou em serviço. Foram investidos mais de R$ 45,8 milhões no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Esse dinheiro não sumiu em burocracia; ele foi direto para a mão do pequeno agricultor familiar, do ribeirinho, do quilombola e dos povos indígenas, que venderam sua produção para o governo, que por sua vez doou para quem tinha fome. É a economia girando de forma solidária.
Os dados apurados pela nossa equipe mostram o impacto real:
◈ Atendimento: Mais de 170 municípios alcançados;
◈ Alcance: Mais de 65 mil famílias atendidas diretamente;
◈ Distribuição: Mais de 500 mil cestas de alimentos entregues;
◈ Restaurante Prato Popular: Mais de 86 mil refeições servidas a preços acessíveis.
Esforço conjunto: O interior faz bonito!Não foi só o Governo do Estado que brilhou. O prêmio também reconheceu as boas práticas municipais, provando que a mudança começa no território.
Três municípios paraenses foram citados nominalmente como exemplos de sucesso na categoria de Boas Práticas:
1. Eldorado do Carajás, com sua Política Municipal de Combate à Fome;
2. Bragança (nossa pérola do Caeté!), com o projeto "Bragança que Produz e Alimenta";
3. Barcarena, destacando-se com o Programa Municipal de Aquisição de Alimentos.
É emocionante ver cidades do nosso interior sendo vitrine para o Brasil. Isso mostra que, mesmo quando o mundo parece parar sem nenhum aviso, a primavera sempre volta para quem planta trabalho.
O clima em Brasília era de dever cumprido, mas com a consciência aguçada de que a luta continua. Durante a transmissão do evento, foi possível captar o sentimento das autoridades federais, que reforçaram que os dados positivos são, na verdade, histórias de vida transformadas.
A secretária extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, Valéria Burity, tocou na ferida ao lembrar que o prêmio celebra algo que vai além da matemática fria dos relatórios:
"Hoje é um momento de celebração da redução da pobreza, da fome e da desigualdade no Brasil. De números que caíram, mas sobretudo de vidas que mudaram para melhor."
E para quem acha que ser potência é só ter PIB alto, o ministro do Desenvolvimento, Wellington Dias, mandou um recado direto, visivelmente orgulhoso com o Brasil fora do Mapa da Fome:
"Estamos no caminho certo""Teremos ainda mais orgulho quando estivermos não apenas entre as maiores potências do mundo, mas também entre os países com mais igualdade."
O secretário da SEASTER, Inocêncio Gasparim, que representou o governador Helder Barbalho e a vice Hanna Ghassan na cerimônia, não escondeu a emoção. Em suas redes sociais, ele dedicou o prêmio às famílias atendidas.
"Receber o Prêmio Brasil Sem Fome, em Brasília, foi um momento de muita emoção e responsabilidade. Esse reconhecimento nacional mostra que o Pará está no caminho certo [...] É o resultado de políticas públicas sérias, coordenadas pela SEASTER, em parceria com os municípios, organizações sociais e comunidades tradicionais, garantindo alimento, dignidade e cuidado para quem mais precisa", declarou Gasparim.
O Governo do Pará já anunciou que não vai sentar sobre os louros da vitória. O planejamento futuro inclui a publicação do Decreto de Parcerias e a implantação de Estruturas Municipais de Combate à Fome ainda mais robustas.
Além disso, houve um investimento pesado de R$ 9,09 milhões na implantação de equipamentos públicos e cozinhas comunitárias — já são 6 entregues, com capacidade para atender 35 mil pessoas.
No fim das contas, esse prêmio é de cada paraense que acredita que nosso estado é muito mais do que matéria-prima bruta. Somos gente, somos cultura, somos capazes. E ver o Pará liderando a redução da fome no Norte é a melhor manchete que eu poderia escrever hoje. Porque, afinal, a vida continua, e ela precisa continuar com dignidade para todos.
O Futuro da Segurança AlimentarVer essa foto no InstagramUm post compartilhado por Inocencio Gasparim (@inocenciogasparim)